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Têxteis-lar na via verde

Na mais recente edição da Heimtextil, a representação lusa apostou nas cores da Natureza, colocando a sustentabilidade no topo das preocupações tanto para a cama, como para o banho.

Coton Couleur

Sob um conceito renovado e com uma nova organização, a edição de 2019 da feira de têxteis-lar Heimtextil reuniu 3.025 expositores de 65 países, um aumento em comparação com os 2.975 expositores de 2018, segundo os dados da organização, a cargo da Messe Frankfurt. «Expositores e visitantes aceitaram o novo conceito da feira com grande entusiasmo e confirmaram a posição da Heimtextil como o ponto de encontro mais importante do mundo para a indústria», garante Detlef Braun, membro do conselho de administração da Messe Frankfurt. «Cerca de 67 mil visitantes asseguraram uma atmosfera movimentada nos halls, apesar de um ligeiro declínio devido a várias razões, como condições de viagem difíceis provocadas por tempestades na região dos Alpes e greves nos aeroportos na Alemanha», explica.

Esta visão positiva não se espelhou na totalidade pelas 80 empresas portuguesas presentes que, no entanto, preferem, na generalidade, esperar mais algum tempo até fazer o balanço final. «Quando se muda radicalmente o que era, há muitos anos, da mesma forma, temos a comparação com as outras edições, mas não é comparável», considera Paulo Coelho Lima, CEO da Lameirinho.

Paulo Coelho Lima e Tânia Lima

«Viemos de um espaço muito mais amplo. Agora é tudo muito apertado, tudo muito em cima. Não sei o que vai valer mas vamos reclamar», afirma, por seu lado, Joaquim Almeida, CEO da JF Almeida.

Já empresas como a Nosdil e a Traços Singelos fizeram balanços positivos desta participação. «Temos inclusive potencial de ter clientes de novos mercados», reconhece Diogo Ferraz, CEO da Nosdil. «É a primeira vez que estamos cá e o feedback dos visitantes tem sido muito bom», acrescenta Fátima Silva, CEO da Traços Singelos.

«A oferta portuguesa é uma oferta de confiança. De confiança na qualidade, de confiança no tempo de entrega, de confiança na origem das matérias-primas, com produtos inovadores e isso é uma marca da nossa oferta», assegura, ao Jornal Têxtil, o Secretário de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, que visitou os expositores lusos juntamente com o Secretário de Estado da Economia, João Correia Neves.

Sustentabilidade em foco

Joaquim Almeida

Entre as tendências sentidas durante o certame, a sustentabilidade marcou pontos. Depois do primeiro acordo mundial para a proteção do clima para a indústria têxtil ter sido assinado por 40 empresas, organizações e associações na Conferência Mundial do Clima na Polónia, em dezembro último, e de um estudo da Oeko-Tex com o Hohenstein Institute ter revelado que quatro em cada 10 pessoas se preocupam com a presença de substâncias perigosas nos têxteis-lar, que 78% dos inquiridos já estão atentos a produtos “amigos” do ambiente e que 32% já adquiriram este tipo de artigo, o foco em Frankfurt esteve igualmente no meio ambiente.

Vários expositores apresentaram soluções inovadoras, desde artigos obtidos a partir da reciclagem de garrafas de plástico e de plástico recolhido no oceano até à utilização de matérias-primas certificadas, como algodão orgânico.

Portugueses na onda verde

Entre a cama e o banho, os expositores portugueses surfaram também na onda verde. «Temos certificação GOTS, Oeko-Tex e, mais recentemente, a certificação para o linho European Flax, que garante alguma sustentabilidade ao consumidor final. E estamos sempre a apresentar produtos com fibras naturais, novas misturas que aparecem, fios reciclados», enumera Tânia Lima, diretora de marketing da Lameirinho, que, na onda da sustentabilidade, optou por mostrar as suas opções para cama com recurso a projeções digitais. Além disso, «temos um outro projeto, o Earth Colours, que tem a ver com corantes de base natural – casca de laranja, casca de noz… Tem um tingimento mais sustentável», esclarece Tânia Lima. «É essa mensagem que estamos a passar, que temos produto mais amigo do ambiente», resume.

Fátima Silva

A Coton Couleur, por seu lado, apresentou uma cama completamente sustentável, composta por artigos em algodão com poliéster reciclado de garrafas de plástico e um produto fabricado com um fio de algas. «Temos também um tingimento, em parceria com uma lavandaria, que reduz o consumo de água em 86% comparativamente com o processo normal», indica Carlos Carvalho, sócio da empresa. A oferta complementou-se com artigos com cânhamo, «que é mais sustentável do que, por exemplo, o linho», destaca. «Cada vez mais os clientes pedem produtos sustentáveis e nós estamos atentos e sabemos o que o mercado procura. Foi nessa direção que desenvolvemos este tipo de produto», elucida o empresário. «Todos temos que procurar preservar o nosso planeta. Depois é uma coisa que está, não digo na moda, mas acho que as pessoas começam a ter muito mais consciência daquilo que é necessário fazer para preservar o planeta. E achamos que, de alguma forma, também podemos contribuir para isso», sublinha.

Carlos Carvalho

Uma opinião partilhada por vários outros empresários do sector. «Na Rosacel também queremos ser amigos do ambiente», admite José Meireles, sócio e diretor financeiro da empresa, que na Heimtextil mostrou artigos com poliéster reciclado, cânhamo e misturas algodão/urtiga e algodão/bambu, entre outras, «ou seja, tudo fibras amigas do ambiente», salienta, declarando ainda que «estamos a tentar desenvolver uma parceria com o Citeve no sentido de fazermos os nossos artigos com algodão reciclado».