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Texser e o «mercado fantástico» dos EUA

Em 2018, o mercado norte-americano foi o que mais cresceu para a produtora de tecidos para camisaria, depois de um investimento em feiras nos EUA, nomeadamente na Première Vision New York. E as flanelas foram o melhor cartão de visita da Texser por terras do Tio Sam.

2018 foi o ano dos EUA para a Texser. Segundo José António Ferreira, gestor de mercados externos da empresa de Serzedelo, o mercado norte-americano foi o que mais cresceu, este ano, na Texser, «exatamente porque começamos a investir nas feiras nos EUA, nomeadamente na Première Vision de Nova Iorque», explica ao Portugal Têxtil. «O mercado americano foi fantástico, fundamentalmente, para as nossas flanelas, mas não só», revela o responsável da Texser, empresa que já conta com 86 anos de atividade. «Tivemos uma grande recetividade em relação aos nossos produtos. Como todos os mercados, os EUA necessitaram de algum tempo para se afeiçoarem e nos conhecerem. Tivemos a sorte de encontrar dois ou três clientes que queriam o nosso produto, gostaram imenso e fizeram bons volumes de encomendas», afirma.

As flanelas portuguesas têm «muita fama», garante José António Ferreira. «Antigamente, a flanela era considerada um tecido pobre, porque era utilizada por trabalhadores, pescadores, etc… Neste momento, a nossa flanela portuguesa tem muita fama nos EUA. Ao longo do tempo temos vindo a aperfeiçoá-la, de forma a valorizar a peça», assegura.

Além de Nova Iorque, a Texser marca presença em feiras internacionais em Londres, Munique, Paris, Tóquio e Porto (ver Texser: saúde para dar e vender). Atualmente, os mercados espanhol e norte-americano são os principais motores de exportação direta da especialista em tecidos para camisaria 100% algodão, cuja quota ronda os 60%. «Depois, fragmentado, surge a Alemanha, a França, a Inglaterra e a Áustria, mas em menor escala. Espanha é um mercado muito interessante, porque é próximo, e, para além da Inditex para a qual toda a gente trabalha, temos outros clientes com muita potencialidade», adianta o gestor.

Na Europa, aponta José António Ferreira, há dois países com muita força: «o primeiro é Itália e, depois, Portugal como um fabricante credível. Apesar de não termos o nome de Itália, conseguimos responder eficazmente aos pedidos», sublinha.

Investir por um «melhor serviço»

Com uma capacidade produtiva de 150 mil metros mensais, a empresa com cerca de 70 trabalhadores está a «renovar o parque de máquinas, principalmente com teares mais rápidos e mais evoluídos tecnologicamente e maior rendimento», indica José António Ferreira. Nos últimos meses, foram adquiridos cinco teares. A Texser investiu, ainda, num novo armazém.

«Estamos a tentar dimensioná-lo. Há respostas que precisamos de ter. Os clientes são cada vez mais pequenos. As grandes empresas vão comprar na Ásia a preços muito mais baratos. Nós conseguimos ultrapassar essa fase e estamos a tentar adaptar-nos a esse rigor e a essa dimensão do mercado, que é fundamental hoje em dia», assume o gestor de mercados externos da Texser. Assim, no futuro, o objetivo é «evoluir para um melhor serviço. Cada vez mais, o mercado está fragmentado, ou seja, há muitos clientes a comprar menores quantidades. Queremos responder, independentemente da dimensão do cliente, sempre à base de um bom serviço, qualidade e de resposta eficaz», conclui.