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Têxteis-lar impulsionam exportações

Cobertores e mantas, roupas de cama, mesa, toucador ou cozinha e cortinados e cortinas são três das subcategorias que estão a empurrar de volta ao “verde” os números das exportações de matérias têxteis, que nos primeiros sete meses deste ano aumentaram 17,7% em relação ao período homólogo de 2020 e 0,2% face a 2019.

No total, entre janeiro e julho as empresas portuguesas exportaram 3,19 mil milhões de euros de matérias têxteis. Nas comparações com o mesmo período de 2020, praticamente todas as categorias registam valores positivos, com destaque, entre as principais categorias, para o vestuário e seus acessórios de malha, com uma subida de 31,2%, para 1,38 mil milhões de euros, e para o algodão (+33,1%, para 1,15 mil milhões de euros). As quedas fizeram-se apenas sentir nas exportações de pastas (ouates), feltros e falsos tecidos, que inclui ainda artigos de cordoaria (-2,2%, para 1,88 mil milhões de euros), e de lã (-7,6%, para 26,3 milhões de euros).

As comparações com 2019 são, contudo, mais exigentes e mudam o cenário. Embora, no total, as exportações de matérias têxteis tenham, nos primeiros sete meses do ano, conseguido equilibrar, com uma ligeira subida de 0,2%, há ainda muitas categorias “no vermelho”, como é o caso, entre as mais representativas, do vestuário e seus acessórios, exceto de malha, com uma queda de 25,8%, equivalente a uma perda de quase 154 milhões de euros, entre os números de 2021 e os de 2019.

Cama, banho e mesa crescem

Entre as categorias em crescimento na comparação com 2019 destaca-se outros artefactos têxteis confecionados, onde se insere grande parte dos têxteis-lar, com uma subida de 28,5% face a 2019, correspondendo a mais 104,3 milhões de euros.

As exportações de cobertores e mantas aumentaram 39,1% entre janeiro e julho em comparação com o mesmo período de 2019, e mais 102,6% com o período homólogo de 2020, para 18,2 milhões de euros.

Já os envios de roupas de cama, mesa, toucador ou cozinha cresceram 47,5% nos primeiros sete meses do ano em relação a 2020 e 23,9% face a 2019, representando o maior crescimento em termos absolutos (mais 112 milhões de euros e mais 67,1 milhões de euros, respetivamente).

A subcategoria que inclui cortinados e cortinas, por seu lado, registou um aumento de 25,6% em comparação com 2020 e 46,1% face a 2019, para cerca de 7 milhões de euros, enquanto a subcategoria artefactos para guarnição de interiores, de qualquer matéria têxtil, teve um aumento na comparação com 2020 (+33,7%), mas uma descida em relação a 2019 (-2,8%).

Espanha recupera face a 2020

Em termos de destinos, Espanha continua a ser o principal destino das exportações nacionais de matérias têxteis, tendo atualmente uma quota de 25%, de acordo com os dados veiculados no comunicado da ATP – Associação Têxtil e Vestuário de Portugal. Entre janeiro e julho de 2021, foram enviados para o país vizinho o equivalente a 799 milhões de euros de têxteis e vestuário, um aumento de 18,2% em comparação com o mesmo período de 2020 – o maior crescimento absoluto entre os 10 principais mercados, equivalente a mais 123,1 milhões de euros, mas que ainda assim representa uma quebra de 17,7% face a 2019 – sendo, assim, o único entre o top 10 a registar comparações negativas face ao ano anterior à pandemia.

Os crescimentos mais significativos entre os 10 maiores mercados foram protagonizados, em termos absolutos, por França, com um aumento de cerca de 57 milhões de euros (+13,7%) na comparação com os primeiros sete meses de 2019, e de 17,5 milhões de euros (+3,8%) face a 2020, e pelos EUA, que compraram mais 66,2 milhões de euros (+37,3%) do que no mesmo período de 2020 e mais 46,1 milhões de euros (+23,3%) do que em 2019.

«Os produtos que estiveram mais dinâmicos nestes dois mercados foram: roupas de cama, mesa, toucador ou cozinha; e camisolas, cardigãs, coletes e artigos semelhantes, de malha», salienta o comunicado da ATP, assinado pelo presidente da associação, Mário Jorge Machado.