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«Temos uma tabela muito grande de serviços que podemos fazer a preços competitivos»

À frente do Departamento de Engenharia Têxtil da Universidade do Minho há cerca de um ano, Helder Carvalho está empenhado em reforçar os laços com a indústria, nomeadamente com a prestação de serviços, capitalizando o know-how e as tecnologias de que dispõe.

Helder Carvalho

Depois de um primeiro ano em que a prioridade foi a gestão corrente e o equilíbrio das contas do departamento, as motivações para o segundo ano do mandato do atual diretor do Departamento de Engenharia Têxtil são atrair mais alunos para a formação nesta área, mas também garantir uma maior interação com a indústria têxtil e vestuário (ITV), quer através dos protocolos para estágios, quer através de serviços laboratoriais e de peritagem. Para o futuro, Helder Carvalho equaciona ainda a criação de um conselho consultivo com representantes da ITV para alinhar necessidades e expectativas.

É diretor do Departamento de Engenharia Têxtil sensivelmente há um ano. Com que espírito assumiu essa função?

O departamento estava muito bem entregue ao anterior diretor, António Pedro Souto. Ele tinha muitas ideias de coisas para implementar, mas, infelizmente, não teve tempo [faleceu no final de 2020]. Eu era o diretor-adjunto e quando ele desapareceu, não havia candidatos a professores associados. Teve de se abrir a candidatura a professores auxiliares e como eu já estava minimamente imbuído na função, também por consideração ao meu colega falecido, que me tinha escolhido como adjunto, decidi agarrar a direção do departamento. A primeira preocupação foi situar-me e enquadrar-me nas tarefas, saber o que fazer e aprender a gerir o departamento. E estabilizar também a nível financeiro, selecionar bem quais é que são os materiais, as necessidades e as manutenções que se fazem, mediante o orçamento disponível. Houve uma fase de adaptação. Talvez agora, no segundo ano, consiga pensar um bocadinho para além disso. Mas a minha primeira preocupação foi a gestão corrente do departamento. E, para já, está a correr bem.

Quais são os principais desafios agora?

O nosso maior desafio é cativar alunos para os nossos cursos. Nos cursos de design temos sempre a lotação esgotada, digamos assim. No curso de engenharia têxtil, varia de ano para ano. Tem melhorado. Espero que o investimento que foi feito recentemente na reestruturação do curso, de alguma forma, seja recompensado com um número de alunos constante e maior, porque acho que a indústria merece e nós fazemos tudo para termos aqui alunos e para lhes proporcionar a formação adequada para aquilo que eles precisam. Outro dos desafios deste departamento será sempre torná-lo cada vez mais visível, na medida do possível ter uma interação com a indústria que permita vantagens para ambas as partes. E o desafio final, que é sempre o mesmo, é o orçamento, porque temos muitos equipamentos que precisam de manutenção e temos necessidades de consumíveis – e o orçamento do departamento é bastante limitado. Temos alguns serviços com os quais conseguimos arrecadar alguma receita e temos uma dotação dada pela Escola de Engenharia, mas, geralmente, temos algumas dificuldades para fazer face às despesas todas.

Que soluções tem procurado para mitigar essa escassez de recursos?

Felizmente somos procurados por algumas empresas externas para fazer ensaios e, mesmo a nível de processos em tribunal, somos procurados como peritos e como laboratório para ensaiar materiais e, com isso, temos arrecadado alguma receita. Outra receita que arrecadámos era com AFTEBI – Associação para a Formação Tecnológica e Profissional da Beira Interior, onde temos feito coordenação de cursos e também alguma formação. Mas esse protocolo vai terminar agora, portanto, por aí, já não vamos conseguir arrecadar mais receita. Também temos alguma ajuda do Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil (2C2T) – a maior parte dos equipamentos são utilizados também na investigação e, portanto, quando há necessidade de reparações, eles, que têm, à partida, um orçamento mais folgado, têm dado alguma ajuda na manutenção desses equipamentos.

Quais vão ser as prioridades para este segundo ano de mandato?

Tenho, sobretudo, de fazer a gestão corrente do departamento e dar reposta a todas as necessidades que surgem dos laboratórios e de equipamentos. Tem de se tentar equilibrar o orçamento e procurar financiamento por outras formas, como a prestação de serviços. Aos poucos vamos falando com algumas associações que querem estabelecer protocolos connosco como, por exemplo, o Modatex – ainda há pouco tempo estivemos a conversar sobre uma possível colaboração. Há outras ideias, mas está tudo ainda muito cru.

Mas o que é que gostaria que acontecesse neste próximo ano?

Uma das primeiras coisas que vamos ter de fazer é estabelecer protocolos com a indústria a nível dos estágios industriais, porque o curso de engenharia têxtil agora tem uma componente de estágio. Sempre houve a possibilidade de as dissertações de mestrado serem feitas em empresa, mas agora vai haver necessidade, por causa de uma unidade curricular de estágio, de se estabelecerem protocolos com empresas que possam receber os estagiários. Nessa altura, gostávamos de conversar também sobre outros tipos de colaboração e oferecer os nossos serviços a essas empresas.

Quais são os vossos pontos fortes em termos de serviços?

Temos uma tabela muito grande de serviços que podemos fazer a preços competitivos, tanto na área da física têxtil, como na área da química têxtil. Há um conjunto de serviços, de ensaios laboratoriais, principalmente, e peritagens, eventualmente, que poderemos oferecer aos industriais, que podem assim aproveitar essa colaboração connosco.

Que outras soluções equaciona explorar num futuro próximo?

Gostaria de colocar a funcionar uma espécie de conselho consultivo em que pudéssemos ter, periodicamente, reuniões com representantes da indústria, de associações industriais, e discutir aspetos relacionados com o ensino, com os serviços que podemos aqui prestar. É uma das coisas que está no horizonte, fazer esse convite, mas ainda não surgiu.