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Temasa abre as portas ao exterior

Com mais de 30 anos experiência, a única fábrica têxtil do grupo Sonae começou há pouco mais de um ano e meio a apostar na internacionalização. Depois de conquistar o mercado espanhol, italiano e inglês, a mira da Temasa está agora apontada para o outro lado do oceano.

Nuno Machado

Em 1985, quando iniciou o seu percurso na indústria têxtil, a Temasa dedicava-se ao vestuário para bebé. Contudo, rapidamente começou a alargar o seu público e a transpor as fronteiras da sua sede em Marco de Canaveses. Depois de integrar o grupo Sonae, procurou expandir para novos segmentos de mercado, que incluem criança e teenager e, mais tarde, adulto, «com a consequente necessidade de um acompanhamento contínuo da Moda e das tendências dos mercados trabalhados», refere a sua plataforma online.

Recentemente, a empresa investiu na internacionalização, onde os mercados que mais se evidenciam são Espanha, Itália e Reino Unido. «Estamos há pouco tempo nesta conquista de mercados novos – um ano, um ano e pouco – e está a ser muito positivo comparativamente a outras empresas que conhecemos ou outras áreas», revela Nuno Machado, diretor da empresa. Tendo em conta que a «área de bebé e criança é muito específica, tanto a nível de moldes, materiais e tecidos», a Temasa tem vindo «a conquistar mercados e clientes, com preços competitivos obviamente, inovação, garantia, qualidade e certificação», explica ao Portugal Têxtil.

Neste sentido, a empresa já consegue faturar uma média de sete milhões de euros por ano, com uma taxa de exportação que ronda os 25%. Os resultados têm vindo a despertar a ambição da Temasa em investir no mercado americano, porque «está há algum tempo com previsão de crescimento» justifica Nuno Machado e apresenta «uma dimensão significativamente interessante», corrobora Daniela Carvalho, gestora comercial da empresa.

Seguir a procura sustentável

Para a estação outono-inverno 2019/2020, a Temasa propõe uma coleção onde se destacam os materiais orgânicos, «transversal a todas as procuras que temos vindo a sentir», assegura o diretor. A estratégia da empresa baseia-se em «seguir o caminho que os clientes seguem» e, neste momento, isso significa «usar mais reciclados, pensar numa perspetiva de diminuição de quantidades, porque há um trabalho todo que pode ficar em stock», para não entrar «no ciclo de reciclagem ou no ciclo de destruição», esclarece Nuno Machado.

Daniela Carvalho

Esta coleção dirige-se essencialmente a «clientes que sabem o que querem», nas palavras do diretor, e «já com alguma maturidade», completa Daniela Carvalho.

No sentido de potenciar o crescimento da empresa e melhorar os resultados da comercialização da coleção, a Temasa tem vindo a apostar fortemente em feiras. Tendo-se estreado na Première Vision Paris em setembro de 2019, Daniela Carvalho clarifica que «já é a terceira feira que estamos a fazer num ano», contando mais uma com a participação na MODtissimo, no mês seguinte. «É essa a parte de investimento comercial que temos feito com mais relevância», apoia Nuno Machado.

Crescer pela diferença

Tal como a grande maioria das empresas no sector da indústria têxtil e do vestuário, a Temasa parece ter sofrido uma desaceleração do crescimento este ano. Nuno Machado argumenta que a evolução da produtora no ano passado «foi muito grande», mas agora «estamos a descer» e, em 2019, «já estamos garantidamente a faturar menos que 2018».

O diretor acredita que a instabilidade climática está na origem desta diminuição de resultados, já que «nenhuma marca hoje em dia consegue trabalhar estações como deve ser, porque em dezembro chegamos quase a estar na praia e, na altura de praia, chegamos a acender a lareira. Portanto há aqui um misto de contradição em termos do que se põe nas lojas».

Por outro lado, a concorrência da Turquia também se tem refletido nas vendas da empresa. «O câmbio da lira turca está 40% mais baixo do que há meia dúzia de anos atrás», para além de que o país atravessa uma fase de estabilidade política, sustenta Nuno Machado, o que a torna uma concorrente «muito forte», acrescenta Daniela Carvalho.

A Temasa recorre a uma mão-de-obra de 80 trabalhadores, que se distribuem por todas as fases do processo produtivo, à exceção da «estamparia e bordados. De resto fazemos tudo», garante o diretor. Nuno Machado prevê que, nos próximos anos, o «crescimento maior vai ser em termos internos», isto é, «dentro do staff que temos, vamos crescer no que diz respeito à diferenciação: lidar com clientes diferentes, artigos diferentes, patologias diferentes». O diretor assume que este é «um grande passo interno», porque «é extremamente difícil mudar as mentalidades». Contudo, «à medida que a fábrica vai mudando o perfil, as pessoas adaptam-se», conclui.