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Taxas não assustam ITV dos EUA

O crescimento acelerado dos lucros em algumas das maiores empresas de vestuário e de calçado dos EUA está a dar origem a um cenário mais animador para o futuro dos sectores. No entanto, a possibilidade de imposição de mais taxas nas importações da China continua a ser uma nuvem no horizonte.

O crescimento mais rápido do que o previsto nas receitas e nos lucros das empresas de vestuário e de calçado dos EUA tem acompanhado as condições desafiadoras do negócio durante os últimos anos. De acordo com um novo relatório da Moody’s Investors Service divulgado pelo just-style.com (ver Positive outlook for US apparel firms despite tariff risk), o crescimento dos sectores deverá manter-se firme ao longo dos próximos 12 a 18 meses.

Subindo a classificação da indústria de vestuário e calçado de estável para positiva, a agência de notação financeira refere que mais empresas têm registado um crescimento sólido, conforme se apercebem dos benefícios de iniciativas de redução de custos, de sinergias de compra, da introdução de novos produtos, de esforços direcionados para o marketing, de atividade reduzida de libertação de stock e de melhorias nas condições do retalho. Grandes nomes do retalho dos EUA, como a Nike Inc, a PVH Corp e a VF Corp, são referenciados como «empresas que finalmente contam com um crescimento simultâneo».

Por outro lado, verifica-se que as empresas continuam a tirar proveito de oportunidades de crescimento internacional, especialmente em mercados emergentes como a China, onde um maior crescimento da economia tende a alimentar as compras de marcas de vestuário. Cerca de 42% das vendas conjuntas de produtores de vestuário dos EUA são geradas fora do território norte-americano, revelam os analistas.

A Moody’s reviu a sua previsão do crescimento dos lucros operacionais para a indústria para valores entre os 8% e os 9%, em relação aos 3% a 5% estimados anteriormente. Porém, esta alta taxa de crescimento será difícil de manter e poderá desacelerar para valores entre os 6% e os 7% em 2019, o que ainda representa um valor elevado.

Prevê-se que as vendas cresçam de 6% a 7% este ano e entre 4% e 5% em 2019. Nos cálculos, a agência considera as vendas internacionais, que estima que continuem a crescer a um ritmo consistente, particularmente na Ásia. «Para muitas empresas de vestuário e calçado norte-americanas, a aposta no crescimento dos seus próprios canais direct-to-consumer, incluindo tanto lojas online como físicas, levou a que tivessem uma melhor perspetiva dos locais onde os consumidores estão a comprar, enquanto também obtiveram um maior controlo sobre a mensagem da marca e toda a experiência de compra», indica a agência.

Também há riscos

Os riscos para as empresas de vestuário e calçado dos EUA incluem a dependência do contínuo crescimento económico do mercado nacional, assim como o aumento dos impostos nas importações. Em 2018 e 2019, a Moody’s prevê um crescimento do PIB entre um a três dígitos para os EUA e para a Europa, enquanto para a China estima um aumento entre os 4 e os 6 dígitos. No entanto, se forem impostas mais taxas nas importações da China, as previsões podem não se concretizar. Nesse caso, as empresas de vestuário sofreriam um impacto negativo devido ao aumento de custos e, potencialmente, à diminuição dos gastos dos consumidores.

Além disso, apesar de os custos de produção terem aumentado, permanecem gerenciáveis. As empresas de vestuário continuam a sofrer uma inflação nos custos de matérias-primas como o algodão e na mão de obra que vão, de alguma forma, atenuar o crescimento dos lucros ao longo dos próximos 12 a 18 meses. O algodão, uma matéria-prima essencial na indústria, tem aumentado o seu custo, anualmente, em cerca de 15%. O crescimento contínuo no custo da mão de obra e nos transportes vai igualmente conduzir a custos de produção mais altos. Depois de um curto período de alívio, as pressões do câmbio monetário surpreenderam uma vez mais, desde que o dólar americano se fortaleceu a partir de fevereiro. Embora ainda esteja abaixo do pico de dezembro de 2016, um dólar com um valor mais forte conduz a um aumento dos custos para os não-subsidiários dos EUA, porque o vestuário é maioritariamente pago com o dólar americano.

Os analistas da Moody’s acreditam na continuação da consolidação da indústria com mais fusões e aquisições previstas para os próximos 12 a 18 meses, à medida que as empresas procuram alternativas para impulsionar o crescimento da receita e do lucro. Medidas que vão incluir a expansão das categorias de produto, o aumento do alcance geográfico ou o investimento em novas tecnologias, para fomentar áreas como o comércio eletrónico ou a análise de dados.

Taxas podem enfraquecer estimativas

Um dos principais fatores que pode afetar a estimativa de crescimento mundial para a parte final do período de 12 a 18 meses é a possibilidade de imposição de mais taxas nas importações da China. «O aumento do valor das taxas pode conduzir ao incremento de custos para as empresas de vestuário e, por extensão, tornar-se um entrave nos gastos do consumidor. Até ao momento, o vestuário e o calçado foram largamente excluídos da lista de produtos chineses importados que se depararam com aumentos nos impostos. Tal dever-se-á, provavelmente, ao facto de estes produtos já estarem entre as importações com maiores valores no plano geral de importações dos EUA. Apesar de a lista incluir alguns acessórios de moda, como malas ou luvas de couro, algodão, fios, tecidos e peles, estes já são tidos em conta na atual previsão de crescimento», refere a Moody’s.

Segundo a American Apparel & Footwear Association (AAFA), as importações de produtos como vestuário, calçado, produtos para o lar, acessórios de moda ou artigos de viagem estão sujeitos as taxas médias entre 10,8% até 14,2%, enquanto, na média, os produtos importados dos EUA tendem a ter taxas com valores inferiores a 1,4%.

Se futuros aumentos nos impostos incluírem importações americanas de vestuário e calçado fabricados na China, as empresas vão provavelmente sentir pressões na margem bruta, durante 12 a 24 meses, pois demorarão algum tempo a proceder a um ajuste das operações para fora da China e, igualmente, a ajustar os custos. Enquanto que a maioria das empresas tem a capacidade de subir os preços para compensar o aumento dos custos, tal pode revelar-se um desafio porque os consumidores norte-americanos podem não estar dispostos a pagar preços mais elevados pelos produtos.