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T-shirts sustentam a Nicarágua

As exportações de vestuário e calçado para a União Europeia provenientes da Nicarágua têm vindo a diminuir ao longo do primeiro semestre de 2019. O país da América Central encontra apenas uma área para recuperar fôlego: as t-shirts.

A Nicarágua constitui um dos produtores-líder de vestuário na América Central. Contudo, a conjuntura internacional e a recessão nacional, que têm vindo a prolongar-se desde o ano passado, causaram uma queda nas exportações de vestuário e calçado de 6,8% para 178,2 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano, ou seja, menos 13 milhões de euros que o período homólogo anterior – o que não parece estar a refletir-se na categoria das t-shirts.

Com efeito, o departamento estatístico oficial da União Europeia, o Eurostat, revela que as receitas das exportações de t-shirts em malha ou crochê, camisolas e outros coletes subiram 50%, de 9,5 milhões de euros para 14,2 milhões de euros, no mesmo período. Os principais mercados em 2018 apontavam para o Reino Unido, Bélgica e Holanda.

Dean García, diretor-executivo da Associação Nicaraguense da Indústria Têxtil e Confeção (ANITEC, na sigla original), assume que a tendência para a manutenção de um preço mais elevado contribuiu para o aumento do valor das exportações para a União Europeia. «Os preços internacionais estão a favorecer-nos de momento, o que ajudou a reduzir o impacto de volumes mais baixos», confirma García.

No entanto, o impulso das vendas de t-shirts não é suficiente para alavancar toda a economia nacional, que no ano passado registou uma contração de 3,8%, segundo os dados do Banco Mundial. Em 2019, prevê-se ainda a redução do crescimento em 5%, a pior taxa da América Latina, a seguir à Venezuela, que tem batido recordes de crise.

Protestos inibem investimentos

A recessão da economia tem vindo a acentuar-se desde as manifestações contra o regime do presidente Daniel Ortega que ocorreram em abril de 2018. Na altura, o governo havia aprovado uma nova legislação da Segurança Social, que causou uma onda de protestos civis, resultando na morte de 300 pessoas. Como consequência, os EUA impuseram um conjunto de sanções económicas e políticas em dezembro desse ano, restringindo o crescimento do país. «A crise política afetou severamente a confiança dos investidores e consumidores e tem contribuído para uma grave contração no investimento», explicou o Banco Mundial em junho.

Apesar das sanções não incidirem diretamente sobre indústria de vestuário, os seus efeitos colaterais recaem sobre o investimento, já que as empresas não procuram fechar novos contratos dentro do país. Deste modo, o volume das exportações de têxtil e vestuário aumentaram apenas 1,1%, na primeira metade de 2019, ainda que o seu valor tenha evidenciado uma subida de 15%, de acordo com os dados do Departamento Americano de Têxteis e Vestuário (OTEXA, na sigla original).

A esta recessão acresce-se a desaceleração do crescimento das economias globais prevista para os próximos anos, a começar pela Europa e pelos EUA, devido à conjuntura política vigente. Neste sentido, as produtoras de vestuário nicaraguenses planeiam explorar novos mercados, apostando nas linhas de artigos que oferecem mais sucesso de vendas, nomeadamente as t-shirts.

«A ideia é procurar novos mercados, ou mercados emergentes, onde possamos vender os nossos produtos que não conseguimos escoar nos nossos mercados tradicionais», aponta o diretor-executivo da ANITEC. Dean García acredita ainda que a União Europeia pode representar uma boa aposta de negócio para encontrar novas oportunidades de mercado.