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Tailândia em grande estilo – Parte 2

Depois da primeira parte já publicada pelo Portugal Têxtil, apresentamos a conclusão deste estudo sobre a ITV tailandesa.

Nos três anos entre 2002 e 2004, a indústria dos têxteis e vestuário da Tailândia investiu cerca de 12,5 mil milhões de dólares, tentando assim aperfeiçoar as suas instalações de tinturaria, acabamentos, fiação, confecção, e costura, tendo a maior parte da nova maquinaria sido importada da Alemanha, Itália e Suíça, e ainda alguma de Taiwan e do Japão.

No entanto, para satisfazer os clientes estrangeiros no futuro, não bastará apenas investir em nova tecnologia têxtil e em aspectos inovadores, dependendo igualmente do estabelecimento de parcerias estratégicas e redes de cooperação, uma vez que esta indústria deve assegurar o chamado fornecimento ‘one stop shop‘, uma rápida resposta e serviços integrados, de forma a manter-se competitiva

Desde 2001 que o Departamento de Promoção de Exportação tem vindo a trabalhar num projecto que visa desenvolver e modernizar a indústria dos têxteis e vestuário tailandesa, preparando-a para a integração no mercado global.

Neste âmbito, consultores especialistas vindos de Itália aconselharam as empresas participantes neste projecto a fabricar vestuário de elevada qualidade e ao mesmo tempo a utilizar melhor os seus recursos internos.

As empresas envolvidas neste projecto formaram um grupo denominado ‘Thai Tex Trend‘ para mostrar como aperfeiçoaram as suas técnicas, acrescentaram valor e ao mesmo tempo alargaram as suas gamas de produtos, tendo as suas vendas crescido 20-50%, em apenas três anos.

Acreditando que o futuro da indústria têxtil nacional assenta na vertente da moda, o governo da Tailândia disponibilizou 45 milhões de dólares para o projecto baptizado Bangkok Fashion City, que foi lançado em Fevereiro de 2004.

O objectivo deste projecto é fazer da capital tailandesa uma verdadeira capital da moda e um líder regional do sector durante 2005, e tornar-se um dos pólos mundiais da indústria da moda em 2012.

Assim, em vez de continuar como um país essencialmente produtor de vestuário, em regime desub-contratação, a Tailândia pretende assumir-se como uma nação de design e de marcas comerciais, posicionando-se como uma nação na vanguarda da criação e afirmação das tendências de moda a nível verdadeiramente internacional.

A estratégia de marketing do sector da moda da Tailândia assenta desta forma em três pontos estratégicos: formar profissionais qualificados e habilitados nesta área; desenvolver parcerias entre os diversos pontos do negócio da moda; e afirmar o projecto da Fashion City em Banguecoque.

Em síntese, este artigo aponta as principais forças e fraquezas da indústria dos têxteis e vestuário da Tailândia.

Entre as vantagens que este sector beneficia, contam-se as mudanças reveladas pelos grandes compradores de vestuário internacionais, agora que as quotas no comércio global foram eliminadas.

Com efeito, estes clientes tenderão a comprar em cada vez menos países e empresas, consolidando assim as suas zonas de compras e reduzindo-as a territórios mais fáceis de gerir. Os principais requisitos para a escolha desses países fornecedores – além dos preços – são a estabilidade política e social, o respeito pelos direitos humanos e ambientais, a fiabilidade, prazos de entrega curtos e serviços de valor acrescentado para os clientes.

A indústria tailandesa é totalmente vertical, incorporando desde a produção de fibras, fiação, confecção, corte, costura, tingimento e acabamento, produzindo todo o tipo de têxteis para o lar e vestuário diversificado, estando apta a responder às solicitações dos mercados mundiais.

Como fraquezas da ITV tailandesa, o artigo do Just-style.com aponta um certo desfasamento que ainda se verifica entre os fabricantes que apenas produzem por encomenda (sub-contratados), e aqueles que apostam claramente numa oferta verdadeiramente global.

Por outro lado, a Tailândia não é um país com o custo do trabalho tão baixo como os restantes estados do sudeste asiático, praticando preços mais altos do que países como as Filipinas, Índia, Indonésia, Sri Lanka, Vietname, Paquistão e Bangladesh.

Outra das fraquezas desta indústria no país em questão reside na falta de trabalhadores qualificados, em especial nas áreas mais técnicas e cuja avançada tecnologia exige um elevado grau de formação e aptidão.