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Texworld em contagem decrescente

Milhares de visitantes deverão encher os corredores do centro de exposições Paris le Bourget, de 10 a 13 de fevereiro, para descobrir as tendências para a primavera-verão 2021 e a oferta de cerca de 750 expositores internacionais, entre os quais estão duas empresas portuguesas.

A Texworld Paris integra o The Fairyland For Fashion, um conjunto de seis certames organizados pela Messe Frankfurt France, onde se incluem ainda a Apparel Sourcing, dedicada ao aprovisionamento de vestuário, a Avantex, concentrada em tecnologias inovadoras e desenvolvimento sustentável, a Leatherworld, para materiais flexíveis, a Shawls & Scarves, com lenços e acessórios, e a Texworld Denim, devotada ao universo do jeanswear,

Respiração

«Ao monitorizar o mercado tão de perto ao longo dos anos, a Messe Frankfurt France está numa posição para desenvolver um ecossistema altamente eficiente dedicado à indústria da moda, onde os principais players podem encontrar-se e descobrir as valências dos produtores e o know-how artesanal de todo o mundo», afirma Michael Scherpe, presidente da Messe Frankfurt France. «Sempre foi o meu objetivo dar aos nossos visitantes muito mais do que feiras têxteis. Por outras palavras, fazermos o máximo para promover o negócio, claro, e encontrar produtos que podem ser descobertos noutros sítios, mas também dar espaço para inspiração e expressão, graças ao trabalho em curso nas tendências e eventos especiais», revela.

Durante quatro dias, os visitantes desta The Fairyland For Fashion, podem, além de conhecer as propostas de cerca de 1.330 expositores nos seis certames – incluindo, na Texworld, as empresas portugueses 6Dias Têxteis e Modelmalhas –, participar num conjunto de eventos paralelos, como conferências e mostras de tendências.

Tendências visionárias

Contemplação

As tendências da Texworld Paris, pensadas pelos diretores criativos da feira, Louis Gérin e Grégory Lamaud, para os tecidos da primavera-verão 2021, estão, de resto, em destaque. «Para nós, o artista é o centro da criação, cristaliza as dúvidas e as esperanças das nossas civilizações. É por isso que parece que o artista é dono da verdade. Não a verdade absoluta, que provavelmente não existe, mas a verdade em relação a uma visão do mundo. Há muitos visionários neste mundo, cabe a cada pessoa lê-los da sua própria forma», escrevem no caderno de tendências, batizado Setback Trendbook.

Para a primavera-verão 2021, Gérin e Lamaud apontam quatro inspirações, batizadas Respiração, Abnegação, Contemplação e Evolução, uma espécie de percurso do homem pela natureza.

Abnegação

A primeira, Respiração, implica a consciência dos problemas que o Planeta enfrenta e que vão obrigar a Humanidade a mudar. «Agora que o ar está a esgotar-se, percebemos. Vamos ter de salvar este milagre. Inspirar uma última vez antes de mergulhar nas águas profundas. À nossa volta, a natureza está a arder, a sufocar também. A vida está em liberdade condicional», explicam os diretores criativos. Os tons associados fazem também esta viagem, dos cinzentos aos amarelos, passando pelo laranja e pelo rosa, até ao roxo.

Contemplação serve como segunda inspiração. «A vida existe há quase quatro mil milhões de anos. Perfeita. Equilibrada. Simplesmente bonita. É preciso contemplar para perceber», resumem Gérin e Lamaud. Os rosas dão início à paleta desta tendência, numa espécie de continuação da tendência anterior, que evolui para os azuis e termina nos verdes vegetais.

Evolução

No terceiro momento, Abnegação faz o ato de contrição. «Paramos para respirar. Abrimos os nossos olhos para contemplar. Libertos das nossas ambições mortais, finalmente olhamos com humildade. E estamos envergonhados. Finalmente vemos que as nossas criações, mesmo as mais bonitas, apenas sujaram a natureza perfeita», consideram, apontando a vontade de tornar menos visível a presença humana no mundo. Os tons são, por isso, pastéis, discretos, até chegar às tonalidades mais arroxeadas e a uma cor a lembrar as sombras e a penumbra.

Evolução é a quarta e última tendência, numa antevisão do que será o amanhã, «longe de utopias. Sem fogo de artifício humano. Um arco-íris de cores. Sóbrias e funcionais. Um ambiente de humildade. Onde o ser humano existe, mas discretamente. Onde encontra o seu lugar novamente», explicam os designers no caderno de tendências. Os cinzentos, dos mais claros aos mais escuros, são os protagonistas desta paleta, dividindo as atenções com quatro tons de azuis, do celestial ao marítimo.