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Têxteis melhoram conforto nos aviões

Um novo conceito desenvolvido para a construtora de aviões Airbus é alegadamente capaz de aliviar as dores de quem viaja em económica através de um têxtil inteligente. O protótipo para um novo assento permite ainda tornar a aeronave mais leve e aumentar o espaço disponível para os passageiros.

A empresa de design Layer, sediada em Londres, criou um assento protótipo tricotado com fios condutores. Durante uma viagem de avião, correntes elétricas passam no fio, alterando a firmeza de diferentes partes do assento com base no peso, tamanho e movimentos do passageiro. Através de uma app, o passageiro pode ainda fazer outros ajustes, tornando o assento mais macio ou mais firme e até mais quente ou mais fresco.

O fio condutor permite também monitorizar a forma como uma pessoa se senta ao longo do tempo. No conceito que a Layer produziu, os passageiros fazem o download de uma app que lhes fornece recomendações para ficarem mais confortáveis no seu assento. Por exemplo, a app pode enviar uma notificação se perceber que a pessoa está sentada numa posição contorcida durante muito tempo, lembrando o passageiro para se pôr a pé e mover-se na cabina ou beber mais água. Pode ainda guiar o utilizador na realização de alguns alongamentos no próprio assento.

Segundo Benjamin Hubert, fundador da Layer, o design pretende ajudar as pessoas suscetíveis de sentir dores no corpo mas não sabem como reagir. «Eles sabem que estão desconfortáveis, mas podem não saber porquê», afirma à Fast Company. A app «informa os passageiros sobre o que estão a fazer nos seus assentos, como isso se relaciona com ergonomia, conforto e exercício, e, juntando esses dois tipos de informação, pode ensiná-lo a sentar-se melhor e a fazer mais exercício», explica.

Ganhar espaço

A melhor forma de proporcionar mais conforto aos passageiros é simplesmente tornar os assentos mais cómodos e criar mais espaço. Mas as companhias aéreas não vão fazer isso em breve, tendo em conta que o negócio passa por colocar o maior número possível de passageiros num avião. A Layer ficou encarregue de encontrar formas de tornar o assento mais confortável com as dimensões atuais.

Além dos assentos com têxteis inteligentes, a equipa procurou fazer isso através da reorientação das mesas em frente ao passageiro, tornando-as verticais em vez de horizontais. Os assentos típicos têm uma espécie de clip atrás que os mantém na posição de guardado. Mas ocupa espaço. Os passageiros, sobretudo os mais altos, batem com os joelhos nas mesas. Com uma mesa vertical, o sistema de tabuleiro ocupa apenas o meio do assento em frente, por isso os joelhos ficam com mais espaço.

«Foi nisso que as companhias aéreas e os construtores dos aviões trabalharam durante muitos anos – em encontrar os centímetros ou milímetros extra nessa experiência, porque faz uma enorme diferença num voo de 10 ou 12 horas», acredita o fundador da Layer.

Menos resíduos e mais leves

Os assentos foram também desenhados para serem mais leves do que os assentos tradicionais, com uma estrutura em fibra de carbono. Além disso, as coberturas em têxteis inteligentes dos assentos não necessitam de tanta espuma como as atuais, por isso há também aí uma economia de peso. E quanto mais leve o avião, mais dinheiro poupa a companhia aérea em combustível.

Os protótipos da Layer foram fabricados usando técnicas especiais de tricotagem – o mesmo tipo de tecnologia aplicada para produzir os ténis Nike Flyknit – que mantém os resíduos no mínimo porque os assentos podem ser tricotados com o tamanho certo, sem qualquer excesso. As mesas verticais são modulares, por isso as companhias aéreas podem decidir se querem ter um ecrã para entretenimento a bordo nos voos mais premium ou simplesmente pedir às pessoas para usarem os seus próprios ecrãs, que é mais uma forma de reduzir o peso.

Benjamin Hubert revela que a Layer vai continuar a desenvolver protótipos para a Airbus no futuro e a construtora de aviões irá decidir se pretende escalar e comercializar estes novos produtos.