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Sustentabilidade e tecnologia: as prioridades da H&M

Se, por um lado, existe a questão de que a pandemia veio colocar a sustentabilidade em segundo plano nas empresas, a retalhista sueca acredita que as práticas ecológicas serão o segredo para recuperar da crise provocada pelo SARS-CoV-2. O digital e a tecnologia são também fundamentais, já que a H&M está a criar um provador virtual.

[©Sourcing Journal]

Depois de apresentar a mais recente parceria para uma coleção cápsula com a designer irlandesa Simone Rocha, a H&M estabeleceu as prioridades que acredita que vão levar a retalhista a recuperar do impacto das vagas da Covid-19, que não deixam de lado a necessidade de abordar problemáticas como a redução da procura por parte do consumidor e os constrangimentos nas cadeias de aprovisionamento. Quem o diz é Abigail Kammerzell, gerente de sustentabilidade do grupo H&M nos EUA, ao afirmar que as práticas ecológicas estão a alterar o cenário do retalho, destaca o Sourcing Journal.

A crise pandémica trouxe «mudanças sem precedentes» para o sector, o que obrigou as empresas de retalho de moda a lidarem com as novas necessidades dos fornecedores e dos consumidores. Neste sentido, Abigail Kammerzell refere que a sustentabilidade representa a «chave para a recuperação da pandemia» e, ao invés de a deixar para segundo plano, a retalhista sueca decidiu duplicar os objetivos ecológicos. «Isso não diminuiu os nossos esforços de sustentabilidade, acho que apenas nos tornou mais inteligentes e nos fez entender que temos de nos mover mais rápido como indústria», revela a gerente de sustentabilidade, que alertou também para o facto dos consumidores terem passado a dar mais importância aos valores das marcas, o que influenciou os hábitos de consumo. «Culturalmente estávamos num ponto crítico antes da pandemia. Proteger as pessoas e o planeta em que vivem é uma prioridade e, quando estão a pensar [os consumidores] onde gastar dinheiro, querem saber se essas empresas também estão preocupadas», explica.

Grupos etários como a geração Z, que engloba consumidores mais experientes a nível digital, acompanharam os esforços da retalhista sueca para se tornar mais ética ambientalmente e ainda mais transparente. «Esta geração é digitalmente nativa e entende como aceder às informações» reconhece Kammerzell. «A Geração Z está realmente a exigir saber onde é que as roupas são feitas e a composição das mesmas», admite Abigail Kammerzell, acrescentando que os compradores desta geração acreditam que a função de uma empresa não é, somente, disponibilizar artigos, mas também melhorar a sociedade bem como a comunidade onde está inserida e opera.

O papel das lojas é também crucial para esta nova abordagem dos consumidores, uma vez que os espaços físicos denotaram grande adesão aos pontos de recolha para reciclagem de vestuário. «Estamos muito entusiasmados para reativar isso em 2021», assegura a gerente de sustentabilidade do grupo. A H&M lançou, inclusive, uma nova estratégia de construção circular para as lojas que será regida por materiais de compostos reciclados ou recicláveis. «Trata-se de garantir que todas as nossas lojas sejam o mais sustentáveis ​​possível, visto que têm uma pegada na comunidade. É também sobre avaliar as comunidades em que estamos e fazer parceria com elas para perceber o que é necessário», aponta.

Negócio de causas

E a prova de que os valores das marcas são grandes impulsionadores do consumo está no facto da retalhista sueca se ter associado a grupos como o The Children’s Center em Detroit, que fica a menos de 10 minutos de uma das lojas da H&M, e também com o grupo de defesa LGBTQ The Trevor Project. «Estamos mesmo a assegurar que entendemos a força das comunidades onde atuamos, com mais de 500 lojas em 48 estados», afiança Abigail Kammerzell. «Nos últimos nove meses da pandemia de Covid-19, percebemos como todos os aspetos do negócio estão interligados e interdependentes. É realmente importante que a cadeia de aprovisionamento seja incluída em todos os esforços de recuperação», destaca.

Democratizar as operações das fábricas é também uma prioridade para a H&M que pretende uma maior representatividade nos trabalhadores. «Queremos garantir que as mulheres não são deixadas de fora das conversas económicas, especialmente porque 80% das trabalhadoras da indústria de vestuário são mulheres», justifica a gerente de sustentabilidade ao explicar que, para progredir na circularidade, é preciso assegurar que os colaboradores têm as ferramentas e aptidões necessárias para prosseguirem com a mudança, motivo pelo qual a retalhista recorreu ao International Finance Corporation e ao programa Better Work das Nações Unidas.

Provador virtual

Como forma de inovar, evitar o desperdício e reagir a esta nova realidade que privilegia as compras online, a H&M está a desenvolver um provador digital, dando também uma experiência alternativa aos clientes em loja.

Nexr Technologies [©Sourcing Journal]
O H&Mbeyond, laboratório de inovação da retalhista de moda, está a trabalhar em conjunto com a Nexr Technologies para desenvolver este projeto virtual que, segundo a empresa, deverá estar disponível no verão de 2021. Desta forma, os clientes passam a poder experimentar os artigos com maior rapidez.

A funcionalidade, que estará em vigor nalgumas lojas, vai fazer com que os consumidores possam digitalizar o próprio corpo, criando o seu próprio avatar, a partir do qual, através da aplicação, podem atribuir várias conjugações de artigos para ver o que mais gostam e selecionar o pretendem, facilitando o processo de compra, descreve o Soucing Journal.

Este tipo de tecnologia não é novidade, tendo em conta que a Zalando já experimentou esta tecnologia que a H&M considera que poderá influenciar o comportamento de devolução dos consumidores.

«Estamos sempre à procura de soluções e tecnologias inovadoras que tornem a experiência de compra no retalho mais atraente e estimulante. Com o projeto-piloto, juntamento com os nossos clientes, queremos testar se os provadores digitais podem ajudá-los a escolher estilos, tamanhos e, por fim, a tomar uma decisão de compra – a Nexr Technologies é um grande parceiro para isso», resume Oliver Lange, chefe da H&Mbeyond.