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Têxteis dão música

A guitarra de ar (Air Guitar) é uma disciplina que consiste em simular os solos de guitarra através da mímica pura. Sem outra ajuda que os dedos. Este gesto foi já realizado por todos os amantes de rock sem excepção, e inclusive promoveram-se já concursos internacionais para premiar a gesticulação, a coordenação e a variedade de movimentos…Enquanto alguns buscam a forma de criar notas com gestos no ar, ao estilo dos concertos de Jean Michel Jarre nos anos 80, os investigadores australianos da CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation) deram corpo à ideia. A forma escolhida para criar uma "guitarra de ar" que produzisse notas segundo os gestos do intérprete foi uma camisola que actua como sensor. Uma conexão sem cabos num computador e… voilá a música no ar.«A liberdade de movimentos é a principal característica desta interface de base têxtil», sustenta Richard Helmer, que dirige a equipa de investigadores na CSIRO responsável pela invenção. «A nossa guitarra de ar consiste numa interface sensorial vestível integrada numa t-shirt normal que utiliza software específico para associar gestos e sons. Trata-se de um instrumento virtual, de uso fácil, que permite "dar" música em tempo real, até por intérpretes sem grande talento musical ou computacional. Permite qualquer um de nós andar aos saltos como se fosse uma estrela rock e tocar música como a de um mp3 original»A singular camisola musical actua através do reconhecimento e interpretação dos movimentos dos braços e transmite, sem fios, a informação para um computador que gera o som. Sensores têxteis de movimento, integrados nas mangas da camisola, detectam o movimento realizado pelos braços – na maior parte dos casos, o braço esquerdo selecciona a nota e o direito executa-a.Esta invenção foi possível graças a uma equipa com competências multidisciplinares, nomeadamente em computação, electrónica, química, composição musical e, obviamente, têxtil. «A tecnologia, que é adaptável a praticamente qualquer peça, leva o vestuário para além do seu tradicional papel de protecção e moda, mais precisamente ao mundo do entretenimento e a uma vasta gama de outras aplicações incluindo o desenvolvimento de vestuário para monitorizar alterações fisiológicas.Alterando o software, a equipa modelou a tecnologia de forma a permitir que esta actuasse também como tamborim de ar e como guiro (uma espécie de instrumento de percussão) de ar. à medida que a computação móvel invade a actividade humana, impulsiona a investigação de formas não-tradicionais cada vez mais simples na interacção com os computadores. Os têxteis inteligentes são sérios candidatos a este papel. A CSIRO, à semelhança de tantas outras entidades científicas ou industriais, procura desta forma responder a necessidades específicas do mercado. Os têxteis inteligentes tornaram-se rapidamente as plataformas ideais para muitas tecnologias personalizadas, desde controlos mp3 até teclados de computadores. O desenvolvimento e comercialização de têxteis inteligentes prossegue o seu caminho sequencialmente: entretenimento – desporto – reabilitação – medicina. A próxima geração de têxteis inteligentes actuará de maneira intuitiva permitindo a sua rápida adopção e uso imediato por parte dos consumidores.