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Sustentabilidade norteia Vilartex

A produtora de malhas mantém-se fiel aos materiais mais amigos do ambiente, prosseguindo a estratégia iniciada há vários anos e que tem vindo a dar frutos. A nova coleção está a ser apresentada em feiras e digitalmente, mas, apesar do regresso das marcas à Europa, a falta de matérias-primas afigura-se um entrave para a Vilartex.

Carmen Pinto

Fibras naturais, como urtiga, cânhamo e kapoc, opções orgânicas e recicladas constituem o grande foco das propostas da Vilartex para a estação fria do próximo ano, que volta a reunir sustentabilidade e performance na coleção para o outono-inverno 2022/2023. «Usamos fibras que, apesar de naturais, têm características de sustentabilidade, como serem biodegradáveis, mas também são respiráveis ou antibacterianas», explica Carmen Pinto, administradora da empresa.

Além das fibras, a sustentabilidade reflete-se ainda de outra forma. «Tentámos sempre direcionar a colação no sentido da sustentabilidade por duas vias: com artigos novos e com artigos já de coleções antigas, reciclando-os e voltando a colocá-los na coleção», indica, sublinhando também que as novas propostas estão igualmente muito direcionadas «para o conforto do dia a dia».

Uma aposta que parece ganha, tendo em conta a recetividade que a coleção tem obtido. «Notamos que estamos no caminho certo relativamente à sustentabilidade, os clientes procuram essencialmente esse tipo de artigo. E estamos muito bem com a coleção – acho que nunca tínhamos conseguido atingir tão bem os objetivos como estamos a atingir com esta coleção, vamos muito de encontro às necessidades do cliente», afirma ao Portugal Têxtil.

Nas feiras e online

As propostas têm sido apresentadas tanto presencialmente, em certames como a Munich Fabric Start e a Première Vision Paris, mas também digitalmente, dando continuidade ao que foi feito no ano passado, devido à pandemia. «Nos clientes com quem tínhamos uma relação comercial já muito estável, enviámos a coleção física completa para eles. Para os outros clientes, criámos uma plataforma online, fotografámos a coleção, colocámo-la em grupos na mesma por fibra e com todas as referências e informação relativamente às malhas e a partir daí tentámos, de certa forma, mostrar as coleções», conta a administradora da Vilartex. Algo que «agora vai ficar. Mesmo regressando às feiras, não se perde nada, é uma mais-valia ter. É para manter de certeza absoluta e para explorar», acredita.

Foi igualmente dessa forma que a especialista em tricotagem se manteve a trabalhar em 2020, um ano que «não correu muito bem, mas também não correu muito mal», sustenta Carmen Pinto. «Vínhamos de um ano de 2019 muito bom. Descemos um bocadinho a nível da faturação, mas dentro do que foi 2020, não nos podemos queixar», considera.

A empresa passou de quase 24 milhões de euros de volume de negócios em 2019 para 19 milhões de euros em 2020, mas em 2021 está já ao mesmo nível do ano passado, apesar de faltar ainda contabilizar quatro meses até dezembro. «Trabalhamos essencialmente com a Europa e notamos que há muitos clientes que, definitivamente ou não, estão a fugir da Ásia. Sentimos que algumas marcas estão a voltar à Europa», refere a administradora.

O travão das matérias-primas

O único entrave poderá ser a escassez de matérias-primas. «A nível de encomendas temos bastantes. Mas deparamo-nos com o problema das matérias-primas neste momento – a subida dos preços, mas, e o mais grave, a falta delas. Não há transportes e não há contentores disponíveis para as matérias-primas chegarem a tempo. Temos muito fio comprado – algodão essencialmente da Ásia e da Turquia – que não sabemos quando chega», relata Carmen Pinto.

Ainda assim, o futuro é auspicioso e 2022 deverá ser o ano em que a Vilartex, que emprega cerca de 100 pessoas, irá recuperar a rota de crescimento que foi condicionada pela pandemia. «Estamos bastante otimistas e penso que a nível de faturação será para subir mais um bocadinho e chegar ao valor de 2019», conclui a administradora.