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Têxtil faz a festa em Guimarães

A iniciativa “O Têxtil é uma festa” irá encher o Instituto de Design de Guimarães de animação, numa celebração do melhor que a indústria têxtil tem para dar. No dia 7 de julho, empresas, investigadores, associações e alunos juntam-se para dar visibilidade a um sector que está cada vez mais na moda.

O programa é ainda provisório, mas as expectativas são as melhores. A iniciativa, promovida em parceria pela Universidade do Minho, Associação Comercial e Industrial de Guimarães (ACIG) e Lions Club de Guimarães, que conta ainda com o apoio da Câmara Municipal de Guimarães, foi apresentada na última sexta-feira, 20 de maio.

Um desfile de bombos, com distribuição de flyers, irá percorrer as ruas da cidade de Guimarães para dar visibilidade ao evento, que contará igualmente com um desfile com as novidades das empresas e projetos dos alunos (ao final do dia) e workshops sobre temas como “Ideias para um têxtil inteligente” e “Mede-te”, este último com a recolha de medidas antropométricas. Haverá ainda um concurso para a criação da imagem do evento, cujos resultados serão revelados igualmente no dia 7 de julho.

O foco estará ainda nas bancadas de investigadores – com a apresentação de projetos de I&D a decorrer na Universidade do Minho – e nos espaços expositivos dedicados às empresas, onde estas poderão apresentar, sem qualquer custo, as suas capacidades e novidades.

A ideia, revelou Noémia Carneiro, diretora do Departamento de Engenharia Têxtil da Universidade do Minho, «nasceu de dentro para fora», a partir de uma sugestão do Lions Club de Guimarães e da ACIG, e pretende ser «uma festa para mostrar o que é positivo» e, ao mesmo tempo, dar visibilidade ao sector junto da sociedade. «A indústria têxtil não é tão má como a comunicação social passou para a sociedade. Ninguém deve ter medo que a têxtil vá acabar amanhã», sublinhou Georgy Glushik, presidente do Lions Club de Guimarães.

Os números confirmam esta visão otimista para o sector, com Noémia Carneiro a dar conta que, no ano passado, a Universidade do Minho recebeu «200 ofertas de emprego para oito finalistas de engenharia têxtil». O objetivo, de resto, será aumentar o número de vagas para o curso diurno de engenharia têxtil, que atualmente está limitado a 10 alunos.

Aliás, garantiu João Monteiro, presidente da Escola de Engenharia da Universidade do Minho, «se fosse hoje aluno consideraria a engenharia têxtil como uma hipótese muito forte». O professor, com uma licenciatura em engenharia eletrotécnica e doutoramento em Engenharia de Sistemas e Informática, sublinhou que o têxtil tem hoje um grande âmbito de formação, desde a área produtiva ao design e investigação. «Temos a ligação à indústria e queremos mantê-la, é o nosso ADN. Mas temos também a investigação na área dos materiais», referiu, focando a atividade do Centro de Ciência e Tecnologia Têxtil (2C2T). «Temos um conjunto de equipamentos e know-how que permite dizer que a Escola de Engenharia tem condições para contribuir para o crescimento comum da indústria têxtil», afirmou João Monteiro.

Captar novos talentos para o sector é, por isso, uma das razões para a realização da iniciativa “O Têxtil é uma festa”, assim como projetar a cidade de Guimarães como centro industrial de referência. «Guimarães é o concelho mais industrial do país em número de postos de trabalho», referiu Manuel Martins, presidente da ACIG, acrescentando ainda que «há falta de informação do potencial que tem esta área têxtil». Por isso, no dia 7 de julho, «vão ser vistos produtos novos, as empresas que tenham curiosidade vão ver o que as outras empresas estão a fazer e vão ver também respostas concretas dos investigadores da Universidade do Minho», adiantou.

O potencial do têxtil é um dos focos da estratégia da Câmara Municipal de Guimarães, que quer colocar a cidade não só no mapa nacional, mas também internacional. «Desde a primeira hora que demos o nosso apoio a esta festa», revelou o vereador Ricardo Costa, que considera que «temos que ser capazes de dar ao mundo um sinal de que somos diferentes». Para além desta iniciativa, o vereador anunciou que «a 8 de setembro vamos ter a apresentação da Heimtextil em Guimarães». Um regresso da principal feira de têxteis-lar à Cidade-Berço, como aconteceu já em 2014 (ver Experiência à flor da pele) e 2015 (ver Elogio à autenticidade).