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Tecnologia para superar desafios

A tecnologia tem um papel central na adaptação dos modelos de negócios para que a indústria da moda responda às necessidades dos consumidores, quer seja no design, no fit ou até na inovação de produto. Uma área onde a Lectra pode dar um contributo importante, como demonstrou no evento Fashion Forward, em Bordéus.

Segundo Edouard Macquin, vice-presidente executivo de vendas na Lectra, os negócios da moda têm de responder a quatro grandes tendências na próxima década se quiserem sobreviver e prosperar: rápidos desenvolvimentos tecnológicos, consumidores millennial, o conceito de indústria 4.0 (ou a quarta revolução industrial) e o papel em mudança da China na indústria mundial de vestuário. «A tecnologia tornou-se parte do nosso quotidiano, onde já não conseguimos viver sem smartphones. Mais do que nunca [a tecnologia] vai estar no centro da indústria da moda», afirmou aos participantes no mais recente Fashion Forward, o evento anual da Lectra, em Bordéus. «É, sobretudo, realidade virtual, realidade aumentada, compras online, a “nuvem”, análise de dados. Atualmente faz tudo parte da nossa realidade. Não temos alternativa, exceto estar presentes em tudo isso», acrescentou, citado pelo just-style.com.

E são os millennials (nascidos entre 1980 e 2000) quem está a usar mais estas tecnologias inovadoras – uma geração que Macquin considera que está «no comando» e representa 40% dos consumidores mundiais de retalho. A contradição, contudo, é que eles querem qualidade elevada, produtos sustentáveis, mas não estão dispostos a pagar por isso. Também não estão apenas ligados às compras online: querem a experiência total das lojas físicas às redes sociais, comércio social e telemóveis. «Este novo consumidor traz muitos desafios para a indústria da moda», referiu o vice-presidente executivo de vendas na Lectra. «Desde gerir de forma diferente a cadeia de aprovisionamento e os stocks até ter uma experiência de consumo distinta», apontou. Para responder a estas mudanças, sublinhou, é importante estar «ligado ao consumidor e estar muito ligado às redes sociais».

As empresas têm ainda de abraçar o conceito da indústria 4.0 – a tendência atual de automatização e troca de dados nas tecnologias de produção, que vão dar às empresas de vestuário a capacidade de antecipação, tanto na produção como no retalho. «Dá visibilidade e transparência a todos os atores na cadeia. Isso só é possível com tecnologia… e torna possível fazer com que os dados “falem”. Cria eficiência de performance, antecipação de custos, antecipação de tendências, tudo. Este é um dos grandes desafios nesta indústria – criar coisas que não eram possíveis antes», destacou Edouard Macquin.

A China deverá igualmente mudar o mundo da moda. O país dominou a indústria de produção nos últimos 25 anos e duplicou a sua economia na última década para se tornar não só líder nas exportações mas também um mercado de consumo em crescimento. Cada vez mais, os produtores chineses estão a investir em produção no estrangeiro. «Esta não é a China com que temos trabalhado nos últimos 20 anos. O que estamos a ver hoje é uma China com novos consumidores e novas formas de fazer negócio. É um mercado interno muito forte com pessoas que realmente estão dispostas a gastar o seu dinheiro na indústria da moda. Há fidelização às marcas e isso é muito importante», explicou Macquin.

Enfrentar os desafios

Embora estas tendências não sejam completamente novas, a forma como a indústria se adapta vai determinar o seu sucesso e a sua capacidade de ultrapassar os inevitáveis desafios. Françoise Replumaz, diretora de marketing sénior de moda na Lectra, apontou cinco desafios em particular: número crescente de unidades de stock; a velocidade a que uma marca tem de agir tanto em termos de colocar produto no mercado como na tomada de decisões; o fit de um artigo de vestuário; modelos de negócio em mudança para se adaptarem a novos consumidores; e controlo de custos. «O sucesso do negócio depende muito da forma como se responde a esses desafios», afirmou Replumaz. «Ao investir nos processos, é possível melhorar a experiência do consumidor», acrescentou.

