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Têxteis com ciência e tecnologia

O carácter inovador de vários projetos mereceu a atenção, e distinção, do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, que abriu a sessão de trabalhos do último dia do iTechStyle Summit, marcado já por um novo recorde de inscritos, mais de 750 para os três dias.

Manuel Heitor

Ao terceiro dia do iTechStyle Summit’18, a cimeira organizada pelo Citeve em parceria com a Associação Selectiva Moda e com a coordenação científica da Universidade do Minho, a indústria têxtil mostrou que já tem muito de ciência e tecnologia, com projetos que abriram janelas sobre o futuro do sector.

E foi como que adivinhando o que estava para vir que o ministro da Ciência, Inovação e Ensino Superior, Manuel Heitor, tomou a palavra. «O têxtil é um sector e uma área do futuro e isso é criar emprego qualificado e dar confiança às futuras gerações», afirmou o governante. «Os têxteis do futuro passarão cada vez mais por experimentação. Foi isso que os cientistas trouxeram ao mundo, experimentar, errar e aprender a fazer melhor. É preciso formas de partilhar o risco e estamos a assistir a uma evolução do tipo de situações onde estas ideias se testam e experimentam», acrescentou.

O ministro defendeu também uma integração cada vez maior entre empresas, universidades e recursos humanos que trabalham no sector. Manuel Heitor admitiu ainda que «há uma obrigação social e económica de reduzir o impacto na produção de CO2. Será possível produzir têxteis com uma pegada ecológica mais reduzida». E não deixou de salientar que o investimento na indústria têxtil pode conduzir à criação de cerca de 25 mil empregos.

Guarda-sóis com HD

Um dia será possível estar deitado na areia, olhar para cima e ver um jogo de futebol no guarda-sol. Pelo menos é isso que pretende Vítor Carneiro, designer da Flexefelina, uma empresa com história neste segmento que, em consórcio com a Têxteis Penedo, o Citeve e o Centi (ver iParasol cria guarda-sóis 2.0), se prepara para lançar uma «nova geração de guarda-sóis«, com um mecanismo automático de abertura, fecho e mudança de direção, que recebe informações meteorológicas e com um tecido integrado que, num futuro próximo, poderá ter mensagens publicitárias ou mesmo canais de televisão HD.

Vítor Carneiro

Tudo isto, referiu o designer, será controlado por uma aplicação. «Introduzimos luz, colunas. Podemos carregar o telemóvel no guarda-sol, ligar o Spotify e pôr música. Podemos colocar publicidade e marketing no tecido», apontou Vítor Carneiro.

A incorporação de tecnologia nos têxteis foi o tema debatido durante toda a manhã da cimeira têxtil no Terminal de Leixões. Neste âmbito, a Coltec, em parceria com o Centi e o Citeve, tem em curso o projeto iTechcoat, cujo objetivo é desenvolver um revestimento inteligente usando a tecnologia hot melt. O primeiro resultado foi um protetor de colchão «que emite um alarme quando o utilizador está na mesma posição muito tempo», elucidou o diretor de I&D, Francisco Fernandes.

Já Christian Dalsgaard, CTO da dinamarquesa Ohmatex deu conta de um projeto para a Agência Espacial Europeia (ESA), para um produto que os astronautas possam vestir e que regista a ativação do músculo, mudança no volume da perna e movimento. «O teste para a estação especial permite-nos avaliar os efeitos do treino em terra e no espaço e perceber as alterações dos músculos porque não estão a ser usados», destacou.