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Têxteis desiludidos com gás natural

Os empresários do sector têxtil da Beira Interior, não se renderam ao preço do gás natural. José Robalo, presidente da Associação Nacional dos Industriais de Lanifícios, assegurou ao JN que «ainda nenhum associado da ANIL chegou a acordo com a Beiragás». A diferença do preço entre o gás natural e o gás propano utilizado em algumas unidades fabris «é notória, e é abismal quando se compara com o preço do fuel», combustível utilizado por grande parte das empresas dos distritos de Castelo Branco e Guarda. Para José Robalo não há dúvidas sobre as vantagens ambientais do gás natural, mas a competitividade das empresas «não se pode pôr em causa». Uma das primeiras unidades têxteis da região a negociar com a Beiragás à cerca de dois anos, foi a Fitecom de Tortosendo. Ainda assim, João Carvalho, proprietário da empresa diz que «mesmo que já houvesse fornecimento de gás natural, não o iríamos consumir», sublinhando também que conseguiu um melhor preço para o gás propano, negociando com a Galp, curiosamente um dos principais parceiros da Beiragás. Para o empresário, « é uma aberração chegar à conclusão que o gás propano é mais barato». Nas negociações existentes na altura para o fornecimento de combustível para aquela empresa, o gás natural era pelo menos 3,5% mais caro. Também a empresa Têxteis Moura do Pereirinho em Cebolais, Castelo Branco, foi contactada «umas três vezes, há cerca de meio ano», mas não aderiu porque, «depois de feitas as contas pelos técnicos da Beiragás» com base em facturas dos actuais consumos de combustível, «o gás natural saía mais caro». Segundo o presidente da Associação Nacional dos Industriais de Lanifícios, «o problema começa logo com a constituição da Beiragás, em que houve interesses para que a ANIL não tivesse voz activa. O que se quis foi o monopólio». Refere ainda que em causa esteve o facto de a associação pretender subscrever uma larga fatia do capital social, mas ter-lhe sido vedada a participação para além «dos mil contos». Assim, a «ANIL foi afastada e agora o monopólio quer impor os seus preços, sem que haja alguém em posição de levantar a voz», especialmente a ANIL, cujos associados representam, segundos estudos realizados «entre 80 a 90% do consumo previsível de gás nos distritos da Guarda e Castelo Branco.» Decepcionado com todo este processo, José Robalo «teme que o pior esteja para vir através de pressões sobre as empresas «para que usem o gás natural».