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Têxtil e vestuário divididos

Com a conclusão da oitava ronda de negociações no âmbito da Trans-Pacific Partnership (TPP) em Chicago no início de Setembro, os representantes dos sectores têxtil, vestuário e calçado intervieram sobre a forma como acreditam que os interesses dos seus sectores devem ser tratados. No momento em que está a ser divulgada uma campanha para negociar regras fortes para o têxtil e o vestuário no pacto, grupos têxteis da África, América do Sul e América Central acabaram por entrar na contenda. Os grupos, que entre eles representam 25 países e mais de 30 mil milhões de dólares do comércio de têxteis com os EUA, estão do lado dos seus homólogos norte-americanos no apelo a uma regra de origem a partir do fio. Segundo Cass Johnson, presidente do National Council of Textile Organizations (NCTO), a regra alternativa de “transformação única”, não só drenaria potenciais postos de trabalho e investimento do TPP, mas também iria «causar a perda catastrófica de empregos na indústria têxtil e de vestuário nos Estados Unidos e nos seus parceiros de livre comércio». Como o nome indica, a regra de origem “a partir do fio” significa que todas as fases da produção, começando com a fiação, passando pela tecelagem e confecção, devem ser realizadas nos EUA ou num país parceiro do acordo de livre comércio para que o produto se qualifique para as preferências tarifárias. Se elementos de elevado valor acrescentado da cadeia produtiva ocorrerem fora dos países do acordo, os grupos têxteis reclamam que isso permitirá a terceiros, como a China, beneficiar com o acordo. Eles também têm um problema com a inclusão do Vietname nas negociações, pois acreditam que poderá inundar o mercado norte-americano com vestuário vietnamita produzido com fios e tecidos chineses. Nove nações do Pacífico estão formalmente envolvidas no grupo de comércio multi-lateral, que pretende abranger os interesses dos EUA, Vietname, Brunei, Chile, Nova Zelândia, Singapura, Austrália, Malásia e Peru. O TPP não é apenas o primeiro acordo regional em que os EUA estão a participar na Ásia, mas a sua conclusão criará um dos blocos comerciais mais importantes do mundo. Existem também planos de expansão ambiciosos que superam os actuais participantes. No entanto, os grupos que representam os produtores de vestuário, retalhistas, importadores e marcas estão a procurar políticas para o sector têxtil e do vestuário que, segundo eles, incentivem novos negócios e investimentos. Estes grupos criaram a Trans-Pacific Partnership (TPP) Apparel Coalition que acredita que as regras «modernas» para o têxtil e o vestuário podem «sustentar milhões de empregos que dependem de cadeias globais de valor». Na opinião deste grupo, as regras de origem «a partir do fio» são «ultrapassadas» e «inviáveis» e dizem que uma abordagem «tudo ou nada» não irá estimular novas exportações dos EUA ou novo comércio de vestuário ou novos investimentos nos sector têxtil e de vestuário. Em vez disso, a criação de emprego – que é um dos principais objectivos do acordo – não significa apenas produção industrial, mas inclui actividades como a concepção, produção, marketing, distribuição, retalho e atendimento ao cliente que ocorrem nos EUA e nos países parceiros do TPP. À medida que as negociações se dirigem para a próxima ronda, que está programada ocorrer no final do corrente mês em Lima, no Peru, deverão surgir mais confrontos entre as partes interessadas ao nível do têxtil e vestuário. Mas este grupo defende que as suas preocupações são justificadas na medida em que o mercado têxtil e de vestuário nos EUA é quase cinco vezes maior do que o dos outros parceiros combinados, com importações que superaram os 95 mil milhões de dólares em 2010.