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Texworld Evolution Paris mais internacional

A feira de tecidos sob a chancela da Messe Frankfurt France, cujas tendências exploraram o tema 24H01, contou com mais visitantes estrangeiros e, pela segunda vez, com um espaço inovador dedicado aos expositores da Texworld que, face às restrições vigentes, não puderam estar presentes fisicamente.

Nos três dias da feira de tecidos da Messe Frankfurt France, que decorreu no passado mês de julho, cerca de 3.700 visitantes, dos quais 83% estrangeiros, sobretudo de países europeus, mas também da Turquia e dos EUA, percorreram os stands dos cerca de 400 expositores presentes na Texworld Evolution Paris.

Também ao nível dos nomes a expor, a feira de tecidos ficou marcada pelo regresso dos expositores da China, embora nem todos presencialmente. Entre as 140 empresas chinesas, 45 estiveram agrupadas, com uma representação virtual, no espaço Source in China, uma plataforma organizada em parceria pela Foursource – parceira digital da Messe Frankfurt France – e entidades chinesas.

Nicolas Gouguenheim e Fiona Yu

«Neste momento, os fornecedores chineses não podem vir, por isso este conceito é, definitivamente, muito útil para os fornecedores chineses ainda poderem promover os seus produtos», explicou Fiona Yu, consultora principal da YDM Consultants, a trabalhar para a associação chinesa CCPIT Tex, ao Jornal Têxtil. Com «muitos fornecedores de diferentes áreas da China e grupos de produtos muito variados», o espaço agradou aos visitantes, segundo Fiona Yu. «Muitos compradores estão contentes por conseguirem encontrar os produtos chineses aqui», acrescentou.

De acordo com Susi Altrichter, diretora de inovação e parcerias da Foursource, a integração desta vertente phygital – em que os visitantes podem fazer no local a digitalização do QR Code de um produto e saber mais sobre o mesmo e a empresa que o produz – permite «dar aos fornecedores a oportunidade de exporem na feira quando não podem estar fisicamente presentes», bastando, para isso, fornecerem amostras de produtos e informação sobre as empresas, que são representadas por agentes da Foursource.

Susi Altrichter

«Vai tornar-se inevitável combinar e encontrar o melhor da experiência física e digital e é isso que estamos a fazer», revelou ao Jornal Têxtil, adiantando que «os compradores estão muito abertos [a esta forma de interação] e estão muito satisfeitos por verem quão fácil é entrar em contacto com os fornecedores».

Para Nicolas Gouguenheim, diretor da Texworld Evolution Paris, «encontramos na Foursource um parceiro que nos permite estabelecer relações diretas entre os compradores e os produtores», pelo que o espaço «é muito útil», embora deva terminar quando os expositores puderem estar todos presentes, «porque os compradores e os expositores preferem sempre o contacto direto presencial» afirmou ao Jornal Têxtil.

Tendências 24H01

Esta edição da feira ficou ainda marcada pelo fórum de tendências, que para o outono-inverno 2023/2024 avançou com o tema 24H01. «Traduz a grande mudança trazida pelas redes sociais, pelo digital, tudo o que é virtual. Os jovens estão talvez um pouco demasiado conectados e quase se esquecem que é preciso ver o mundo real e o que se passa, que é preciso tocar nos tecidos», avançou, ao Jornal Têxtil, Louis Gérin, diretor criativo, juntamente com Grégory Lamaud, da Texworld Evolution Paris.

Grégory Lamaud e Louis Gérin

As tendências refletem igualmente o mundo em mudança, especialmente após a pandemia e face à emergência climática. «Há grandes mutações», tanto no consumo como na produção, reconheceu Grégory Lamaud.

O fórum dividiu-se em quatro temas – meta babes, digital swipers, lost transitioners e silver boomers – que combinam o presente, o passado e o futuro, ilustrados por artigos dos expositores presentes na feira, que, acredita a dupla de designers, têm vindo a evoluir em sentido positivo ao longo dos 14 anos em que são responsáveis pela direção criativa do certame.

«Há uma evolução ao nível da qualidade, nomeadamente nas empresas asiáticas, os turcos estão cada vez mais fortes, sobretudo na malha e no sportswear. Há cada vez mais diversidade e mesmo ao nível de subida de gama, é cada vez mais interessante», considera Grégory Lamaud. E com as mudanças em curso na forma de fazer têxteis e vestuário, especialmente no que diz respeito às questões ligadas à sustentabilidade, a Texworld Evolution Paris será «a plataforma ideal para mostrar tudo isso no futuro» acredita.