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Tecnologias antivírus multiplicam-se

A pandemia trouxe um interesse renovado em tecnologias capazes de manter à distância ou eliminar bactérias e vírus. Dos acabamentos para têxteis às soluções de higienização para vestuário, há diversas opções no mercado para ajudar a combater a Covid-19.

HeiQ Viroblock [©HeiQ AG]

A tecnologia Viroblock da HeiQ está já a ser usada pela Albini para produzir tecidos antivírus, mas só no início deste mês a especialista química suíça anunciou que a HeiQ Viroblock NPJ03 foi certificada como segura e sustentável, ao mesmo tempo que comprovadamente reduz 99,9% do vírus SARS-CoV-2, o vírus que causa Covid-19.

O tratamento, que usa uma combinação de tecnologia antimicrobiana à base de prata e uma tecnologia de vesículas, permite conferir propriedades antibacterianas aos têxteis, agindo para «rapidamente destruir» os vírus, incluindo coronavírus.

«A confirmação da atividade antiviral da HeiQ Viroblock contra o SARS-CoV-2 é um marco importante. Isto faz parte do nosso esforço em curso para ajudar a fornecer têxteis com maiores níveis de proteção contra vírus e contribuir para os esforços de mitigação da pandemia», sublinha Carlo Centonze, cofundador e CEO do HeiQ Group, ao just-style.com.

«Uma vez que a HeiQ Viroblock NPJ03 foi desenhada para usar em máscaras para melhorar a proteção contra vírus e bactérias, selecionamos apenas os ingredientes mais eficientes, seguros e sustentáveis», refere Carlo Centonze. «Além disso, estamos orgulhosos por a HeiQ Viroblock NPJ03 se qualificar como um produto renovável de base bio», acrescentou. O tratamento cumpre os regulamentos do Reach, da UE, e da FIFRA, dos EUA, e está certificado pelo Oeko-Tex e homologado pela Bluesign e a ZDHC.

Noble Biomaterials [©Noble Biomaterials]
A Noble Biomaterials, por seu lado, anunciou que o laboratório externo BioScience Laboratories atestou que a sua tecnologia X-Static pode reduzir a viabilidade do coronavírus nos têxteis, seis vezes mais rápido do que o tecido de controlo usado. Os testes foram efetuados com o coronavírus OC43, uma estirpe comum e resistente de coronavírus.

«A nossa missão sempre foi proteger, por isso estamos gratos por os nossos materiais testados em laboratório serem capazes de dar mais uma camada de proteção para os trabalhadores da área da saúde, pacientes e consumidores durante esta crise, quer os tecidos sejam usados para vestuário hospitalar e batas cirúrgicas, roupa de cama e cortinas de privacidade, ou para máscaras e vestuário para os consumidores», afirma Jeff Keane, CEO da especialista em soluções antimicrobianas, em comunicado.

Denim azul e protetor

No denim tem havido igualmente diversos avanços. A brasileira Santista Textil está a lançar um tecido com um novo tratamento contra o SARS-CoV-2 que será vendido em Portugal, assim como noutros mercados europeus e da América Latina. O tecido é tratado com uma solução desenvolvida pela empresa que usa prata e nanopartículas que permitem dissolver a membrana lipídica e inativar o vírus, explica Newton Coelho, diretor comercial da Santista, ao just-style.com.

O desenvolvimento foi feito em parceria com a Universidade de São Paulo e a Universidade de Campinas. O resultado, afirma Newton Coelho, tem limitações, já que os tratamentos habituais para desgastar o denim prejudicam a performance antivírica. «Foi testado para 30 ciclos de lavagem, mas se se começar a usar lavagens agressivas e cortes, não vai funcionar bem», reconhece o diretor comercial.

O tecido está a ser testado para a estirpe do vírus que provoca a Covid-19, mas a empresa está já a procurar fazer uma versão diferente para proteger contra futuros coronavírus ou doenças do foro respiratório.

Diesel [©Diesel]
A Santista vai ainda usar o novo tecido para fazer máscaras mais resistentes, cuja procura tem vindo a aumentar no Brasil.

A Diesel, por seu lado, fez uma parceria com a especialista sueca em controlo de odores Polygiene para um novo tratamento de denim que alegadamente elimina 99% da atividade viral.

A tecnologia consegue parar a atividade dos vírus no espaço de duas horas após o contacto entre os patógenos e o tecido, segundo as empresas, e mostrou ser eficaz em diversos vírus, incluindo o Covid-19. O tratamento tem uma duração igual à vida útil da peça de vestuário.

A ViralOff, que a Diesel pode usar exclusivamente em denim, será implementada em várias peças da coleção primavera-verão 2021, mas deverá ser alargada a mais produtos no futuro.

Desinfetar depois de usar

Já a especialista em acabamentos em denim Jeanologia desenvolveu o que afirma ser a única tecnologia de higienização no mercado certificada para eliminar os coronavírus dos têxteis, vestuário e calçado.

A Sanibox, como foi batizada, tem um nível de desinfeção de 98% e está certificada pelo CSIC – Consejo Superior de Investigaciones Científicas em Espanha. A solução consiste numa combinação de desumidificação com oxidação avançada e, indica a empresa espanhola, protege as cores, os materiais e o toque dos artigos e não usa água nem químicos, o que a torna sustentável.

«Lançámos um produto que vai contribuir para acelerar a recuperação e gerar confiança nos consumidores, a higienização e a sustentabilidade serão fulcrais para a recuperação da nossa indústria», acredita Enrique Silva, fundador da Jeanologia.

A solução está a ser aplicada numa gama de produtos para têxteis, vestuário, calçado e vestuário de trabalho, com diferentes aplicações, desde lojas – para desinfetar as peças de roupa após terem sido provadas ou devolvidas – a centros de distribuição, antes de serem enviadas para os pontos de venda ou consumidores.

Tonello [©Tonello]
O mesmo caminho seguiu a construtora de maquinaria para acabamentos Tonello, que desenvolveu uma gama de produtos para higienização de vestuário à base de ozono. «Este gás é letal para vários patógenos e para a maior parte dos vírus porque altera o seu ARN [ácido ribonucleico] e o seu ADN [ácido desoxirribonucleico] e, em concentrações elevadas, também afeta o capsídeo ou a capa proteica externa», explica a empresa no seu website.

A tecnologia da Tonello pode ser instalada em todas as máquinas de lavar e secar da empresa, graças à atualização do software que permite a conversão das tecnologias de ozono já usadas para o tratamento do denim para fazerem também a desinfeção, ou então através da aquisição de cabines especialmente desenhadas para a higienização.