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Texworld Paris espelha mercado

A feira francesa de tecidos mostrou que a Teoria de Darwin se aplica também ao mundo dos negócios e que a adaptabilidade é chave. Mais de 1.000 expositores encheram o parque de exposições Le Bourget e apostaram em pequenas séries para ganhar novos clientes entre os quase 15.000 visitantes profissionais.

O consumo de moda está em mudança e, com ele, a forma como as marcas e os retalhistas de moda se aprovisionam. Esta tendência refletiu-se na última edição da Texworld Paris, que decorreu de 16 a 19 de setembro, onde a organização, a cargo da Messe Frankfurt France, impulsionou um percurso dedicado às pequenas quantidades. «Trata-se de chegar a um outro público, que produz em pequenas séries: os criadores, as marcas jovens, os distribuidores de coleções-cápsula, que se multiplicam. No início da criação desta zona, os nossos visitantes estavam menos sensíveis para isso. Agora perceberam que é o futuro, em linha com a durabilidade e a exclusividade», explica Michael Scherpe, presidente da Messe Frankfurt France.

Não foram apenas os produtores de proximidade que se renderam à evidência deste futuro com quantidades mais reduzidas. As empresas asiáticas que estiveram a expor na Texworld Paris também já oferecem a possibilidade de comprar menos e com maior flexibilidade. A chinesa Puzhuo Textile reduziu a encomenda mínima para 2.000 metros por cor – o valor mínimo habitual para compras na China varia entre 10 mil e 100 mil metros, segundo o Journal du Textile – e a indiana Arihant Creative Textiles, que fornece marcas europeias de gama alta com desenhos exclusivos e se estreou no certame parisiense, admitiu compras tão baixas quanto 50 metros.

Uma adaptação que permitiu, segundo a organização, que os negócios continuassem a fluir no salão de tecidos, apesar da ligeira redução do número de visitantes (menos 231), que se ficou pelos 14.862, face a setembro de 2018, com 15.075. «O mercado está difícil mas os que têm produtos e capacidades atrativos foram capazes de tirar o máximo proveito da situação. Apesar do menor tempo gasto pelos visitantes, as pessoas que visitaram ainda deram conta de ótimos negócios. Há uma explicação para isto: os expositores nas nossas feiras estão a adaptar-se, cada vez mais, às exigências do mercado e a tornarem-se ainda melhores a fazê-lo», afirma Michael Scherpe. «Notámos que vários dos nossos expositores adaptaram-se para responder às necessidades dos clientes, que querem colocar encomendas para quantidades mais pequenas», revela o presidente da Messe Frankfurt France.

Uma abordagem corroborada por vários compradores que afluíram à Texworld Paris. «A feira permite encontrar soluções de tecidos e materiais que são os certos para mim», considera Agathe Coudert, diretora da Apostrophe George Rech Paris, que acrescenta que «o trabalho feito antes das feiras para o processo de pré-seleção fornece uma vista geral e poupa imenso tempo». Já para Lamine Kouyaté, diretor artístico da marca Xuly Bët, a Texworld Paris «dá uma indicação da atual situação nos têxteis e das estratégias adotadas» pelos grandes players.

Avantex verde

A sustentabilidade foi também uma das áreas mais notadas na Texworld Paris, que contou com cerca de 80 fornecedores com produtos certificados GOTS, Organic Exchange ou Bluesign, devidamente identificados pela organização consoante as suas credenciais. Esta onda verde disseminou-se pela Avantex, a feira que decorre em paralelo, dedicada às novas tecnologias para a moda e o retalho.

Na mostra “Biofabrication in Fashion” estiveram em exposição exemplos de matérias-primas otidas a partir de bactérias ou leveduras, produzidas pelo coletivo Open BioFabrics, que reúne empresas de biotecnologias e designers.

«No que me diz respeito, quero que a fast fashion fique aberta a usar procedimentos mais amigos do ambiente, mas também quero inspirar grupos de cosmética em termos de investigação e desenvolvimento e informar os jornalistas, professores e estudantes em escolas de moda sobre os progressos feitos na bioprodução», justifica Sabrina Maroc, fundadora do coletivo, em relação à exposição.

A Avantex contou com 26 expositores de diferentes países, com inovações ao nível dos materiais, que integram não apenas matérias-primas mais sustentáveis mas também funcionalidades distintas. A Chinastar Reflective Material, produtora de materiais iridescentes e refletores, foi uma das expositoras. O mesmo aconteceu com a Long Xing Long Printing & Knitting Industry, que mostrou um casaco que mudava de cor em função da temperatura e uma bolsa que mudava a cor das fotos. «Tentamos sempre fazer o nosso melhor para fazer luz sobre os tópicos mais importantes, como desenvolvimento sustentável ou rastreabilidade, que aumenta as expectativas dos consumidores finais, e a edição desta estação não foi diferente. Mais uma vez comprova o objetivo de que esta feira junte a investigação e a indústria num único local, para que a indústria da moda se possa desenvolver na direção certa», assume Michael Scherpe.

A próxima edição da Texworld Paris está agendada de 10 a 13 de fevereiro de 2020.