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Sustentabilidade na prática

Chama-se Blue Ben e foi fundada com os princípios da responsabilidade ambiental em mente. A marca, que usa só fornecedores portugueses, vai estar na Conferência Sustainability Talks para dar a conhecer como implementou uma abordagem holística à sustentabilidade, num painel apadrinhado pela feira alemã Neonyt.

Ali Azimi

A marca nasceu depois dos fundadores terem visto o documentário “The True Cost” sobre o impacto da produção de moda, onde era referido que uma t-shirt de algodão implicava o consumo de 2.700 litros de água. A Blue Ben nasceria em janeiro de 2017, depois de uma bem sucedida campanha de crowdfunding com a associação sem fins lucrativos Charity Water. Em março de 2018, os responsáveis da marca vieram a Portugal, onde encontraram os fornecedores – entre os quais a Tearfil, nos fios, e a Tintex, para a produção e acabamento de malhas, assim como uma empresa de Barcelos para a confeção – que permitiram o primeiro ciclo de produção, em outubro desse mesmo ano.

«O nosso conceito é único. Não há nenhuma outra marca no mundo que tenha nascido com uma abordagem holística para responder às questões do consumo de água», destaca Ali Azimi, um dos cofundadores, ao Portugal Têxtil. Além disso, reforça, «começámos a desenvolver as nossas próprias malhas com a ajuda dos nossos parceiros em Portugal sem usar algodão nem plástico. É algo que poucas marcas fizeram no passado. E só aprovisionamos fibras na Europa, o que nos limita a alguns fios muito caros mas de elevada qualidade», acrescenta.

Stakeholders reunidos no Porto

É esta experiência que Ali Azimi vai trazer à conferência Sustainability Talks, que tem lugar amanhã, 5 de dezembro, a partir das 14 horas, na Alfândega do Porto. «Vamos sobretudo falar da abordagem holística que implementámos. Uma parte do nosso trabalho é criar vestuário com uma pegada de água significativamente mais baixa e, ao mesmo tempo, limpar a poluição da água em áreas e países afetados pela indústria têxtil», afirma o cofundador da Blue Ben. «Vamos também falar de como a indústria está a mudar para especificações significativas e micromercados que levam à inovação e a novas formas de fazer e vender coisas», indica Ali Azimi.

Max Gilgenmann (Neonyt)

A intervenção do cofundador da Blue Ben está integrada no primeiro painel da conferência, que tem o apoio da feira alemã Neonyt, ela própria devotada à moda sustentável. «Quero usar esta oportunidade para discutir os próximos passos para mudar a nossa indústria, para que se torne uma trendsetter mundial em soluções impulsionadas pela digitalização mas com “as mãos na massa” para finalmente responder ao desafio de estarmos numa emergência climática», aponta Max Gilgenmann, content director da Neonyt, que irá moderar este painel. Uma área em que Portugal encontra-se, de resto, bem posicionado. «Portugal tornou-se um centro bem conhecido para uma produção mais sustentável e, no Porto, teremos alguns dos stakeholders mais avançados da indústria no mesmo lugar», sublinha Max Gilgenmann ao Portugal Têxtil.

A debater este tema estará, além de Ali Azimi, Ricardo Garay, coordenador internacional de projeto na Circular Systems, uma empresa focada no desenvolvimento de novas tecnologias de materiais, e Claudia Hofmann, cofundadora do Fashion Council Germany, que irá apresentar o Fashion Council Germany German Sustain Concept, um programa de «apoio a jovens talentos no campo do design sustentável nas disciplinas de desenvolvimento pessoal, sourcing, distribuição, marketing e negócio», refere ao Portugal Têxtil. «A sustentabilidade há muito que tem sido um dos assuntos que moveu e mudou rapidamente a indústria da moda. Para nós, era muito importante dar aos designers, através do nosso German Sustain Concept e da nossa rede de especialistas conhecidos, a oportunidade de aprender mais sobre uma cadeia de aprovisionamento holística e levar as suas marcas para o futuro, em termos criativos e económicos», explica. Uma cadeia de aprovisionamento que já passa por terras lusas. «O “made in Portugal” representa qualidade e confiança, além de ser feito de uma forma ecológica e socialmente responsável. Muitas marcas alemãs confiam na qualidade e no elevado valor acrescentado, sobretudo na área de produtos feitos de forma sustentável», afirma Claudia Hofman.

Ana Tavares (Tintex) e Braz Costa (Citeve)

O programa da conferência, organizada pelo CENIT em parceria com a ANIVEC – Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confecção, a ModaLisboa e a Neonyt, contempla também uma apresentação do diretor de sourcing do El Corte Inglés, Manuel Lopez Tocci, a partilha de experiências da indústria portuguesa, com a intervenção de Ana Tavares, diretora de sustentabilidade da Tintex, Mafalda Pinto, administradora da Scoop, Patrícia Ferreira, business developer da Valérius, Isabel Domingues, responsável do departamento de sustentabilidade da Riopele, e Braz Costa, diretor-geral do CITEVE, e um painel dedicado à sustentabilidade e criação de valor no longo prazo, com Luís Palma da Graça, founding partner e diretor de desenvolvimento da Vallis Capital Partners.

O programa completo e as inscrições, que são gratuitas e podem ser feitas online, podem ser encontrados aqui.