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T-shirts à lupa do Reach

As t-shirts para criança vendidas nas grandes superfícies francesas serão perigosas para a saúde? Um inquérito publicado recentemente na revista “60 Millions de Consommateurs” coloca esta questão de forma concreta. Cerca de 40 t-shirts vendidas sob diferentes marcas foram objecto de análises precisas, sub-contratadas ao IFTH (Institut Français du Textile-Habillement), para detectar a presença de certas substâncias químicas. Embora a revista não tenha detectado «corantes azóicos, formaldeídos ou metais pesados no vestuário analisado» em taxas interditas pela regulamentação, revela, contudo, ter encontrado certos ftalatos registados na categoria de reprotóxicos, em quantidades superiores a 0,1%. E isso em nove artigos, produzidos na índia, Vietname e no Bangladesh e vendidos na Kiabi, na Gemo, na La Halle, na Okaïdi, no Auchan e na Gap. Um produto fabricado em França para a Babou não ultrapassa o valor de 0,1% para os ftalatos ainda autorizados no têxtil, mas, em contrapartida, atravessa “a linha vermelha” nos jogos, onde foram encontrados dois ftalatos interditos. No vestuário, os ftalatos são geralmente utilizados como plastificantes, por exemplo, para alguns motivos de serigrafia ou para impermeáveis. A revista apresenta a proporção de 0,1% retida pelos seus testes como «o valor máximo tolerado pela legislação europeia Reach» para materiais considerados altamente preocupantes (entre as quais os ftalatos) e que constam de uma lista publicada no site da agência europeia de produtos químicos. Por agora, trata-se apenas de uma obrigatoriedade de declaração para o fornecedor e de uma obrigação de informação para o distribuidor. A obrigação de declaração fixada pelo Reach (em vigor desde 1 de Junho de 2007) diz respeito «a todos os fornecedores de um artigo contendo uma substância» classificada como «altamente preocupante», com uma concentração superior a 0,1%. Nesse caso, ele é responsável por fornecer «ao destinatário do artigo as informações de que dispõe para permitir a utilização do dito em total segurança e compreendendo, pelo menos, o nome da substância». Perante estas obrigações, é evidentemente previsível que os fornecedores e os distribuidores deverão acabar por eliminar ou substituir da sua oferta – se ainda não o fizeram – as substâncias em questão. Yann Balguerie, CEO da empresa de acabamentos Robert Blondel, sublinha que a distribuição francesa está, no seu conjunto, a recuperar do atraso que tem em relação à regulamentação Reach. é certo que se considera «reservado no que diz respeito aos esforços empreendidos por uma distribuição mais hard-discount, habituada a trabalhar por vendas de lotes». Mas, em contrapartida, acrescenta, «as grandes cadeias puseram em prática estratégias Reach bem definidas, com exigências elevadas nos seus cadernos de encargos, até excessivas em certos casos. Porque, talvez, devido à falta de informação, preferem claramente eliminar todos os produtos susceptíveis de estarem presentes na lista dos materiais preocupantes, mesmo se forem utilizados em pequenas doses e não tiverem ainda produtos de substituição». O que actualmente, acrescenta Yann Balguerie, não coloca muitos problemas, na medida em que um número ainda restrito de substâncias (16, das quais apenas três tipos de ftalatos são utilizados pela fileira têxtil e de vestuário) foi inventariado na lista de matérias altamente preocupantes. Mas esta lista deverá aumentar e poderá conduzir a julgamentos difíceis. «Na moda infantil», sublinha Yann Balguerie, «pedem-nos cada vez mais, por razões de segurança, que o vestuário seja ignífugo. Ora como fazer isto se um dia as moléculas ignífugas estiverem classificadas na lista?». Para Balguerie, «para além da perigosidade de certas substâncias, o artigo da “60 Millions de Consommateurs” sublinha os riscos não negligenciáveis de alergias e de desconforto persistente em alguns produtos importados. Cinco dos nove artigos incriminados pela revista apresentam, com efeito, uma taxa de pH elevada, significando a persistência de resíduos químicos (que deveriam ter sido eliminados na lavagem). Isso pode, evidentemente, ter consequências na saúde e no conforto». São problemas semelhantes que têm enchido as páginas dos jornais nos últimos tempos, com alergias despoletadas por calçado ou sofás. Yann Balguerie vislumbra, contudo, uma boa notícia nesta investigação: não foi detectado nenhum dos componentes (corantes azóicos, formaldeídos, metais pesados) já interditos pela regulamentação europeia. De qualquer forma, a vigilância mantêm-se do lado das organizações profissionais. Em Dezembro último, a Uit (Union des Industries Textiles) pediu um controlo mais rigoroso da qualidade dos artigos importados (controlo aduaneiro e nos pontos de venda) e a criação urgente de um grupo de trabalho para esta matéria. Embora Yann Balguerie sublinhe que os poderes públicos ainda não deram resposta a estes pedidos, regozija-se por ter havido uma reunião entre os representantes da fileira, a direcção-geral da concorrência, do consumo e do combate à fraude e o Instituto Nacional de cuidados sanitários a propósito dos recentes casos de alergias. «Percebemos que está em movimento e estamos mais confiantes na vontade das autoridades de encontrar soluções para evitar tais problemas de saúde pública», sublinha Yann Balguerie.