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Tearfil aposta na flexibilidade

A fiação do grupo MoreTextile está a realizar um investimento de quase 4 milhões de euros para renovar o parque de máquinas, não para aumentar a produção mas para melhorar a sua flexibilidade, revela o CEO Artur Soutinho. A empresa está também a lançar novos produtos, como o fio Eco Heather.

O programa de renovação de equipamentos da Tearfil está concentrado na produção, nomeadamente nos contínuos de anéis e bobinadeiras. «De 2017 a 2020 será efetuado o investimento de 3,8 milhões de euros na Tearfil», afirma Artur Soutinho ao Jornal Têxtil, num artigo publicado na edição de fevereiro. A preparação foi a primeira área a ser renovada, com a fiação em si própria a dever seguir-se nos planos de investimento. «Não procuramos aumentos de capacidade, procuramos é flexibilidade de produção, qualidade e eficiência», destaca o CEO do grupo MoreTextile.

Com uma capacidade produtiva a rondar as 400 toneladas de fio por mês, em processos de contínuo de anel e open end, o negócio da Tearfil, que emprega 207 pessoas, divide-se entre a produção para servir as necessidades internas do grupo MoreTextile e as vendas a terceiros. «Menos de 10% da produção é para vendas dentro do grupo», revela Artur Soutinho. «O que temos feito nos últimos anos, aproveitando toda a tecnologia e inovação, é procurar trazer para o negócio dos têxteis-lar algumas inovações de fios que são usados nas malhas, no vestuário e na roupa técnica», explica.

Recentemente, e a pensar no mercado dos têxteis-lar, a empresa lançou o Eco Heather, um novo fio obtido a partir da reutilização de fibras da fiação, mas que graças ao know-how integrado, «ganha uma estabilidade e uma qualidade que rivaliza na prática, muitas vezes, com fibras virgens», aponta o CEO. Este novo desenvolvimento deu origem à marca epónima e está a ser aplicado em produtos como flanelas e toalhas.

O sucesso do negócio dos fios, que em 2016 registou um volume de vendas de cerca de 15,8 milhões de euros, reside, acredita o CEO, no know-how do grupo, em conjugação com a criação de duas coleções anuais de fios e o foco em inovações técnicas e, mais recentemente, em produtos sustentáveis. «Fomos das primeiras fiações na Europa a ter uma série de certificações que para nós são importantes, como seja o fair trade, o GOTS, os fios orgânicos, o BCI, para além de sermos uma fiação certificada pelo GRS», reconhece Artur Soutinho, adiantando que, «pela primeira vez, em 2016, sentimos um verdadeiro interesse dos clientes por produtos certificados e sustentáveis».

Apesar do ano passado ter sido «mais difícil do que 2015», provocado, em parte, pelo mercado interno, o CEO do grupo MoreTextile considera que «a Tearfil tem uma marca muito forte e reagiu aumentando as vendas para fora». As exportações cresceram 11% face ao ano anterior, representando atualmente 15% das vendas. «Há um imenso mercado internacional para os fios da Tearfil», admite Artur Soutinho ao Jornal Têxtil.