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Têxteis nacionais tratam da saúde

Apostadas em diferenciar-se e a manter a inovação no topo das prioridades, a Crispim Abreu, Fiorima e Biodevices já conseguiram avanços significativos no desenvolvimento de artigos têxteis que ajudam a cuidar da saúde dos utilizadores. Em parceria com o Centi, Citeve, Escola de Biotecnologia da Universidade Católica, Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto e Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, a Crispim Abreu desenvolveu o 2ndDermis, um têxtil técnico com funcionalidades médicas para a profilaxia e tratamento da dermatite atópica. «Os resultados são muito animadores», explica Artur Belém, director técnico da Crispim Abreu. «Atenua muito o prurido. Também tem uma vertente profiláctica na medida em que favorece a hidratação da pele», acrescenta Artur Belém. O têxtil funcional – desenvolvido com recurso a um financiamento de 650 mil euros no âmbito do Qren – foi testado pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto numa dezena de doentes, utilizados como cobaias, e o seu impacto na pele foi analisado pela Faculdade de Farmácia. Inicialmente pensado para a confecção de roupa interior e pijamas, a utilização deste têxtil funcional foi alargada a roupa desportiva, vestuário hospitalar e têxteis-lar. A Crispim Abreu, especialista na produção de têxteis-lar e vestuário infantil (detendo inclusivamente a marca Cenoura), emprega 230 pessoas e, em 2010, registou um volume de negócios de 18 milhões de euros. A Fiorima, por seu lado, desenvolveu, também em parceria com o Centi, a peúga EcoHighTech, uma peúga patenteada que integra um sistema de monitorização de parâmetros fisiológicos como a temperatura do pé, batimento cardíaco, pedómetro, sensor de massa corporal, distância percorrida, velocidade média, velocidade instantânea e calorias dispendidas no treino, ideal para atletas. «Sempre apostamos nas parcerias com os centros tecnológicos porque queremos estar na linha da frente da inovação», revela Carla Monteiro, directora comercial da empresa. A Fiorima está, por isso, a preparar uma nova peúga técnica, que deverá ser apresentada oficialmente em Janeiro, na feira internacional de desporto Ispo, em Munique. A empresa de produção de peúgas, fundada em 1986, tem uma facturação anual de seis milhões de euros, a maior parte realizada nos mercados externos, sobretudo na Europa, EUA e Japão. Pioneira em Portugal no desenvolvimento de vestuário “inteligente” direccionado para a área da saúde, a Biodevices continua a expandir a sua gama Vital Jacket. A t-shirt que integra uma antena GPS que permite gravar os dados em diferentes momentos da actividade física, registando nomeadamente a onda do electrocardiograma (ECG) e o ritmo cardíaco em todo o percurso, com os dados a poderem ser facilmente acedidos a partir da Internet para posterior análise, tem agora também uma t-shirt pensada para as crianças com a mesma funcionalidade (VJ Kids) assim como um body para bebés – o primeiro sistema ECG ambulatório do género –, que permite que os mais pequenos brinquem e se mexam com o mesmo conforto, enquanto a sua actividade cardíaca é registada. Novidades boas para a saúde e para o negócio, que estão a conquistar clientes em Portugal e no estrangeiro.