Início Notícias Retalho

The Feeting Room sem limites para o futuro

A concept store portuguesa que promove marcas emergentes e independentes inaugurou o terceiro espaço na Foz do Porto, onde vai pôr à prova um novo segmento. A The Feeting Room está também focada na internacionalização e no futuro, além de aumentar a presença online, quer atingir os 14 milhões de euros em 2024.

House of Labels [©The Feeting Room]

A concept store portuguesa aumentou pela terceira vez a presença no retalho físico com a abertura de mais uma loja que inclui duas salas e um terraço exterior. Desta vez, o espaço escolhido foi uma mansão no jardim do Passeio Alegre denominada de “House of Labels”.

A The Feeting Room, que disponibiliza produtos nas mais variadas áreas, como calçado, vestuário, acessórios e joalharia, de mais de 100 marcas nacionais e internacionais, vai, neste novo formato, pôr à prova o segmento de criança, dada a afluência significativa de parcerias que surgiram neste sentido. «A aposta no mercado infantil já se encontrava a ser considerada há aproximadamente um ano. O que despoletou a decisão foi a quantidade crescente de marcas do segmento a solicitar parceria com a TFR (The Feeting Room) e também a oportunidade de criar para esta uma zona exclusiva na nossa nova localização», explica Edgar Ferreira, cofundador da The Feeting Room. «Esta diferenciação vai permitir-nos aferir com mais certeza a validade da aposta. Esperamos que este “subprojeto” seja sustentável e permita, quem sabe, considerar um “spin-off” da TFR dedicado exclusivamente ao mercado infantil», explica ao Portugal Têxtil.

House of Labels [©The Feeting Room] 
O espaço na Foz do Porto foi pensado para que as marcas parceiras posam ter um papel ainda mais substancial, motivo pelo qual a nova loja conta com uma «seleção aprimorada» de 36 marcas, de forma a que cada uma possa expressar individualmente o respetivo conceito e história.

Para o mais recente projeto da The Feeting Room foi também estabelecida uma parceria com o Negra Café, especialista em brunches e comfort food, para explorar uma parte do espaço e, deste modo, «incrementar a experiência» do consumidor. «As TFRs da baixa do Porto e do Chiado já contam com uma parceria semelhante, mas na área da cafetaria, com a SO Coffee Roasters. Quando avaliamos a possibilidade de avançar para o Passeio Alegre, definimos logo à partida que pretendíamos incorporar uma experiência de consumo ainda mais envolvente, com uma oferta mais ampla e que se adequasse perfeitamente ao potencial do espaço do Passeio Alegre. O Negra Café foi uma solução fácil, até porque partilhamos com eles o espírito empreendedor e disruptivo», assume Edgar Ferreira.

Internacionalizar na Europa Central

A empresa, que soma agora duas lojas no Porto e uma Lisboa, está pronta para avançar com o plano de internacionalização que, entre outros objetivos, prevê a abertura de dois novos espaços a nível internacional. «Neste momento, e após a abertura deste terceiro espaço, estamos totalmente focados em sair da pandemia mais preparados que nunca, para que consigamos implementar o projeto de internacionalização e de incremento das compras captadas através da nossa plataforma online», admite. «Estamos a estudar a implementação do projeto na Europa Central (Áustria, Alemanha, Holanda) e definimos estes mercados por uma série de razões: o ecossistema local de marcas independentes; os índices de turismo; o rendimento médio da população; o consumo médio em moda per capita; o benefício na distribuição online para o resto da Europa, entre outros», enumera o cofundador da The Feeting Room, que vende maioritariamente em Espanha, França, Reino Unido, Alemanha, Holanda e EUA e conta com uma quota de 40% no mercado nacional.

House of Labels [©The Feeting Room] 
Assim como em muitos outros modelos de negócio, o e-commerce «absorveu uma parte substancial do consumo durante a pandemia», uma vez que entre março e junho a faturação online da concept store cresceu 140% comparativamente com o ano anterior. «Os efeitos negativos do surto de Covid-19 prenderam-se diretamente com a quebra total da operação nos canais de distribuição físicos. Apesar dos apoios do estado, foi complicado manter e gerir uma estrutura de custos fixos elevada quando a faturação resultante desses recursos foi nula. Indiretamente, e como o nosso modelo de negócio assenta num esforço conjunto e contínuo entre todos os parceiros, o encerramento afetou também individualmente cada um deles, provocando perdas de rentabilidade para todos», reflete Edgar Ferreira. «Esta transição do consumo para o online irá, na nossa opinião, provocar uma mudança parcial nos hábitos futuros. Não acreditamos que o retalho físico vá desaparecer. Pelo contrário, cremos que se transformará numa oportunidade importante para uma alteração no paradigma da relação marca – retalhista – consumidor, e preparamos, desde o início, a TFR para essa nova realidade. O futuro será de quem conseguir implementar uma visão omnicanal integrada e transversal», acredita.

Negociações em curso

Em 2019, a faturação da The Feeting Room aumentou e atingiu os 1,4 milhões de euros. Contudo, apesar de 2020 ter começado de forma positiva, a pandemia veio alterar as expectativas. «Apesar do ano de 2020 ter começado com crescimento, em termos anuais, de 27% na totalidade dos nossos canais de distribuição, o impacto da Covid-19 fez-se sentir de forma significativa. O nosso mais recente plano de contingência prevê uma quebra de aproximadamente 30% em relação a 2019», revela.

Ainda assim, a crise de saúde e a imprevisibilidade do futuro que se avizinha não vão adiar os planos da concept store, que pretende alcançar uma receita de 14 milhões de euros em 2024. «O projeto de internacionalização assenta principalmente em dois pilares: o investimento em dois novos espaços físicos e uma considerável aposta no online. O objetivo é que em 2024 os espaços de retalho físicos sejam responsáveis por 40% da faturação e o online por 60%. Apesar da imprevisibilidade, acreditamos que a TFR e o seu modelo de negócio está mais bem preparado para o futuro e vemos nisso uma oportunidade. Podemos atrasar-nos a chegar lá, mas eventualmente chegaremos», refere Edgar Ferreira.

House of Labels [©The Feeting Room] 
A plataforma portuguesa nasceu em 2015 com o objetivo de quebrar o paradigma da criação de valor no retalho e democratizar o acesso ao talento emergente e à vaga de marcas independentes que têm dificuldade em marcar presença nas localizações premium de retalho. «Esta ligação com os parceiros vem criando sinergias e uma valorização que mesmo nós, no início, não tínhamos ponderado, o que prova que a falha na oferta e a oportunidade estavam lá. No entanto, no fim de contas, o que torna a TFR única são as marcas que partilham esta aventura connosco e as equipas que, em backoffice ou nas lojas, todos os dias as fazem chegar aos nossos clientes», destaca.

Cinco anos depois do lançamento do projeto, a The Feeting Room não esconde os vários objetivos que tem para concretizar no futuro, assim como as novidades que estão por vir. «Posso adiantar que estamos em negociação com uma cadeia de hotéis internacional para a implementação de um espaço-piloto numa das suas localizações. Se o projeto avançar e for bem-sucedido, poderemos alargar às restantes», desvenda Edgar Ferreira.