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Têxtil reciclado

Apesar de poucas pessoas o saberem, uma boa parte da roupa que vestimos possui fio reciclado e muitos dos colchões em que dormimos ou dos estofos onde nos sentamos têm enchimentos completamente reciclados. Ainda sem dados concretos por parte do Instituto dos Resíduos, todos os dias recolhedores e recicladores de resíduos têxteis retiram uma apreciável quantidade de matérias-primas, que antes eram condenadas ao aterro ou à queima. Um industrial do Vale do Ave confessa ao Jornal de Notícias (JN), que «antes de entregar ao recolhedor os meus resíduos, queimava-os num pátio ao lado da fábrica». Só em aparas de tecido da sua confecção eram, pelo menos, 13 toneladas por ano. Este valor, multiplicado por milhares de fábricas é grave, julgando pelos efeitos ambientais e pelo desperdício de matérias-primas. Na sua maioria, depois de reciclados, estes desperdícios recolhidos voltam ao ciclo têxtil, alimentando, por exemplo, a indústria do artesanato de mantas e tapetes, mas também serve para fazer fios novos ou pasta de enchimento de colchoaria e estofos. Aqui, reintroduz-se no processo das fibras que estão presentes em pedaços de tecidos que sobram do corte das peças de vestuário a confeccionar. No que diz respeito à fiação a partir de resíduos, a selecção é mais criteriosa, sendo necessário separar os resíduos não só por cores mas, também, pela qualidade das fibras. Assim, nem todos são aceites e por isso vão para o aterro ou para o fabrico da pasta. No entanto, a maior parte destes desperdícios é exportada, explica ao JN João Ribeiro, da Trofa, situação que se deve também às dificuldades enfrentadas no mercado interno, confessam os industriais. «Tenho 300 toneladas de matéria-prima dentro da fábrica e receio ter de suspender a compra dois ou três meses, pois há dificuldades em vender», afirma Luís Silva, fiador reciclador da Covilhã, com dificuldade em aguentar a sua produção mensal de 500 toneladas.