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Têxteis Penedo dá saúde

A produtora de têxteis-lar está a desenvolver uma proteção de colchão pensada para prevenir as úlceras de pressão em acamados e pessoas em cadeiras de rodas. O ActiveRest, desenvolvido com mais quatro entidades portuguesas, poderá chegar ao mercado em breve.

«As úlceras de pressão são uma lesão que acontece nos tecidos subjacentes à pele, provocados pela postura das pessoas quando estão acamadas ou têm necessidade de passar tempo numa cadeira de rodas. Este tipo de lesão aparece principalmente na zona das costas, na anca e na zona dos calcanhares. É um problema que também está associado à zona onde os ossos são mais proeminentes», explicou Sandra Ventura, diretora de inovação da Têxteis Penedo.

Segundo um estudo de 2017, em Portugal apenas 12,5% das pessoas que necessitam de um equipamento de prevenção de escaras têm acesso ao mesmo, normalmente com soluções como colchões insufláveis ou colchões de espuma com memória de forma. «Tendo em conta o que já existia no mercado, a nossa ideia com o ActiveRest foi produzir um resguardo de colchão que permitisse fazer o mapeamento das pressões que a pessoa tem ao longo da sua posição deitada ou sentada e que reagisse aos valores que vão sendo captados», indicou Sandra Ventura na iTechStyle Summit.

Sensores piezorresistivos incorporados

O protótipo, desenvolvido em parceria com a Comfort Keepers, o Citeve, o CeNTI e o IPCA, inclui sensores que monitorizam aumentos de pressão e os comunicam a uma app e atuadores integrados numa esponja que permitem libertar a pressão.

Anabela Carvalho e Sandra Ventura

Os primeiros sensores usados estavam disponíveis comercialmente, mas a empresa avançou para o desenvolvimento de sensores próprios, piezorresistivos, em material completamente têxtil. «Verificamos, depois de calibração e testes, que é um bom equipamento, fiável, com uma sensibilidade muito grande, leve, fino, flexível e, acima de tudo, confortável», enumerou a diretora de inovação.

Em cada resguardo serão incorporados cinco sensores na zona das omoplatas, oito sensores na zona da anca e quatro sensores na zona dos calcanhares.

Em termos de resposta aos dados provenientes da sensorização, foram criados atuadores, impressos em 3D, que «através de um estímulo elétrico, conseguem aumentar o seu tamanho de quatro para seis centímetros. São silenciosos, movem-se muito rapidamente e, portanto, são confortáveis também na forma de atuar», revelou Sandra Penedo, garantindo que «quando se põe o atuador a funcionar, verifica-se um alívio imediato nas zonas adjacentes».

Uma solução de várias camadas

A solução final do projeto inclui várias camadas, sendo composta por um lençol jacquard com uma parte absorvente, para responder a possíveis perdas de urina, uma camada protetora repelente à água, que vai permitir isolar os sensores piezorresistivos, e uma terceira camada com a esponja com os atuadores ou um colchão insuflável, que ainda está a ser desenvolvido.

«Estamos a obter bons resultados», afirmou a diretora de inovação, que ao Jornal Têxtil adiantou que o projeto, que termina dentro de seis meses, deverá chegar ao mercado.

«O protótipo intermédio que apresentei já é um protótipo funcional, que funciona numa cadeira. Agora é fazer o scale-up», assegurou.