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Têxtil indiana: 70 mil milhões de dólares até 2014?

O Acordo Multi Fibras (AMF) restringia o comércio de têxteis e vestuário através de um sistema de quotas. O regime pós quotas traria inevitavelmente oportunidades e desafios para a indústria têxtil e de vestuário deste país. O estudo intitulado “Exportações Têxteis: Cenário pós AMF – Oportunidades e Desafios” verificou que o sector do vestuário beneficiaria mais do que o sector têxtil com o fim deste acordo. A China, Índia, Paquistão, Tawain, Hong Kong, Brasil, Indonésia, Turquia e Egipto apareceriam como possíveis vencedores no regime pós quotas. Os factores determinantes de aumento ou decréscimo da fatia de mercado a longo prazo dependeriam do custo, qualidade e tempo de entrega destes intervenientes.

O estudo estimou que a curto prazo, 1 a 2 anos, seria o mercado de vestuário dos EUA e da UE que mais oportunidades ofereceria aos países em desenvolvimento, como é o caso da Índia. A longo prazo, até 2014, mesmo o sector têxtil ofereceria oportunidades, uma vez que muitos dos países de custos elevados perderiam a sua posição competitiva na conjuntura de comércio livre e igualmente a longo prazo o comércio entre países membro da UE diminuiria deixando mais espaço de manobra aos países em desenvolvimento.

O estudo estima que a Índia poderia aumentar a sua fatia do mercado de têxteis dos EUA e daUE dos actuais 8,4 por cento (1,5 mil milhões de dólares) e 3,2 por cento (1,9 mil milhões de dólares), respectivamente, para 13,5 por cento (5 mil milhões) e 8 por cento (8 mil milhões), até 2014. No caso do sector têxtil a sua fatia de mercado dos EUA poderia aumentar dos actuais 3,2 por cento (2,3 mil milhões de dólares) para 8 por cento (13 mil milhões) e no que diz respeito à UE passaria dos 3 por cento (13 mil milhões) para 8 por cento (16 mil milhões), até 2014.

Avaliou-se ainda a indústria indiana de têxteis e vestuário e verificou-se que a quantidade produzida de algodão, a capacidade produtiva e a tecnologia no sector da fiação e tecelagem são relativamente baixos. Embora o baixo custo de mão-de-obra prevaleça, o custo de produção aumenta devido aos custos relativamente elevados com juros e energia. A cadeia de fornecimento nesta indústria ainda não se encontra convenientemente fragmentada e existem obstáculos que podem abrandar o crescimento do sector.

O estudo recomenda que a Índia aposte e melhore a sua vertente competitiva diminuindo o custo das operações através do uso eficiente dos inputs de produção. Existe igualmente a necessidade da integração dos processos de produção para rentabilizar as operações e aumentar a capacidade de negociação. Seria necessário investir em tecnologia e investimentos estrangeiros queconjuntamente com tecnologia estrangeira ajudariam a indústria a modernizar-se. Outra área a ser melhorada é a logística e a gestão da cadeia de fornecimento das empresas têxteis indianas. O design, tecnologia têxtil e capacidades de gestão e negociação precisam também de ser alvo de desenvolvimento.

O estudo conclui que a capitalização do fim da era das quotas por parte da indústria têxtil indiana depende da sua capacidade de melhorar a competitividade através da exploração de economias de escala na cadeia de produção e de fornecimento. Delinear cuidadosamente uma estratégia cujo objectivo seja melhorar os níveis de produtividade e eficiência, controlar a qualidade, promover a inovação rápida nos produtos e uma resposta pronta às mudanças de preferência dos consumidores, e desenvolver a capacidade de avançar na cadeia de valor construindo e implementando marcas, é a chave para o sucesso.