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Têxtil está mais sustentável

As marcas e retalhistas parecem estar cada vez mais atentas às questões de sustentabilidade e ecologia, a crer no novo estudo da Textile Exchange que mostra que matérias-primas como o algodão orgânico e fibras celulósicas artificiais estão a ganhar a preferência dos retalhistas, como a C&A e a Columbia Sportswear.

A mais recente atualização dos dados da Textile Exchange, a organização sem fins lucrativos que promove a adoção de fibras e materiais mais sustentáveis e redes de aprovisionamento responsáveis, concluiu que o algodão orgânico e outros tipos de algodão preferenciais representam atualmente 47% de todo o algodão usado.

Além disso, a utilização de poliéster reciclado aumentou 58%, o uso de liocel subiu 128% e a penugem [proveniente de penas] preferencial (a maioria da qual é certificada pelo rótulo Responsible Down Standard da Textile Exchange) cresceu 54%.

A pesquisa, com base no feedback de 95 dos principais retalhistas e empresas de vestuário, também concluiu que mais empresas estão a gerir um portefólio de fibras diversificado em vez de se focarem apenas numa. E as empresas estão a começar a mobilizar-se e a preparar-se para a economia circular.

«É bom dar conta que as coisas se estão a mover na direção certa, com um aumento das fibras preferenciais a subir em todas as categorias e algumas a revelarem aumentos significativos na utilização», afirma Liesl Truscott, diretor europeu e de estratégia de materiais da Textile Exchange.

«Embora os valores tenham de ser partilhados de forma mais equitativa, é evidente que o nosso sistema económico está a mudar, com um maior foco na circularidade e no capital não-financeiro. A linguagem dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável [das Nações Unidas] está a influenciar a nossa indústria e é bom ver que a indústria está a apoiar a [iniciativa] Science Based Targets», acrescenta, citado pelo just-style.com.

C&A e Columbia Sportswear na liderança

O estudo “2017 Preferred Fiber and Materials Market Report” revela uma tabela que mostra a utilização da empresa em várias fibras e materiais preferenciais, incluindo algodão orgânico, poliéster reciclado e liocel, entre outras.

A C&A ocupou o topo de duas tabelas. «Ser a maior retalhista mundial a utilizar algodão orgânico e fibras celulósicas artificiais é um grande feito e demonstra como a nossa estratégia de materiais sustentáveis está a fazer a diferença», considera Jeffrey Hogue, diretor de sustentabilidade da C&A.

«Enquanto compradores significativos de matérias-primas agrícolas como algodão e polpa de madeira, estamos empenhados em criar melhores resultados para os agricultores, comunidades e florestas», destaca.

Já a Columbia Sportswear está no topo da lista das empresas que fecham o ciclo em termos de utilização de penugem certificada e penugem convencional, e está no terceiro lugar na utilização total de penugem responsável entre as empresas avaliadas.

«Na Columbia, valorizamos as práticas de produção éticas e sustentáveis e estamos empenhados em assegurar a quota dos nossos parceiros e em praticar esses valores», sublinha Matthew Hoeferlin, diretor de investigação de materiais na Columbia.

«Em apenas três estações aprovisionámos mais de 3,3 milhões de unidades com enchimento de penugem responsável. Vamos continuar a trabalhar de perto com os nossos fornecedores e produtores para promover a importância do bem-estar animal e aderir ao rótulo», revela Hoeferlin.

Objetivos vão mais longe

Os dados do estudo mostram igualmente que a adoção de fibras e materiais preferenciais pode atingir mais cedo do que o previsto os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, em particular o que diz respeito à produção e consumo sustentáveis.

O que é consistente com as conclusões do estudo, em que quase 30% das empresas avaliadas estar a alinhar a sua estratégia corporativa com esses objetivos.

A Textile Exchange acredita que a adoção de fibras e materiais preferenciais, sob rótulos e certificações reconhecidas internacionalmente, oferece benefícios ambientais, sociais e económicos mensuráveis.

«É uma combinação de intervenções que está a transformar a indústria: a estratégia das empresas está a passar da conceptualização para a implementação, os modelos de negócio estão a evoluir para apoiar isso e as tecnologias estão a ficar online para transformar de forma disruptiva as atuais formas de produção. Alguns podem dizer que a indústria não está a avançar suficientemente rápido, enquanto outros estão otimistas com o progresso que está a ser feito. Precisamos de ambos: os cínicos para nos darem um empurrão adicional e os otimistas para confiar que isso vai acontecer», resume La Rhea Pepper, diretora-geral da Textile Exchange.