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Têxtil dos EUA «não se pode dar ao luxo de descansar»

O aumento da produção e das exportações norte-americanas não impede a indústria têxtil e vestuário dos EUA de olhar para o futuro com prudência. No entanto, as políticas comercias da administração Trump são vistas com oportunidades de crescimento para o sector

Graças à sua produtividade, flexibilidade e inovação, a indústria têxtil e vestuário (ITV) dos EUA «cimentou a sua posição no mercado global», segundo o novo presidente da National Council of Textile Organization (NCTO), Marty Moran, citado pelo just-style.com. No encontro sobre o estado do sector nos EUA, a associação revelou os números chave de 2018, que incluem um crescimento anual de 5,2% na produção de fibras e filamentos sintéticos, têxteis e vestuário para os 76,8 mil milhões de dólares (68,5 mil milhões de euros).

O negócio em números

A produção norte-americana dividiu-se, em valor, por 30 mil milhões de dólares para os fios e tecidos, 11,6 mil milhões de dólares para o vestuário, 7,7 mil milhões de dólares para fibras sintéticas e 27,4 mil milhões de dólares para artigos confecionados.

Quanto ao número de trabalhadores, a cadeia de fornecimento da ITV contava, em 2018, com 594.147 trabalhadores, dos quais 112.575 trabalhavam no sector dos fios e tecidos; 112.692 na confeção de vestuário, 25.100 nas fibras sintéticas, 126.553 no cultivo de algodão, 101.186 na produção de lã e 116.042 em artigos confecionados.

Os números foram positivos também para as exportações de fibras, fios, tecidos, vestuário e têxteis-lar, que cresceram 5,4%, em 2017, para 30,1 mil milhões de dólares – com os envios para os países do acordo NAFTA (Canadá e México) e do DRCAFTA (República Dominicana, Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua) a representaram 47,5% de todas as exportações da cadeia de fornecimento dos EUA. Divididos por sector, as exportações de algodão e lã atingiram 6,7 mil milhões de dólares, os tecidos chegaram aos 9,1 mil milhões de dólares, os artigos confecionados ascenderam a 3,8 mil milhões de dólares e o vestuário alcançou os 6,1 mil milhões de dólares.

Marty Moran

Dos 19,7 mil milhões de dólares de fibras, fios e tecidos, os principais destinos de exportação foram o México (4,4 mil milhões de dólares), o Canadá (2,1 mil milhões de dólares), a China (1,6 mil milhões de dólares), o Vietname (1,5 mil milhões de dólares) e as Honduras (1,4 milhões de dólares).

Para Marty Moran, que é também CEO da Buhler Quality Yarns, especialista em fiação com sede em Jefferson, na Geórgia, «os números mostram que os alicerces da indústria têxtil dos EUA são fortes, mesmo que alguns mercados tenham estado mais calmos no ano passado. De modo geral, qualquer tipo abrandamento deveu-se a fatores que ultrapassam o nosso controlo, como, por exemplo, as perturbações no sector do retalho, causado pela transferência das vendas das lojas físicas para o online».

O presidente da NCTO acredita que «o compromisso da indústria têxtil norte-americana em relação ao reinvestimento de capital e a contínua aposta na qualidade e inovação tornam-na bem posicionada para se adaptar às mudanças no mercado e agarrar oportunidades ao longo de 2019».

As políticas comerciais

Marty Moran afirma que a NCTO «apoia totalmente» os objetivos macropolíticos do presidente dos EUA, Donald Trump, de consolidar a indústria, de lutar por um comércio livre, mas justo, e acrescenta que, durante décadas, as políticas norte-americanas «sistematicamente desvalorizaram» a importância da produção doméstica.

O novo acordo comercial entre os EUA, o México e o Canadá (USMCA) representa «uma melhoria significativa» para os produtores norte-americanos, considera Moran.

O presidente da NCTO aplaude igualmente a luta contra «as práticas comerciais ilegais da China», mas afirma que, enquanto muitos produtos identificados para a atribuição de maiores taxas são importantes contributos, há uma oportunidade de maior dimensão nos produtos acabados que envolvam componentes como 100% de fibra, fio ou tecidos chineses, o que iria beneficiar a cadeia de aprovisionamento dos EUA. «O foco nos produtos acabados iria melhorar dramaticamente as probabilidades de criarmos reformas de peso», garante.

Sobre as negociações comerciais com a União Europeia, Reino Unido e Japão, Marty Moran garante que a NCTO «agradeceu a oportunidade de ter um acesso mais fácil a estes importantes mercados internacionais» e a redução ou a eliminação de taxas poderia colocar os produtores dos EUA «numa posição mais próxima» de alguns dos parceiros comercias.

A NCTO está também a apelar ao governo norte-americano que invista em melhorias na automação para o vestuário, já que este sector revela «um potencial promissor» para devolver à indústria têxtil e vestuário dos EUA mais produção e postos de trabalho. «Ainda que a indústria têxtil dos EUA seja de classe mundial, não se pode dar ao luxo de descansar. Haverá sempre uma concorrência intensa e, muitas vezes, desleal, por parte de outros países. Existirão igualmente mudanças constantes na procura dos consumidores e inevitáveis abrandamentos na economia. Felizmente, a administração Trump quer estimular a produção industrial e a criação de postos de trabalho. A indústria têxtil dos EUA está incumbida de aproveitar esta oportunidade para conduzir a uma nova era de crescimento», resume o presidente da NCTO.