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Têxtil inova na arquitetura

A aplicação do conceito de cinética na arquitetura, a utilização de uma membrana têxtil e a inclusão de elementos ativos em flexão num único painel arquitetónico valeram a Luani Costa, da Universidade do Minho, o primeiro prémio em microarquitetura no concurso promovido pela Techtextil. Uma solução estrutural que já tem interessados em Portugal.

O sistema de fachada (ou cobertura) adaptável desenhado por Luani Costa consiste em componentes triangulares em membrana que podem ser abertos ou fechados individualmente ou como uma unidade única de acordo com a vontade do utilizador e em resposta a condições ambientais como o vento, a chuva e a luz solar direta.

A solução, que venceu o primeiro prémio – com direito a um “cheque” no valor de 1.200 euros – na categoria “microarquitetura” no concurso “Textile Structures for New Building”, uma parceria entre a Techtextil e a associação TensiNet (ver 20 prémios no primeiro dia), é o resultado da tese de mestrado em Construção e Reabilitação Sustentável da jovem arquiteta brasileira na Universidade do Minho, sob o tema “Desenvolvimento de uma estrutura arquitetónica têxtil inteligente e ativa em flexão”.

«Tive uma aula com o professor Raul Fangueiro e ele cativou-me, com conceitos que eram completamente novos para mim. Nunca tinha ouvido falar em arquitetura cinética, nunca tinha ouvido falar em estruturas ativas em flexão e tinha ouvido falar pouco de estrutura de membranas», confessa Luani Costa ao Portugal Têxtil. «Ele desafiou-me a sair da minha zona de conforto», sublinha.

Além de Raul Fangueiro, como orientador, Luani Costa contou ainda com o know-how em engenharia civil de Luís Ramos, coorientador, no desenvolvimento da solução. «Para a membrana funcionar, para ser uma estrutura e resistir às forças tem de estar tensionada», explica Luani Costa sobre o contributo de Luís Ramos. Para tal, a arquiteta inspirou-se na folha de uma planta para criar nervuras que permitem que «quando a estrutura muda, a membrana continue tensionada em todas as etapas de transformação, porque tem de manter a resistência mesmo quando está aberta», acrescenta.

Um desenvolvimento que prima pela originalidade e que impressionou o júri do concurso pelo «desenho estrutural, que é ao mesmo tempo simples e claro. Como consequência, a sua viabilidade técnica parece ser muito boa».

Prova disso parece ser um primeiro contacto que Luani Costa já recebeu ontem – no mesmo dia em que recebia o prémio em Frankfurt – de um gabinete português de arquitetura para uma possível aplicação, na prática, da solução estrutural num empreendimento. «Viu a notícia do prémio, que já foi muito divulgado», presume a arquiteta.

Luani Costa vai, contudo, continuar a investigação – em paralelo com o trabalho num gabinete de arquitetura em Valongo – com a realização do doutoramento para uma maior especialização na área das membranas. Entre os objetivos do doutoramento – para o qual se candidatou a duas bolsas no Brasil e uma em Portugal – estão o desenvolvimento de protótipos, ensaios experimentais e integração de materiais inteligentes, como polímeros luminescentes e cromáticos, que permitam mudar a cor e a iluminação, aplicação de células solares para aproveitamento de energia e funcionalização da fachada com características como autolimpeza.

«A partir do momento em que obtive conhecimento destes materiais e destes princípios estruturais, que dão muita liberdade e a possibilidade de criar várias coisas de formas completamente diferentes do que estava a estudar e a fazer, tenho hoje uma liberdade muito maior de criação como arquiteta, de pensar além do que me foi mostrado no curso de arquitetura», afirma Luani Costa ao Portugal Têxtil.