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Tendências sem prazo na Vilartex

A produtora de malhas tem vindo a reforçar a coleção com a introdução de novas matérias-primas e de conceitos com maior sustentabilidade, criando propostas transversais ao tempo e ao espaço e sem prazo de validade.

Carmen Pinto e Manuel Ribeiro

A ideia de que «o verde é o novo preto» é já familiar à Vilartex, que desde há dois anos tem apostado na sustentabilidade da sua coleção, tanto ao nível das matérias-primas como da sua conceção. «Não temos exatamente um tema específico em termos de tendências, porque as nossas coleções têm sempre a necessidade de se tornarem intemporais, cada vez mais por uma questão de sustentabilidade e, ao mesmo tempo, pela própria tendência de moda neste momento», explica Manuel Ribeiro, designer responsável pelo desenvolvimento de produto da empresa. «As nossas coleções vão crescendo ao longo do tempo», revela ao Jornal Têxtil.

O foco está, sobretudo, colocado nas fibras, com novas entradas ou reforços a cada coleção. «Estamos sempre muito atentos ao mercado e em contacto com os fornecedores para termos coisas novas. Alguns fios pedimos para serem desenvolvidos, porque não existem no mercado», garante Manuel Ribeiro, dando como exemplo um 100% poliéster reciclado mas com aspeto de linho que foi incorporado na coleção da primavera-verão 2021.

Sustentabilidade em mente

Para o outono-inverno 2021/2022, misturas liocel/algodão reciclado, seda/viscose, caxemira/micromodal e alpaca/algodão orgânico são alguns dos destaques, assim como as malhas polares, onde o poliéster tradicional foi substituído pela versão reciclada. «Para nós, a pegada ecológica é algo extremamente importante. O nosso futuro e dos nossos filhos está agora a ser decidido e daí, tudo o que criamos de novo, tentamos sempre, dentro do possível, que tenha um menor impacto possível, com as coleções o mais verdes possíveis», justifica.

Este tipo de informação faz parte do serviço agregado à coleção. «Não basta só dizer que o poliéster é reciclado ou ecológico. Temos sempre o cuidado de colocar as razões pelas quais aquele produto é mais sustentável, para os clientes perceberem o que estamos a apresentar», afirma a administradora Carmen Pinto ao Jornal Têxtil. «Não nos preocupa unicamente apresentar coisas muito giras ou diferentes. Para nós é importante que o cliente tenha as melhores condições possíveis para as poder receber e conseguir apresentá-las, daí a preocupação extrema que temos em relação à divulgação das características das malhas, das fibras e de como é que elas funcionam na realidade. Criamos etiquetas para cada um dos temas e essas etiquetas estão disponíveis sempre para qualquer um dos clientes que queira utilizá-las dentro das próprias coleções», indica Manuel Ribeiro.

A própria paleta de cores é um elemento de comunicação nas propostas da Vilartex. «Trabalhamos as cores por fibra, de maneira a que a pessoa chegue e consiga, pela cor, identificar imediatamente a fibra. Por exemplo, os nossos liocel têm uma paleta de cor específica e qualquer liocel que a gente crie vai estar dentro daquela paleta. Não obrigatoriamente aquele tom, mas aquela paleta», esclarece o designer. Dessa forma, «é muito mais fácil para um agente nosso olhar para um cartaz e saber perfeitamente qual é a composição de base», aponta.

Antimicrobianos ganham força

Tal não significa que as tendências estejam fora das preocupações no desenvolvimento das malhas. «Sempre que lançamos fibras novas, lançamos conforme a paleta de tendências», sublinha Manuel Ribeiro, que confessa recorrer aos estudos de gabinetes de tendências como o WGSN para trabalhar as novas propostas.

A situação atual de pandemia teve pouca influência no desenvolvimento da coleção para o outono-inverno 2021/2022, até porque, como habitualmente, as propostas estavam já definidas há muito, desde abril do ano passado. «A única coisa que veio alterar basicamente foi o posicionamento em relação a determinado tipo de acabamentos, porque houve uma necessidade muito grande de antimicrobianos», que, embora já presentes, receberam «uma nova visibilidade», assegura o designer.

Quanto à procura, a Vilartex sente também o chamado agender a ganhar dinamismo. «A crise do Covid-19 veio alterar um pouco o conceito de moda, que neste momento está a ser mais pensado de uma forma unissexo. As marcas estão a lançar mais produtos unissexo – se é uma sweat com loose fit, não faz sentido ter uma para homem e outra para mulher – e isso está-se a notar na procura das próprias matérias-primas», adianta Manuel Ribeiro. «É um pouco fruto da situação que estamos a passar. Sabemos que as lojas estão com stock, não querem arriscar muito e é uma forma de estarem prevenidos para todas as situações. É tentar readaptar as coleções, nunca parando de ter produto para oferecer ao cliente, mas de uma forma diferente», resume Carmen Pinto.