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Tecidos antivírus, um nicho de mercado?

Empresas de várias partes do mundo passaram a quarentena a desenvolver tecnologias têxteis que repelem e destroem vírus. A aplicação no vestuário quotidiano poderá revolucionar o sector no curto prazo.

Albini

As crises podem também representar oportunidades e são muitas vezes a ocasião para o surgimento de novos nichos de mercado, como é o caso dos artigos antibacterianos e, nalguns casos, antivirais.

Em Itália, a Albini desenvolveu os tecidos ViroFormula, que registaram bons resultados em testes com vírus com uma morfologia similar à do novo coronavírus, com a destruição dos mesmos pouco tempo depois do contacto.

«O meu fato poder ser antirrugas e proteger-me dos vírus é algo a ter em conta», afirmou o CEO da Albini, Fabio Tamburini.

Na Índia, a Grado encontra-se a trabalhar em algo semelhante. A empresa, especialista em têxteis antibacterianos, está a aplicar a tecnologia Neo Tech para produzir tecidos antivírus, que inibem o crescimento e retenção de microrganismos. A tecnologia foi já certificada pelos laboratórios Biotech.

«Os tecidos Grado Neo Tech foram certificados como sendo seguros para usar em qualquer tipo de peça de vestuário – fatos, casacos, calças. Estes tecidos retêm as suas propriedades até 50 lavagens e são adequados para utilização diária. Atualmente, estamos equipados para responder a grandes encomendas e devemos lançar esta tecnologia no mercado nos próximos dias», revelou a empresa em comunicado enviado no final de abril, acrescentando que «estes tecidos foram bem recebidos por múltiplas indústrias», nomeadamente hotelaria, hospitalar, aviação e fornecedores de uniformes.

Eficaz em Covid-19?

O problema desta nova oferta, segundo escreve o El País, prende-se com o facto destas e doutras empresas com produtos semelhantes não terem podido fazer testes com o novo coronavírus, mas apenas com microrganismos semelhantes. O vírus é também ainda uma incógnita, não se sabendo quanto tempo permanece nos tecidos e se os químicos utilizados para o repelir atuam da mesma forma que noutros vírus da mesma família.

Contudo, nos últimos cinco anos, a tecnologia têxtil avançou bastante, com produtos antirrugas, antimanchas e repelentes de bactérias, entre outros, a chegarem ao mercado. Agora o Covid-19 abre uma nova oportunidade de investigação e negócio num mercado – o dos têxteis repelentes – que se estima poder ultrapassar os 20,5 mil milhões de euros em 2026.

«Empresas como a Google e a Amazon estão já a investir na saúde e a procura de produtos antimicrobianos crescerá de forma exponencial», afirma, no seu website, a Life Science Intelligent, especialista em informação de mercado sobre tecnologia médica.

Espanhóis investem

Em Espanha, há alguns exemplos de apostas nesta área. A EGEA, uma empresa de têxteis de decoração, está a desenvolver um material repelente para o sector da hotelaria.

Já a Sepiia, uma empresa de camisas “inteligentes”, com tecnologias antiodores, antirrugas, antinódoas e antibacterianas, lançou-se num projeto análogo. «Desde que começou a pandemia centramos o foco das nossas investigações em conseguir tecidos com atividade antivírica para inativar o SARS-CoV-2 e começámos a colaborar com o CSIC [Consejo Superior de Investigaciones Científicas] num projeto liderado por Paula Bosch para conseguir este tipo de efeito nos nossos tecidos. Acreditamos que este género de tecnologia vai ter muita procura e queremos poder oferecer soluções aos nossos clientes, tanto para uso pessoal como profissional», resume o CEO Federico Sainz, em declarações à revista S Moda, do El País.