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Tecnologia invade fitas

As produtoras de fitas e passamanarias estão mais tecnológicas e a adicionar valor aos artigos tradicionais. Artefita, Heliotextil, Idepa e MCS Textile Solutions mostraram em Frankfurt que há muito mais nos artigos que produzem do que aquilo que os olhos veem.

Miguel Pacheco e David Macário (Heliotextil)

Com presença na Techtextil desde 2005, a Artefita destacou nesta edição, além das fitas com fibras técnicas, as fitas com fios reciclados, fabricadas a partir de garrafas de plástico. «Podem ser aplicadas em quase todos os sectores, não vejo muitas limitações», afirmou o CEO Gonzaga Oliveira. «Se calhar, o sector automóvel nunca as vai querer usar, por razões de testes de performance que são necessários. Mas todos os outros sectores, desde sacos ao vestuário de trabalho e fitas de amarração de cargas podem usar reciclados», apontou.

Além dos clientes profissionais, como a norte-americana Walmart ou, em França, a empresa de serviços postais La Poste, a Artefita tem ainda um projeto acessível ao consumidor final, com cintas de malas personalizadas. «Trata-se de uma cinta para malas de viagem que tem um código de segurança com três dígitos e pode ter o nome da pessoa», explicou João Silva, diretor de marketing da empresa. «Está à venda na loja online. É uma experiência de personalização», sublinhou.

Na área profissional, onde a Artefita contabiliza mais de 300 clientes ativos distribuídos por cerca de 30 mercados, está em cima da mesa «um projeto ligado à área logística, para supermercados», adiantou Gonzaga Oliveira ao Jornal Têxtil.

Pedro Sá, João Silva, Gonzaga Oliveira, Pedro Magalhães, Paulo Sá e Abel Vieira (Artefita)

Cada vez mais tecnológica e empenhada na inovação, a Heliotextil destacou os seus sistemas de aquecimento ativo e transferes com eletrónica impressa, assim como fitas condutoras «desenhadas à medida» e plataformas para validação de marca e envolvimento com o consumidor, enumerou o diretor de inovação, David Macário.

O investimento surtiu efeito na Techtextil – onde a Heliotextil mostrou também transferes, fitas e elásticos para aplicações técnicas. «Foi, sem sombra de dúvida, o cartão de visita para o nosso stand. Os clientes estão muito interessados em tecnologias de aquecimento ativo e sensorização de vestuário e aplicações médicas», assegurou.

Valor acrescentado

A Idepa, por seu lado, exibiu as suas fitas em poliéster de alta tenacidade e fitas de polipropileno, mas realçou a produção de artigos com costura e corte, nomeadamente os arneses para cintos de cadeiras de bebé e capacetes. «Não sendo uma inovação, é um produto que estamos a desenvolver e a fabricar na empresa», justificou Nuno Almeida, coordenador de vendas da empresa. Produtos que acrescentam valor às fitas, tendo em conta os requisitos que têm de cumprir. No caso das cadeiras de bebé, tem a ver com «a resistência e a boa construção da fita, assim como a questão das costuras. São coisas mesmo muito técnicas, que dão fiabilidade e durabilidade à fita», garantiu.

Nuno Almeida (Idepa)

A oferta da Idepa, que exporta 50% da produção para mercados distintos, da Europa aos EUA, complementou-se ainda com as fitas de barreira – habituais em aeroportos, por exemplo. Para o futuro, a empresa vai focar-se em projetos na área das fibras e materiais sustentáveis. «Estamos a apostar nos poliésteres reciclados. Começamos a perceber para onde o mercado vai e como vamos conseguir aplicar isso no nosso sector», afiançou Nuno Almeida. Em desenvolvimento está já uma precinta em poliéster reciclado. «Gostávamos de chegar aos elásticos, acho que pode ser um dos próximos passos», admitiu.

Vítor Castro e Francisco Reis (MCS)

Com grande amplitude de produtos e de segmentos de mercado – embora o automóvel seja o mais significativo, com 35% do volume de negócios, que em 2018 rondou os 5 milhões de euros –, a MCS Textile Solutions apresentou artigos com resistência aos infravermelhos para a área militar, produtos de segurança para cintos e arneses, assim como artigos que «permitem aliar a eletrónica aos têxteis, criando condutividade num produto que é elástico», avançou o CEO, Vítor Castro.

A versatilidade da empresa, que na Techtextil acolheu sobretudo potenciais clientes «à procura de soluções», faz com que esteja envolvida em diversos projetos internacionais. «Em janeiro vamos fazer um lançamento mundial com uma marca, que não podemos divulgar, sobre uma aplicação completamente nova» indicou Vítor Castro. «E estamos envolvidos também em Israel com um projeto completamente novo na área das impressoras industriais», acrescentou.