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Sustentabilidade já tem guia

O Guia Boas Práticas de Sustentabilidade resume as melhores medidas adotadas pelas empresas que participaram no projeto Green Textiles Club em áreas que vão do manuseamento de químicos à responsabilidade corporativa. Cordeiro, Campos & C.ª, Têxteis Penedo e Pedrosa & Rodrigues foram três das 17 empresas participantes.

 

O projeto, promovido pela ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal em parceria com o Citeve, teve a duração de quatro semestres e pretendeu «promover as boas práticas de sustentabilidade» junto do sector têxtil e vestuário, como explicou Ana Paula Dinis, da ATP, no seminário final do projeto, que teve lugar ontem, no Citeve.

Aberto apenas para as PME’s, o projeto permitiu às empresas envolvidas, num total de 17 empresas e 20 projetos, implementar a certificação STeP (acrónimo de Sustainable Textile Production – produção sustentável de têxteis – que é aplicável a todas as fases do processamento têxtil) e/ou a norma de qualidade ISO 9001:2015.

«94% das empresas que aderiram foram certificadas com STeP e 24% com a ISO 9001:2015», revelou Ana Paula Dinis.

Laurinda Campos

Cordeiro, Campos & C.ª

No caso da Cordeiro, Campos & C.ª, a certificação foi dupla, revelou a gestora de qualidade Laurinda Campos. «Foi-nos dado a conhecer este projeto conjunto Green Textiles Club, que tinha a componente da empresa sustentável e também tinha o outro projeto, que podíamos trabalhar em conjunto, da certificação da qualidade já com os referenciais da norma de 2015», explicou ao Portugal Têxtil.

Apesar do prazo curto, o historial e as práticas já implementadas na Cordeiro & Campos permitiram avançar. «As grandes alterações foram sistematizar as práticas habituais da empresa», resumiu Laurinda Campos. «Fazíamos de uma forma empírica, não estavam escritas e não estavam evidenciadas. Faltava-nos esses registos. No fundo foi pôr isso em prática. Senão, não conseguiríamos num ano fazer as duas certificações», sublinhou a gestora de qualidade da empresa de confeção.

Têxteis Penedo

Agostinho Afonso

No caso da Têxteis Penedo, revelou o administrador Agostinho Afonso, «tivemos que aprender muito», sobretudo em relação aos químicos. «Na empresa mudaram algumas práticas de sustentabilidade no que toca à gestão de resíduos e também na manipulação de alguns produtos químicos que, até aqui, talvez não recebessem a melhor atenção ou não fossem geridos da melhor forma. Com esta certificação [STeP] aprendemos a gerir de forma adequada», afirmou ao Portugal Têxtil.

Habituada a estar na «linha da frente», detendo já a certificação de qualidade desde o ano 2000, a empresa de têxteis-lar, que em 2016 registou um crescimento de cerca de 8% do volume de negócios, para um valor que ultrapassou os 12 milhões de euros, acredita que «o próprio mercado vai valorizando estes rótulos ecológicos e de sustentabilidade, que a empresa também quer ter», acrescentou Agostinho Afonso.

Pedrosa & Rodrigues

Também Miguel Pedrosa Rodrigues, administrador da Pedrosa & Rodrigues (ver Pedrosa & Rodrigues prepara o futuro), acredita que as questões da sustentabilidade vão marcar o futuro da indústria têxtil e vestuário. «Estive em Bruxelas numa conferência sobre este tema e na altura já se discutia que em França iria sair legislação que obrigava empresas de grande escala da área do têxtil a rastrear e a controlar do ponto de vista da responsabilidade social as suas cadeias de fornecimento inteiras. É uma tendência e à medida que os grandes forem obrigados a assumir determinados standards, naturalmente ao virem pela cadeia de fornecimento abaixo, vai-nos chegar», indicou ao Portugal Têxtil.

A empresa tinha já várias medidas implementadas, nomeadamente na área da responsabilidade social – como um ginásio para usufruto dos funcionários – mas «quando tivemos conhecimento do clube, achamos que era a altura certa para avançar porque ia ajudar a estruturar esta atitude que a empresa tinha. Foi uma questão de oportunidade: apareceu na altura certa o que realmente era preciso para fechar o processo», resumiu.

Miguel Pedrosa Rodrigues

Entre as principais mudanças, a gestão dos químicos assumiu maior relevância. «Tal como outras empresas, eu também achava que não tinha químicos. Como fazemos confeção, para mim os químicos estavam nas tinturarias. Mas tomámos consciência da quantidade de químicos que temos e hoje somos capazes de gerir e tomar opções informadas sobre os químicos que usamos, como os guardamos e os manuseamos», indicou o administrador.

Mas o processo, assumiu, é de melhoria contínua. «É importante criar-se uma cultura e uma sensibilização para o tema, porque depois estamos a criar condições para receber sugestões e feedback de todo o lado. Quando o trabalho resulta de uma atividade colaborativa, é sempre melhor e é sempre mais rico», sublinhou Miguel Pedrosa Rodrigues.

Guia Boas Práticas de Sustentabilidade

Estas e outras boas práticas na área da qualidade e sustentabilidade estão compiladas no Guia Boas Práticas de Sustentabilidade, que nos próximos dias ficará disponível para download no website da ATP.

«É uma boa forma de mostrar, quer às empresas participantes, quer às outras empresas do sector, o quanto existe de sustentabilidade», afirmou Assunção Mesquita, técnica especialista do Citeve, que sublinhou ainda, na apresentação deste guia, que «claramente quando as empresas se juntam e partilham informação, as relações são win-win e toda a gente ganha».

No guia é possível conhecer as boas práticas já implementadas pelas empresas que fazem parte do Green Textiles Club – composto atualmente pela A. Sampaio & Filhos, António Salgado & C.ª, Bê-Dex Têxteis, Carcemal, Clariause, Conceição Pereira & Carvalho, Cordeiro, Campos & C.ª, Domingos de Sousa & Filhos, Lopes & Carvalho, Pafil Confecções, Pedrosa & Rodrigues, Silsa Confeções, Sonicarla Europa, Tapa Costuras, Têxteis Penedo, Têxtil Sancar e Trotinete –, onde constam a aplicação de painéis fotovoltaicos, triagem automática de resíduos na origem, instalação de bacias de retenção de químicos, metodologias kaizen, apoio a instituições, apoio a fornecedores e boas práticas de segurança no trabalho, entre outras.

Para Paulo Vaz, diretor-geral da ATP, «o resultado do projeto é de tal forma positivo que o Green Textiles Club está condenado a durar», antecipando, face ao interesse das manifestado pelas empresas, a sua continuação, até porque, sublinhou, pode ser «mais um elemento de forte diferenciação da nossa indústria».