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Têxteis da Índia em alta – Parte 1

De acordo com um estudo publicado no siteJust-style.com, a Índia deverá posicionar-se nos próximos anos como o principal concorrente da China, como a mais dinâmica potência no mercado global dos têxteis e vestuário.

Neste sentido, o governo indiano impôs a si próprio a ambiciosa meta de mais do que triplicar as suas exportações de têxteis e vestuário nos próximos seis anos, embora existam também enormes oportunidades de negócio no mercado interno deste país.

Segundo o economista americano Gary Becker, laureado em 1992 com o Nobel, escreveu recentemente naBusiness Week, “muitos prevêem que a China será a potência economicamente dominante no século XXI, pelo menos na Ásia, mas eu acredito mais na Índia, uma grande nação que viu a sua economia começar a crescer fortemente há pouco mais de uma década, e que pode dar à China uma luta feroz pelo título do mais dinâmico país em vias de desenvolvimento”.

Na última edição daTex-Styles India Show, realizada em Nova Deli em Março passado, representantes dos Ministérios dos Têxteis e do Comércio e Indústria, reforçaram uma vez mais a intenção da Índia em fazer face à China, não apenas desenvolvendo os sectores dosoftware e tecnologia de ponta, mas também através de uma aposta clara no crescimento do sector dos têxteis e vestuário assente no trabalho intensivo.

Alias, este último constitui o maior sector, em termos de emprego industrial, assegurando aproximadamente 30 milhões de postos de trabalho e alimentando pelo menos 150 milhões de pessoas.

Falando em nome do Ministro dos Têxteis e do Ministro do Comércio e Indústria, o Secretário dos Têxteis Mohapatra e o Secretário do Comércio Dipak Chatterjee declararam que a Índia está determinada a obter um forte impacto no panorama global da ITV, e ambos defenderam a exequibilidade da meta de exportações determinada pelo ministro da indústria indiano.

Segundo estas projecções, as exportações de têxteis e vestuário da Índia deverão passar dos 13,5 mil milhões de dólares em 2003 (3,5% do comércio mundial do sector), para os 50 mil milhões de dólares em 2010 (8% do comércio mundial de têxteis), dos quais metade (25 mil milhões de dólares) serão assegurados pela indústria exportadora de vestuário.

O objectivo de mais do que triplicar as exportações actuais no espaço de seis anos é terrivelmente ambicioso.

Após a liberalização da economia Indiana em 1991, as exportações de têxteis e vestuário aumentaram de 5,07 mil milhões de dólares em 1991-92, para os 11,88 mil milhões de dólares, em 2002-03, o que apesar de ser um bom desempenho, se afigura modesto em comparação com a meta dos 50 mil milhões de dólares.

No entanto, há um conjunto de razões que sustentam estes objectivos traçados pelo governo indiano.

Assim, os responsáveis deste país parecem convencidos de que o fim do actual regime de quotas no comércio internacional de têxteis vai beneficiar mais a indústria indiana que a dos seus concorrentes.

A Índia possui as mesmas vantagens em comparação com a China, e mais algumas, na opinião dos responsáveis oficiais do país, a saber: mão-de-obra barata e trabalhadora e uma cadeia de produção (desde a matéria-prima ao produto final) de algodão, seda, lã e fibras manufacturadas bem estruturada, desenvolvida e completa.

Subodh Kumar, Comissário dos Têxteis da Índia, acredita que o seu país pode, de facto, “oferecer mais que a China, graças à estrutura diversificada da nossa indústria, que abarca desde a fiação manual até à maquinaria e técnicas mais sofisticadas, passando ainda pelas estreitas ligações deste sector às antigas tradições e hábitos culturais”.

Segundo este responsável, a enorme qualidade e diversidade dos grandes clientes internacionais da ITV indiana, como oHarrods,Laura Ashley,Au Printemps,Galeries Lafayette,Calvin Klein eBloomingdales, entre outros, é explicada pela extraordinária variedade de produtos que a Índia lhes pode oferecer.

Além disso, a Índia é, desde há muito, um membro regular da Organização Mundial de Comércio, enquanto a China só aderiu a esta estrutura em finais de 2001.

Ao mesmo tempo, vários grandes compradores internacionais, como aWal-Mart,JC Penney eTommy Hilfiger, anunciaram recentemente a intenção de aumentar consideravelmente as suas actividades na Índia.

Nos últimos anos, o governo indiano lançou várias iniciativas, destinadas a reforçar a força competitiva da indústria têxtil e do vestuário indiana.

Entre estas, destacam-se um programa de modernização industrial, no valor de 6 mil milhões de dólares, na sua maioria destinados ao aperfeiçoamento e actualização do sector da fiação, bem como uma redução nas taxas de importação, e a criação de parques empresariais eclusters sub-sectoriais.