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Teias de Lona: em nome próprio

Num percurso intersetado pelo passado e pelo futuro, o presente da Teias de Lona passa pela afirmação das coleções próprias de artigos de vestuário e decoração, assim como pelo desenrolar – com a ajuda dos salões internacionais – do mapa-múndi.

A história da Teias de Lona começou a ser contada em 2014, mas escrita no século passado. A produtora de telas de qualidade superior destinadas a vestuário e artigos de decoração herdou os antigos teares de lançadeira da Gomes Pinto.

«Adquirimos as máquinas e fomos buscar as pessoas da antiga fábrica – o afinador, o responsável da tecelagem, a menina que fazia as contexturas… Todos têm experiência nestes teares», explicou a sócia-gerente Isabel Ribeiro, num artigo publicado na edição de fevereiro do Jornal Têxtil (ver Os senhores dos anéis).

Respeitadora do legado, mas irreverente na ambição, lonas, panamás, sarjas, ponto de cetim, bem como xadrez e selvedge aplicados de uma forma inovadora em artigos de praia, decoração, têxteis-lar, bolsas, vestuário exterior e de trabalho, incluindo artigos estampados e com acabamentos glitter e à prova de água, fazem parte da oferta da Teias de Lona que, para ajudar a concretizar os desejos dos clientes, apostou inclusivamente na contratação de uma designer.

«Todos os dias tenho clientes novos», assegurou Isabel Ribeiro, em declarações ao Portugal Têxtil durante a Munich Fabric Start, apontando os mercados francês, inglês, espanhol, sueco, finlandês e, mais recentemente, alemão, como destinos de exportação da Teias de Lona.

«Em 2016, a quota de exportação direta rondou os 63%», revelou a sócia-gerente, sublinhando que, no mercado interno, muitos dos clientes foram recuperados à antiga empresa.

Primeira vez em Munique

Para incrementar a presença além-fronteiras, a Teias de Lona tem respondido às convocatórias das feiras internacionais em Londres e Paris e, no início de setembro, estreou-se em Munique.

«Foi a nossa primeira vez. Já temos clientes na Alemanha e eles começaram a aparecer logo no primeiro dia. Depois, tivemos muitas coisas nos fóruns de tendências e tivemos bastantes visitas», avaliou sobre a Munich Fabric Start, adicionando a República Checa, Itália e a Dinamarca à lista dos países de origem dos visitantes.

Com um efetivo de oito pessoas e uma capacidade produtiva de 100 mil metros mensais, a Teias de Lona está, atualmente, a preparar coleções próprias de vestuário e decoração que, «provavelmente», serão apresentadas na edição de fevereiro de 2018 da Première Vision Paris. «Não participámos nesta edição de setembro porque estamos a desenvolver as coleções», justificou Isabel Ribeiro sobre a ausência no salão parisiense que fechou portas ontem.

«Estamos agora a fazer uma nova coleção dentro da decoração, para estofos, cortinas, cozinha, combinados entre riscas, estampados, fios tintos. Contratámos também um serviço para uma coleção de vestuário, mas mais dentro do vintage», adiantou, esclarecendo que se trata de uma resposta à procura dos consumidores. «Há muita procura de tecidos mais grossos, diferentes, mais excêntricos», asseverou.

No ano passado, a Teias de Lona registou um volume de negócios de meio milhão de euros e, em 2017, apesar de o primeiro trimestre «não ter sido fácil», a meio do segundo trimestre «as encomendas começaram a recuperar» e, por isso, as perspetivas para o ano são de crescimento. «Espero crescer em 2017, estou a trabalhar para isso e está-se a investir para isso», admitiu a sócia-gerente da Teias de Lona ao Portugal Têxtil.