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Têxteis da Lituânia com bons argumentos – Parte 2

No que se refere aos custos salariais neste novo membro da União Europeia, eles são mais baixos na Lituânia do que na maioria dos países do Centro e Leste da Europa.

Assim, no início de 2003, o salário mensal mínimo de um trabalhador industrial situava-se, em média, nos 125 euros.

Segundo aLatia, o salário mensal bruto de um trabalhador da indústria têxtil cifrava-se nos 260 euros, em 2001.

Já no sector do vestuário, esse valor não ultrapassava, em média, os 204 euros, no mesmo ano, tendo crescido 18% em 2002, para os 241 euros mensais.

De acordo com dados doEurostat, o custo médio por hora do trabalho nos têxteis na Lituânia foi, em 2003, de 2,71 euros, ou seja, oito a dez vezes mais barato que nos países da União Europeia.

A mão-de-obra neste país é ainda relativamente pacífica, sendo que apenas 15% dos trabalhadores deste sector estão sindicalizados, e os problemas sociais são muito raros.

Mesmo assim, algumas empresas presentes neste país do Báltico têm preferido deslocalizar a sua produção de têxteis, como aconteceu com a empresa russaLada Baoutina, que transferiu a quase totalidade das encomendas entregues a diversos confeccionadores lituanos para o enclave russo, situado entre a Lituânia e a Polónia, e no qual os salários são 60% mais baixos que os deste país.

No que toca à distribuição de têxteis e vestuário na Lituânia, e segundo dados oficiais do Instituto de Estatísticas deste país, em 2002, os lituanos gastaram em média 77 euros por mês em artigos de vestuário, ou seja, 6,5% das suas despesas totais.

Em termos do consumo global da população, registou-se um gasto na ordem dos 323 milhões de euros, no mesmo ano.

No entanto, este valor é contrariado pela empresaTns Gallup, que estima as despesas totais dos lituanos em vestuário em apenas 239 milhões de euros, em 2003.

De acordo com esta entidade, o canal de distribuição neste sector são os armazéns especializados em vestuário, com 30,5% do total de vendas, seguidos pelos mercados ao ar livre, os supermercados e as lojas de produtos em segunda mão.

Em 2002, a Lituânia importou 31.640 toneladas de artigos de vestuário em segunda mão, contra 34.740 toneladas em 2001, e para aLatia, estas importações vão diminuir ainda mais, quando o país aderir à União Europeia.

Ainda assim, em 2002, o mercado do retalho em segunda mão representava ainda um valor de 76 milhões de euros, isto é, quase um terço do mercado nacional de vestuário.

Neste país do Báltico, as duas maiores cadeias de lojas de vestuário são aUtenos Trikotazas, com uma quota de mercado de 5%, e aApranga, que detém uma quota de 3,4%.

A primeira possui uma rede de 20 lojas espalhadas pelo território nacional lituano, enquanto a segunda detém 23 lojas, nas quais são vendidas peças de grandes marcas internacionais, como aHugo Boss,Mango eBetty Barclay.

AAudimas, o maior fabricante lituano de vestuário desportivo e de lazer, conta também com 12 lojas neste país, assim como aLelija, o maior produtor de vestuário nacional (2,6 milhões de peças por ano), que possui 11 lojas.

Segundo o Instituto de Estatística lituano, as vendas no retalho de produtos têxteis e vestuário cresceram 23,2% no primeiro semestre de 2003, em relação ao período homólogo em 2002.

No que toca ao comércio externo da Lituânia, este país exportou 382 milhões de euros em têxteis e 500 milhões de euros em vestuário, num valor total de 862 milhões de euros em 2002.

Este é, sem dúvida, um valor considerável, para um país da dimensão da Lituânia, uma vez que representa 40% das suas exportações totais.

Segundo dados da associação lituana do sector, aLatia, as exportações deste país desceram ligeiramente, tanto em volume, como em valor, no primeiro semestre do ano passado.

Quanto às exportações lituanas para a UE, estas constituem 85% das vendas totais de têxteis e vestuário ao estrangeiro, aspecto que se acentuou nos últimos anos, a par do declínio das remessas para a Rússia e Ucrânia.

Hoje em dia, os principais clientes das empresas lituanas são a Alemanha (22% das exportações), a Dinamarca (13%) e o Reino Unido (13%), ocupando a França a sexta posição, com 4%.

No que respeita às importações, a Lituânia comprou, em 2002, 600 milhões de euros em produtos têxteis, e 89 milhões em vestuário.

Em termos das compras ao estrangeiro, a União Europeia revela-se igualmente como o maior parceiro comercial do país em questão, sendo os seus maiores fornecedores a Alemanha (14% dos produtos importados), a Dinamarca (10%) e o Reino Unido (9%).

Na primeira metade de 2003, a Lituânia importou menos 4,6% de produtos têxteis em relação ao mesmo período do ano anterior, fixando-se esse valor nos 316 milhões de euros.

Em relação ao investimento estrangeiro na ITV lituana, entre 1995 e 2002, o total investido em todos os sectores da indústria deste país foi de 3,8 mil milhões de euros, e a 1 de Janeiro de 2003, o investimento nos têxteis e vestuário lituanos cifrava-se em 124 milhões de euros, repartidos por 96 empresas.

Os investimentos estrangeiros mais importantes neste sector eram os da empresa de confecção alemãWilhelm Becker, que atingia os 17 milhões de euros, e o do grupo italianoMarzotto, na ordem dos 13 milhões de euros.

Na área do vestuário, merece destaque a compra pelos belgas daScf da importante plataforma de produçãoEuropean Clothing Group, situada na cidade de Kaunas, em 2002.