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Têxteis da Lituânia com bons argumentos – Parte 1

No seguimento do que vem sendo habitual, o Portugal Têxtil reproduz mais uma análise à indústria têxtil e do vestuário num dos novos membros da União Europeia – a Lituânia – publicado no semanário francêsJournal du Textile.

Com 3,5 milhões de habitantes e um território de 65.300 km2 (mais do dobro da Bélgica), a Lituânia é o maior dos três estados bálticos que a partir de Maio próximo integrarão a União Europeia.

As três cidades mais importantes do país são a capital, Vilnius (542.000 habitantes), a cidade portuária Klaipéda (193.000 habitantes) e Kaunas, um importante centro têxtil que possui 379.000 habitantes.

A indústria têxtil e do vestuário constitui uma parte importante do tecido industrial na região báltica, mas é na Lituânia que este sector assume um peso preponderante na economia nacional, tanto pelo número de empresas (574 em 2002), como pelo número de trabalhadores (56.165) e pelo contributo para o PIB (8,3%) ou ainda pela percentagem de emprego industrial (27%).

Em 2002, a produção total do sector dos têxteis e vestuário atingiu os 965 milhões de euros, e se considerarmos a economia paralela que envolve esta indústria, o referido valor deve ser 25% mais elevado.

Sendo o mercado interno limitado, a ITV lituana está naturalmente muito virada para a exportação.

Após o desmembramento da União Soviética, anteriormente o seu principal mercado, a indústria têxtil da Lituânia virou-se para a União Europeia.

Com efeito, graças ao baixo nível dos salários praticados neste país do Báltico, a par da proximidade geográfica e da longa tradição no sector dos têxteis e vestuário, a Lituânia depressa se impôs como um dos maiores fornecedores da EU.

Em 1998, a União Europeia aboliu mesmo as quotas e os direitos aduaneiros sobre os produtos têxteis e vestuário oriundos deste antigo país da URSS.

Os têxteis e vestuário lituanos beneficiaram igualmente de um rápido processo de privatização, sendo actualmente a parte dos seus capitais ainda detida pelo Estado insignificante, bem como das políticas adoptadas tendo em vista a captação e fixação dos capitais estrangeiros para este sector industrial.

Entre os investidores estrangeiros presentes na Lituânia, país que constitui uma base para as actividades na região do Báltico e dos restantes países da antiga União Soviética, encontram-se importantes grupos têxteis ocidentais, como o francêsChargeurs, os italianos daMarzotto ou o grupoTolaram, de Singapura.

A indústria têxtil lituana produz anualmente 6.000 toneladas de fibras de linho, a par de 100 milhões de metros de tecidos, 50 milhões de peças de vestuário e 40 milhões de meias,collants e peças de roupa interior.

O segmento da fiação dispõe de 330.000 bobines, enquanto a tecelagem possui mais de 5.000 máquinas e a área da roupa interior conta com 6.400 máquinas de tricotar e máquinas automatizadas.

Quanto à indústria do vestuário, ela produz anualmente 2,3 milhões de camisas para homem, um milhão de casacos, 1,2 milhões de calças, um milhão de vestidos, 400.000 fatos de homem e 300.000 blusas de senhora.

Segundo a Latia, a associação lituana de têxteis e vestuário, a produção de casacos, calças e camisas tenderá a aumentar, ao mesmo tempo que o fabrico de fatos e vestidos deverá diminuir.

Em 2002, estas duas indústrias empregavam um total de 56.000 pessoas, das quais 22.260 nos têxteis e 33.900 no vestuário.

Cerca de 80% destes trabalhadores são mulheres, e as autoridades da Lituânia asseguram que elas são as mais qualificadas de toda a Europa.

Efectivamente, e segundo dados da Unesco, quase 50% dos lituanos entre os 30 e os 44 anos possui estudos superiores, face aos menos de 11% na Polónia, ou os 21% em média na Europa (ainda) dos quinze, por exemplo.

Prova do seu elevado nível cultural e científico, a Lituânia possui um Instituto Têxtil, onde trabalham 100 pessoas, das quais 50 são investigadores.

A área de especialização deste instituto é o sector dos têxteis de protecção, usados no fabrico do chamado vestuárioNBQ (nuclear, bacteriológico e químico), dispondo esta instituição de uma unidade de produção deste tipo de vestuário, que fornece a polícia e o exército dos três estados bálticos, e ainda as forças armadas de países como o Reino Unido, Alemanha e Singapura.