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Tecnitex promove transferência de know-how nos TT para as empresas

O Departamento de Engenharia Têxtil (DET) da Universidade do Minho e a TecMinho acabam de celebrar uma parceria para a criação de uma unidade de prototipagem de materiais fibrosos: a Tecnitex. Esta parceira conta com o apoio do IAPMEI, que se comprometeu a financiar esta unidade durante o seu período de incubação (12 meses), nomeadamente nas medidas de promoção e divulgação dos seus serviços. Segundo Raul Fangueiro, um dos mentores científicos da Tecnitex, «esta unidade está concebida segundo a filosofia de projecto – desenvolvimento – ensaio, utilizando-se em cada uma destas áreas uma tecnologia avançada». Com efeito, a Tecnitex vem preencher uma importante lacuna existente na área dos têxteis técnicos (TT) nacionais como unidade dinamizadora das empresas que pretendem implementar-se nesta área, possibilitando assim a transferência de conhecimentos e competências para a indústria. Ao mesmo tempo, esta unidade está vocacionada para detectar e promover importantes nichos de produtos e mercados na área dos TT. Vários são os factores que levam a acreditar que a indústria têxtil nacional, graças aos têxteis técnicos, poderá conhecer um crescimento importante, pois trata-se de produtos com maior valor acrescentado. No entanto, o desenvolvimento nesta área exige recursos tecnológicos e humanos muito mais performantes do que os existentes actualmente na ITV. Por consequência, é impensável praticar tais investimentos sem assegurar previamente um certo retorno. E é aí que a Tecnitex vai desempenhar um importante papel. «A reconversão das empresas que operam no sector têxtil tradicional em empresas com capacidade para projectarem e desenvolverem têxteis de aplicações técnicas exige algo mais que capacidades tecnológica e de operação de equipamentos. Exige uma aposta muito forte na concepção e projecto», explica Raul Fangueiro, «a missão da Tecnitex é então apoiar o processo de transição de uma indústria têxtil portuguesa meramente produtora de artigos pensados e comercializados por outros para uma indústria capaz de conceber, produzir e comercializar os seus próprios produtos em domínios com elevado valor acrescentado e que representam uma mais valia importante para o seu desenvolvimento sustentado». Nos últimos 10 anos, as unidades de I&D do DET da Universidade do Minho têm levado a cabo projectos na área dos TT, cujo valor é já conhecido e reconhecido por especialistas internacionais desta área. Agora chegou o momento de partilhar esse know-how com a indústria têxtil, facilitando e activando assim a sua incursão no mercado dos têxteis técnicos. Além do mais a Tecnitex, tendo em conta os parceiros envolvidos, tem o privilégio de poder dispor actualmente de um sistema completo de CAD, de um conjunto de máquinas de produção, designadamente para a produção de malhas técnicas e não-tecidos, e de várias linhas de aparelhos de controlo da qualidade no valor total de cerca de 2 milhões de euros. «Os domínios de actividade da Tecnitex são vastos, indo desde as tubagens e contentores em materiais compósitos até aos filtros em não-tecidos, passando inclusive pelos agrotêxteis», adianta ainda Raul Fangueiro, «várias são já as empresas interessadas em realizar projectos nestes domínios sob a égide da Tecnitex». E duas dessas empresas são precisamente a Vidropol e a Castros & Marques, que acabam de iniciar em parceria um projecto de grande envergadura, articulado pela Tecnitex. A Vidropol é uma empresa situada na Maia, com 129 trabalhadores e cujos principais produtos fabricados são caixas e armários de compressão, tubos e condutas, chapas de cobertura, tanques e silos. A Vidropol utiliza desde 1973 o processo de enrolamento filamentar para a produção em continuo de componentes compósitos termoendurecíveis para aplicação a uma gama de produtos de tubagens, reservatórios (estáticos, móveis, verticais, horizontais, subterrâneos), equipamento de processo, etc, área onde se vai concentrar o projecto. A Vidropol promoverá assim a transferência sistemática e organizada de conhecimentos, de forma a articular a experiência no fabrico com as aproximações de base teórica e experimental de investigação. Por seu lado, a Castros & Marques é uma empresa vimaranense, que emprega cerca de 50 pessoas e produz têxteis-lar, mas que nos últimos anos decidiu inteligentemente apostar nas malhas técnicas. A empresa Castros & Marques participará na gestão do projecto através da sua participação na comissão directiva do mesmo, onde serão tomadas as principais decisões referentes ao desenvolvimento do projecto, quer a nível financeiro quer ao nível técnico-científico. Por outro lado, ao nível técnico-científico, verificar-se-á uma articulação efectiva entre a empresa e a Tecnitex no sentido de se promovar a transferência sistemática de conhecimentos de forma a conjugar a experiência no fabrico de estruturas têxteis, proporcionado pela Castros & Marques, com a larga experiência na aproximação teórica e experimental proporcionada pela Tecnitex. O Jornal Têxtil procurou saber junto dos responsáveis destas duas empresas quais as razões e ambições do projecto que empreenderam com a Tecnitex. «A Vidropol está bastante satisfeita com esta parceria com a Tecnitex», revela Pedro Nunes, «e esta nova tecnologia a ser desenvolvida vai permitir-nos aumentar a nossa produtividade. Além disso, trata-se de uma tecnologia muito mais limpa». Com efeito, cada vez é mais importante garantir que as novas tecnologias a desenvolver sejam compatíveis com a legislação europeia de higiene e segurança no trabalho, nomeadamente, no que se refere à emissão de voláteis. O facto da nova tecnologia em estudo ser uma tecnologia em franco crescimento, capaz de contemplar os requisitos acima referidos, justifica plenamente o estudo e desenvolvimento proposto no projecto, com vista ao fabrico de juntas através dela. Isso, para além de permitir ganhos significativos de competitividade nos mercados tradicionais, garantirá o alargamento da aplicação destes tubos a novos mercados. Por seu lado, Sérgio Marques, gestor da Castros & Marques adianta que «se trata de um projecto de grande envergadura, com a duração de 2 anos, que visa a implementação de uma tecnologia avançada, que nos permitirá nomeadamente desenvolver préformas em fibra de vidro destinadas a tubagens». Na realidade, a empresa Castros & Marques pretende não ficar alheia a estes desenvolvimentos, reconhecendo que os têxteis técnicos representam uma óptima oportunidade de negócio. A empresa pretende assim colocar ao serviço do desenvolvimento de produtos para este sector todo o know-how adquirido na produção de materiais têxteis para aplicações convencionais. Por conseguinte, a empresa vê neste projecto a possibilidade de penetrar num mercado com grande potencial de crescimento, que pode proporcionar-lhe a obtenção de ganhos consideráveis. O projecto a realizar pela Tecnitex para estas duas empresas visa especificamente aplicar a tecnologia de produção de malhas de trama para o desenvolvimento de préformas de conexões de tubagem em fibra de vidro, aramida e carbono, impregnadas pela técnica RTM (resin transfer moulding). O desenvolvimento de moldes para impregnação pela técnica RTM constitui também uma fase importante deste projecto, assim como a utilização do método dos elementos finitos para a modelação das propriedades e a simulação do comportamento das conexões a desenvolver. Este projecto vai então permitir quer à Vidropol, quer à Castros & Marques, diversificar os seus mercados no domínio dos TT, inovar nos domínios de aplicação de materiais fibrosos produzidos com tecnologia têxtil convencional, eliminar as operações de corte e costura utilizadas anteriormente na produção de préformas, diminuir o consumo de material através da produção da estrutura de reforço com a geometria da peça a produzir, possibilitar a automatização do processo de injecção de resina e