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Têxtil americano com fragilidades em 2002

Segundo o jornal americano “The Charlotte Observer” a indústria têxtil americana foi prejudicada em 2002 devido à estagnação das exportações e à queda de dez por cento verificada a nível de emprego. Mas houve também algumas boas notícias. Segundo o relatório da American Textile Manufacturers Institute – ATMI – (Instituto americano dos produtores têxteis), os salário subiram e algumas empresas que resistiram tiveram mais lucros em 2002 do que em 2001. A nível global, a indústria registou uma queda mais lenta no ano passado do que em 2001, tendo sido considerado como o pior ano para os têxteis desde a Grande Depressão. Nesse ano de 2002 o número de trabalhadores na têxtil desceu de 448 mil em 2001 para 432 mil em 2002, ou seja, menos 46 mil do que no ano anterior. Essa tendência nacional reflecte-se nas Carolinas, onde está situado 40 por cento do total de postos de trabalho da indústria. Harding Stowe, director executivo da R.L. Stowe Mills em Belmonte, afirmou que o ano passado foi melhor do que 2001, altura em que a empresa teve de dispensar 250 trabalhadores. Hoje em dia, o fabricante de fios emprega 850 pessoas nas suas fiações em Belmonte e Chattanooga, no Tennessee. Stowe disse ainda que a indústria precisa da ajuda do governo para combater a concorrência desleal no sector têxtil, enfatizando o facto do dólar fortalecido constituir um obstáculo às exportações americanas. «Precisamos realmente de parar com as fraudes que estão a acontecer, o que seria uma grande ajuda para a indústria», afirmou Stowe. «Precisamos de fazer cumprir os acordos que actualmente estão em vigor». Durante este mês, a ATMI renovou o seu pedido ao governo para punir o contrabando. Segundo a associação, outras acções como o enfraquecimento do dólar americano, os acordos amigáveis de exportação e o aumento das quotas proteccionistas dos produtos têxteis chineses, poderiam ajudar a indústria. Especialistas esperam que a produção têxtil continue a desaparecer nos Estados Unidos, seguindo a tendência noutros países. «Uma situação típica noutras nações industriais, particularmente na Europa, é sempre que há um abrandamento da economia, a economia apanha uma gripe e a indústria têxtil apanha pneumonia,” afirmou Peter Kilduff, um professor de marketing têxtil na UNC Greensboro. Quando a economia melhorar, as quedas nos têxteis vão diminuir, afirma Kilduff. Mas quando a recessão ataca, os têxteis dispensam novamente funcionários, produzindo um “efeito de ping-pong”, afirma. A indústria têxtil britânica, por exemplo, atingiu o seu pico em 1913 (mesmo antes da I Grande Guerra) e tem vindo a perder postos de trabalho desde então, afirmou Kilduff. Hoje em dia, há poucas ou nenhumas fiações lá e a indústria consiste em pequenas empresas especializadas que fazem artigos para fins medicinais ou determinados nichos de mercado. A mesma tendência existe em Nova Inglaterra, onde a indústria americana começou mesmo antes de uma grande quantidade ter-se mudado para o Sul no início do século 20. A indústria tem estado numa queda firme desde a II Grande Guerra, afirmou Karl Spilhaus, presidente da National Textile Association, um grupo comercial sedeado em Boston. «A indústria nunca aumentou em número de postos de trabalho ou em produção (desde então),» explicou Karl. «É reorientada, reestruturada. Ainda temos empresas que estão bem posicionadas e firmes, mas que não estão a contratar muitas pessoas». «Muitas empresas de Nova Inglaterra estão agora a fazer produtos altamente especializados, tal como vestuário à prova de balas», disse Spilhaus. As empresas têxteis das Carolinas estão também à procura de mercados, desde estofos para automóveis até vestuário resistente a nódoas. Nas Carolinas, a indústria só iniciou o seu declínio a partir de 1970. A Carolina do Norte continua a empregar 118 mil trabalhadores têxteis, mais do que qualquer outro estado. A Carolina do Sul, com 57 mil trabalhadores têxteis, está na terceira posição, atrás da Georgia. O relatório lançado referia ainda que as exportações têxteis estiveram estáveis em 2002, registando 15,7 mil milhões de dólares e que os lucros antes de impostos quintuplicaram em 2002 para mil milhões de dólares, tendo duplicado o número de empresas com prejuízos e aumentado três por cento a média dos salários à hora dos trabalhadores têxteis para 11,74 dólares.