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Sustentabilidade dá mote à Domingos de Sousa

Com planos para impulsionar a marca epónima no próximo ano, a Domingos de Sousa tem somado aumentos anuais de 10%. A produtora de felpos, que vende tudo para exportação, está ainda a investir na sustentabilidade, uma área que deverá ter novidades a curto prazo.

Fátima Sousa

Vertical desde a fiação – uma área que complementa também o negócio de têxteis-lar –, a Domingos de Sousa & Filhos está empenhada em acompanhar as mudanças dos tempos e as preferências dos consumidores. Os investimentos, que nos últimos seis anos ascenderam a 10 milhões de euros, incluindo a renovação da fiação, estão centrados essencialmente na eficiência produtiva e não no aumento da capacidade, que soma atualmente 220 toneladas por mês, sobretudo felpos. «O paradigma está a mudar e os jovens gastam cada vez menos dinheiro em toalhas – preferem passear. Por isso, temos de ir pensando nisso a sério, porque nota-se cada vez mais», revela Fátima Sousa, administradora da empresa.

Por isso, «queremos investir noutras áreas, em inovação, na sustentabilidade, que é uma das coisas que nos está a mover em todos os sentidos», destaca Fátima Sousa, dando como exemplo os novos equipamentos que a Domingos de Sousa & Filhos adquiriu, que «reduziram imenso o consumo de água, quase em 50%, e de energia».

Nesta área, a Domingos de Sousa fez o STeP, sendo uma das poucas empresas de têxteis-lar com esta certificação. «É muito exigente, tivemos que efetuar grandes alterações e mudar muitos produtos, que são possíveis com o Oeko-Tex, e não com o STeP», explica ao Jornal Têxtil. Em curso estão igualmente outros projetos. «Estamos a tentar, com o CITEVE e a Universidade do Minho, pôr-lhes as nossas ideias, que podem parecer malucas numa fase inicial, mas que provavelmente se concretizam em pouco tempo. E é isso que nos vai mover daqui para a frente», adianta a administradora.

Crescer com inovação

A inovação, de resto, tem estado no centro da Domingos de Sousa, que na mais recente coleção apresentou toalhas produzidas com um fio especial. «Trata-se de um fio muito caro, mas tem uma qualidade e um toque ótimos. É completamente diferente, composto por uma mistura íntima de 100% algodão que compramos numa empresa nacional», esclarece. Com um preço mais alto, «que, de facto, não é para todas as bolsas», as novas toalhas encontraram o sucesso na Escandinávia. «Conseguimos entrar bem com elas, por isso estamos esperançados em obter volumes razoáveis», afirma.

Com toda a produção direcionada para exportação, Espanha é o primeiro mercado, especialmente devido às vendas para hotelaria – uma área que representa 40% da produção da empresa –, seguida da Alemanha e do resto da Europa. Os EUA fazem igualmente parte da lista de clientes, assim como o Japão, onde a Domingos de Sousa encontra-se a ultimar uma parceria para começar a vender diretamente. «Aceitamos um desafio lançado por um cliente japonês de introduzir muitas cores numa toalha jacquard. Já há dois ou três anos que andamos a trabalhar nisto e estamos muito próximos. Ele gostou da última amostra que apresentamos – vai voltar agora e penso que já se vai concretizar alguma coisa», confessa Fátima Sousa.

A nível geral, contudo, o ambiente é menos positivo. «Sinto que todos os mercados a nível europeu estão a baixar. França, Espanha, Alemanha estão todos a sofrer uma quebra. Uns 20% estão a comprar menos», indica a administradora.

Com os últimos anos a registarem crescimentos de 10% – em 2018, o volume de negócios atingiu os 20 milhões de euros –, 2019 será, por isso, um ano mais difícil. «Estou a torcer para que o ano não seja mau, porque o que ouço não é muito bom. De facto, a crise está instalada. Temos alguns clientes que nos são muito fiéis e que me estão a dizer que tudo farão para que não fiquemos sem encomendas. Portanto, vamos ver», admite. No entanto, as metas mantêm-se. «Este ano também precisávamos de crescer 10%, o objetivo era esse. Já não estou tão segura disso, mas vou fazer tudo para que aconteça», garante a administradora da Domingos de Sousa & Filhos.