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Tecnologia vende moda

Alimentados pelo crescimento das vendas online das últimas tendências, os designers e marcas em Londres estão a encontrar novas formas para dar gratificação instantânea aos consumidores sedentos de moda, gerando elevadas expectativas de impulsionar o crescimento no sector. A retalhista britânica Topshop, cujo website atrai em média 4,5 milhões de visitas por semana, lançou uma nova “estreia” digital no passado domingo ao deixar que os consumidores comprassem seis artigos pronto-a-vestir da sua mais recente coleção, imediatamente após ter sido mostrada em desfile na Semana de Moda de Londres. «Como sabemos, toda a gente gasta o seu tempo livre em todas estas novas plataformas, gadgets, Instagram e Twitter», afirmou Philip Green, detentor da marca Topshop e do conglomerado de retalho Arcadia. «A rapidez com que as coisas chegam às pessoas é a chave do nosso negócio. As pessoas veem, usam, compram – tem a ver com isso… É estarmos cá, sermos os primeiros a comercializar, esse é o nosso trabalho», acrescentou. A coleção, que inclui vestidos às riscas coloridas, camisolas de ciclismo e vestidos em algodão, cetim e couro, foi transmitido online para todo o mundo e revelado exclusivamente nas redes sociais Instagram e Facebook. Será entregue aos consumidores de todo o mundo nos próximos dias. A iniciativa da Topshop é um exemplo de “estreias tecnológicas” que o British Fashion Council (BFC) espera promover como parte dos seus esforços para encorajar todos os seus designers a estarem online e a aumentarem as suas vendas internacionais. Depois de ter contratado o diretor de vendas da Google UK, Peter Fitzgerald, para ajudar os designers a compreenderem a importância da estratégia nos media sociais, o BFC indicou que viu o número de marcas com um website de comércio eletrónico aumentar para 43%, em comparação com 33% em 2013. «Estamos a mostrar aos designers que a Internet não tem mesmo fronteiras e muitos deles conseguem agora mais de metade das suas vendas fora do Reino Unido», explicou Fitzgerald. As vendas de vestuário online na Grã-Bretanha deverão atingir os 10,7 mil milhões de libras (8,3 mil milhões de euros) este ano, um aumento de 14,5% em termos anuais, segundo a empresa de pesquisa de mercado Mintel. Esta estação também viu a marca jovem House of Holland a juntar-se com a empresa de tecnologia de imagens 3D Metail para permitir aos consumidores experimentar e comprar roupas da coleção primavera-verão 2015 em tempo real através de um avatar digital. A marca de luxo Burberry fez uma parceria com o Twitter para vender o verniz de unhas que surgiu no seu desfile na passada segunda-feira, através de um botão “compre agora” que a rede social está atualmente a testar. A empresa britânica de 158 anos tem já um serviço feito-para-encomendar para os clientes depois de ter mostrado as suas últimas coleções. Esta é uma ação que muitos outros designers de Londres, conhecidos e emergentes, como Jasper Conran, Holly Fulton, Emilia Wickstead e Richard Nicoll, afirmam estar a considerar acrescentar ao seu negócio no futuro. Conran, que mostrou uma coleção de vestidos em algodão e seda estampados com pinceladas e designs abstratos, afirmou ter abraçado as opções que a tecnologia oferece para se ligar diretamente com os consumidores. «As pessoas podem ver este desfile, podem vê-lo em direto no website e isso começa a fazer mais sentido. A pessoa vê, quer, compra. Gosto da lógica envolvida», resumiu.