O foco principal para a Lectra é assegurar que as empresas têxteis e de vestuário tenham a tecnologia e os processos de negócio certos para responder a estes desafios. A multinacional de origem francesa quer ajudar as marcas, os retalhistas e os produtores a adaptarem os seus modelos de negócio – seja a implementação de mudanças em relação ao design ou a inovação de produto – para responder a objetivos estratégicos.

Uma das empresas que implementou o Lectra Fashion PLM (gestão do ciclo de vida do produto) é a cadeia francesa de grandes armazéns Galeries Lafayette. A implementação do software permitiu que a retalhista melhorasse o fluxo de trabalho e a colaboração com a cadeia de aprovisionamento para otimizar o seu ciclo de desenvolvimento de produto (ver Galeries Lafayette escolhem Lectra).

De igual forma, a Lectra trabalhou com a marca F&F, da Tesco, para trazer a modelação para dentro de portas, ganhar controlo sobre o fit e melhorar a comunicação com os fornecedores localizados em 27 países. Com efeito, uma das principais razões para a perda de vendas para qualquer marca é um mau fit, aponta o just-style.com, e embora não haja uma forma expedita de resolver o problema, ter as medidas certas pode contribuir para poupar tempo e dinheiro e criar fidelização junto dos consumidores.

De acordo com Mark Charlton, vice-presidente de serviços técnicos do PVH Group, cerca de 90% dos consumidores não estão satisfeitos com o fit. «Estamos a passar de uma altura em que o produto é rei para o consumidor ser o rei», admitiu. «Estamos a mover-nos para um ambiente mais centrado no consumidor».

Charlton apontou várias tendências e desafios na indústria mundial que estão a tornar mais difícil ter o fit certo para o consumidor, incluindo a epidemia de obesidade na determinação dos tamanhos maiores e o aumento do comércio eletrónico, que resultou em que mais de 50% dos produtos comprados online sejam devolvidos. «Estamos também a mover-nos mais à volta do globo. Por isso, tentar ajustar a roupa a uma população diversa tornou-se de repente mais difícil, porque já não é uma questão regional», sublinhou.

Evolução da inovação

Mas não é apenas a indústria da moda que está a evoluir, o modelo de negócios da Lectra está também em mutação. A empresa investe todos os anos cerca de 9% do seu volume de negócios em I&D, desenvolvendo tecnologia para todas as fases do processo, do design à produção.

Recentemente, a Lectra atualizou a solução Modaris 2D/3D com novas características para acelerar a criação, a produção de amostras e facilitar o trabalho em equipa. E, no verão passado, apresentou a mais recente versão do seu PLM, que, afirma, permite aumentar a eficiência ao alargá-lo às fases de pré-produção (ver Lectra tem novo PLM).

Atualmente, a empresa está a trabalhar numa plataforma integrada – Cutting Room 4.0 – pensada para ligar todos os processos na sala de corte, da encomenda à entrega. Todos os sistemas, desde o ERP ao CRM, poderão ser ligados à plataforma. Uma solução descrita como «do princípio ao fim» por Frédéric Gaillard, diretor de marketing na área do corte. «O que queremos é tornar o processo de corte mais eficiente e isso vai ser conseguido através de uma sala de corte integrada e conectada», explicou. «Vamos automatizar mais a troca de informação e eliminar qualquer intervenção humana exterior. Vamos criar visibilidade e aumentar a flexibilidade, porque a produção é tão diversificada. Vai ser possível otimizar constantemente porque vai monitorizar a performance do equipamento, o software e todas as pessoas envolvidas no processo da sala de corte. E vai escalar para as necessidades do consumidor. Pode ser num local ou em múltiplos locais», referiu.

Gaillard anunciou que a Cutting Room 4.0 deverá ser lançada no próximo ano.