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Têxteis criam simbiose homem-máquina

A revolução tecnológica tem impulsionado a evolução dos têxteis inteligentes. A mais recente descoberta poderá ser a resposta para criar vestuário limpo, fresco e elegante, que permita acender luzes e reproduzir músicas. Tudo isto com um método simples e barato para produção em massa.

Uma equipa de investigadores da Escola de Engenharia Industrial da Universidade de Purdue, nos EUA, desenvolveu um novo tecido que permite aos utilizadores controlar dispositivos eletrónicos através do vestuário. «É a primeira vez que existe uma técnica capaz de transformar peças ou têxteis já existentes em têxteis inteligentes com carregamento próprio, que contêm sensores, dispositivos de música ou sistemas de iluminação com recurso a bordados simples sem exigir processos de produção dispendiosos que exigem fases complexas ou equipamentos caros», revela Ramses Martinez, professor assistente da Escola de Engenharia Industrial e um dos quatro membros da equipa do projeto.

A nova tecnologia integra nanogeradores triboelétricos omnifóbicos, conhecidos por RF-TENGs, que recorrem a bordados simples e moléculas fluoradas para incorporar pequenos dispositivos eletrónicos e transformar qualquer peça de vestuário num «mecanismo para alimentar dispositivos», explica a universidade, em comunicado.

No fundo, este processo cria um sistema de geradores com carregamento próprio integrados no vestuário que se podem ligar a dispositivos externos, incluindo sensores que funcionam através do tato.

A inovação festeja o 150º aniversário da Universidade de Purdue, no âmbito da celebração Giant Leaps da instituição, que destaca os seus avanços globais nas áreas da inteligência artificial, saúde, aerospaço e sustentabilidade.

Resposta aos desafios

Durante o processo de investigação, a equipa identificou vários desafios enfrentados pelo vestuário moderno e inteligente, que incluem problemas associados à respirabilidade, lavagem e incompatibilidade com a produção em massa. O novo tecido inteligente não só responde a estas condicionantes, como também apresenta propriedades antibacterianas, resistência ao odor e às manchas e durabilidade, mesmo após lavagem. Tudo isto com base numa produção económica, que permite a comercialização massificada.

«Pela primeira vez, é possível produzir tecidos que conseguem proteger da chuva, manchas e bactérias enquanto armazenam energia, para que o utilizador possa alimentar a sua eletrónica», afirma Martinez.

O professor acredita que as peças produzidas com a tecnologia RF-TENGs podem representar um avanço crucial no «desenvolvimento de interfaces entre o homem e a máquina, passíveis de serem vestidas e lavadas muitos vezes numa máquina convencional sem aparente degradação».

A universidade procura agora parceiros para ajudar a testar e a comercializar a tecnologia em grande escala.

«Embora a moda tenha evoluído significativamente nos últimos séculos e facilmente adotado materiais de elevado desempenho, há poucos exemplos de vestuário no mercado que interagem com o utilizador», assegura Martinez. «Ter uma interface com uma máquina que estamos constantemente a vestir parece ser a abordagem mais conveniente para uma comunicação sem costuras com a máquina e a Internet das Coisas (loT)», acrescenta.