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Tiajo cresce na internacionalização

A empresa especialista em tecidos para vestuário de trabalho Tiajo tem vindo a somar vendas nos mercados externos, devendo atingir, este ano, uma quota de exportação de 50%, numa estratégia de crescimento alavancada em feiras, como a Techtextil, e, sobretudo, no desenvolvimento de produtos inovadores.

Jorge Silva

Os primeiros passos na internacionalização da Tiajo começaram a ser dados há mais de uma década, mas foi nos últimos anos que as vendas aos mercados externos aceleraram e, em 2022, a expectativa é que a taxa de exportação supere os 50%. «No final deste ano estimávamos estar dentro dos 40% de exportação, mas os números indicam que vamos ultrapassar esse valor e até os 50%. É um número bastante bom, considerando que há 12 anos a percentagem de exportação da Tiajo era praticamente nula», afirma Jorge Silva, gestor comercial da empresa.

O mercado europeu é, para já, o único destino dos tecidos desenvolvidos pela empresa. «Há 14 anos, surgiram as primeiras vendas em termos de exportação com a nossa vizinha Espanha. Depois, quando percebemos efetivamente que tínhamos capacidade, que tínhamos um produto competitivo para poder proliferar para outros mercados, fomos construindo uma equipa e um processo que nos permitisse crescer de uma forma sustentável, que é muito importante», revela ao Portugal Têxtil.

Nesta estratégia cabe a presença em feiras, encabeçada pela A+A, em Düsseldorf, mas também a Expoprotection Sécurité, em Paris, a SICUR, em Madrid, e, mais recentemente, a Techtextil, em Frankfurt, onde se estreou na mais recente edição, que teve lugar em junho. «Tínhamos já bastante curiosidade relativamente a esta feira, porque estamos dentro dos artigos técnicos, no entanto, tínhamos subestimado um pouco, porque pensávamos que era uma feira mais especializada em determinados artigos que não para vestuário», esclarece Jorge Silva.

Inovação e diversidade

A oferta da Tiajo está voltada para o vestuário de trabalho, com uma grande variedade de tecidos que podem ter múltiplas aplicações. «Conseguimos ter soluções para praticamente todos os sectores do vestuário de trabalho», garante o gestor comercial, embora a coleção não esteja segmentada por utilização final, «porque não queremos limitar o cliente. Estamos constantemente a ser surpreendidos relativamente à utilização final dos nossos produtos», aponta. «Temos artigos que vão da hotelaria até ao vestuário para bombeiros e para as fardas da Polícia de Segurança Pública», acrescenta.

As mais recentes novidades estão ligadas à sustentabilidade, nomeadamente tecidos que respeitam as certificações Organic Content Standard e Global Recycled Standard, mas também à inovação, com um «artigo de alta tenacidade que serve para aplicações na zona das joelheiras e das cotoveleiras, pensado para pessoas que andam de joelhos no trabalho ou têm os cotovelos em contacto com alguma superfície, o que causa mais desgaste ao tecido. O nosso artigo Shell é aplicado nestas áreas para que não exista tanto desgaste, dando uma maior durabilidade ao uniforme», explica Jorge Silva.

O desenvolvimento de produto é, de resto, uma prioridade para a empresa. «Temos uma necessidade, e os nossos clientes, neste momento, também já esperam isso de nós, de introduzir novos produtos no mercado e o nosso foco neste momento é exatamente esse: em vez de estarmos à espera que a necessidade surja por parte do nosso cliente, tentamos criar essa necessidade do lado do mercado, com sugestões atrativas, não só a nível funcional, como também a nível de preço, porque este mercado é bastante competitivo», salienta.

Quanto à produção, é subcontratada no Oriente. «Fazemos o desenvolvimento dentro de portas e fazemos o controlo de qualidade. A esmagadora maioria dos nossos tecidos não são feitos em Portugal, não por uma questão de vontade, mas porque não existem, neste momento, soluções e capacidade para produzir este tipo de artigos em Portugal», justifica o gestor comercial.

Boas perspetivas em 2022

O modelo de negócio da Tiajo, que funciona essencialmente em regime de stock service, tem sido particularmente afetado pelo aumento dos custos e das dificuldades relacionadas com os transportes, tendo obrigado a um aumento da quantidade de artigos armazenados. «Estamos a falar num aumento de 20% a 30%», indica Jorge Silva, o necessário para «não termos rutura de stocks, até porque os clientes estão habituados a pedir hoje uma encomenda e tê-la amanhã, às vezes até no próprio dia, dependendo da localização do cliente».

Com novas instalações modernas, para as quais se mudou no ano passado, e uma equipa de cerca de 20 pessoas, a Tiajo registou em 2021 um volume de negócios de 16 milhões de euros, um valor que deverá subir este ano. «Vamos crescer, nem que seja pelo aumento de preço», assume, em tom de brincadeira, o gestor comercial. «Só por essa vertente já tínhamos o crescimento assegurado, porque, comparativamente ao ano passado, os preços estão quase 40% mais altos, pelo menos no nosso caso. Mas numa análise mais realista no sentido da evolução do próprio mercado, também iremos ter algum crescimento. Ainda é muito cedo para falar desses valores, mas acho que temos todas as condições para que isso aconteça», considera Jorge Silva.

No entanto, o gestor comercial mantém alguma prudência. «As coisas até podem ter corrido bem durante este primeiro semestre, mas temos de aguardar para ver o que nos espera relativamente ao segundo semestre, porque ao contrário de muitas empresas, não trabalhamos com base em produções fechadas para os próximos meses – trabalhamos muito no dia a dia, consequência do nosso tipo de serviço. E, por isso, de um mês para o outro isto pode mudar completamente. A instabilidade é tão grande que temos que ter os pés bem assentes no chão, manter a humildade, trabalhar e os resultados irão surgir de certeza», acredita.