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Têxteis inteligentes preparam revolução

Depois da tecnologia wearable ter aberto as portas do mercado, os têxteis e vestuário inteligentes estão prontos para transformar áreas como a saúde, o desporto e o workwear. O novo estudo da Textiles Intelligence aponta ainda que o vestuário inteligente poderá tornar o telemóvel obsoleto em menos de uma década.

Os têxteis e o vestuário inteligentes deverão transformar os cuidados de saúde, o desporto e o fitness, assim como o sector do vestuário de trabalho, de acordo com um estudo da Textiles Intelligence publicado na edição 63 da revista Performance Apparel Markets (ver Smart textiles and clothing: opportunities for providing comfort, functionality and insight into consumer behaviour and lifestyles).

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O vestuário, indica o estudo, deverá ser uma plataforma ideal para a integração de tecnologias inteligentes, uma vez que os humanos passam 90% da sua vida em contacto com têxteis.

Até agora, a maior parte dos produtos no mercado têm sido pensados para uma utilização em desporto e fitness e utilizações militares, onde são capazes de monitorizar os sinais vitais de soldados e podem ajudar a melhorar a segurança dos soldados em combate.

Mas há também um enorme potencial para usar têxteis e vestuário inteligente para transformar os cuidados com os doentes e melhorar a segurança e eficiência no local de trabalho.

Saúde e workwear em primeiro

No sector dos cuidados de saúde, o vestuário inteligente permite que os pacientes sejam monitorizados remotamente e isso pode ajudar a reduzir o custo dos cuidados de saúde, libertando camas nos hospitais e providenciando uma experiência mais confortável aos pacientes.

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No sector do workwear, podem ser incorporadas luzes leves no vestuário para melhorar a visibilidade dos trabalhadores que trabalham sob fracas condições de iluminação e pode usar-se sensores para monitorizar as localizações dos trabalhadores, como bombeiros e polícias.

Além disso, destaca a Textiles Intelligence, os têxteis e vestuário inteligentes têm o potencial de aumentar a eficiência no local de trabalho, especialmente em processos de produção e cadeias de aprovisionamento automatizadas, usando sensores para recolher dados relacionados com a eficiência dos trabalhadores e da maquinaria.

Desafios a ultrapassar

Contudo, «a indústria tem de ultrapassar diversos desafios para atingir todo o seu potencial, nomeadamente os relacionados com a sustentabilidade ambiental, a legislação e a normalização», destaca a Textiles Intelligence.

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Além disso, os têxteis e vestuário inteligentes normalmente necessitam de vários componentes e, por isso, tornam-se complexos e difíceis de desenhar, desenvolver e produzir.

Para responder à complexidade dos têxteis e vestuário inteligentes, algumas empresas, como a Nike e a Under Armour, criaram divisões de inovação ou “incubadoras” – departamentos especializados que se focam em aspetos do desenvolvimento do produto, como a integração de fontes de alimentação e tecnologia à prova de água.

O fim dos telemóveis

Estão a ser feitas algumas experiências no desenvolvimento de fibras e fios condutores de eletricidade e de potenciais utilizações do grafeno – que é considerado um material altamente condutor. Os desenvolvimentos incluem também têxteis inteligentes com capacidades elásticas, refletindo a emergência de tecnologias como sensores que esticam e encolhem, e tintas igualmente com características elásticas.

«Muitos especialistas acreditam que o ritmo de desenvolvimento é tal que os produtos têxteis com capacidade de computação podem estar a ser utilizados comummente dentro de cinco a 10 anos – altura em que pode não haver necessidade de telemóveis já que poderão ser substituídos por vestuário funcional», conclui a Textiles Intelligence.