tica comprometida? – Parte 1

A última década foi marcada por enormes avanços no comércio e no consumo ético, com diversos retalhistas e marcas a colocarem o bem-estar dos trabalhadores no centro das suas cadeias de fornecimento. Mas serÁ que este foi apenas um luxo de uma economia florescente? Com o repensar da agenda de negócio, a recessão iminente e muitas empresas a lutar pela sobrevivência, o desafio actual é certificar-se de que a responsabilidade social não é apenas uma questão de conveniência financeira. Os especialistas da indústria estão a instar as empresas para que continuem a colocar a ética comercial no topo das suas prioridades, afastando os receios de que os avanços conseguidos na última década podem estar entre as vítimas da crise mundial no crédito. Neste mercado incerto, com a crise do crédito aparentemente sem solução, a recessão a apertar os consumidores e muitas empresas sob pressão, é fÁcil imaginar que o compromisso com a ética comercial possa deslizar», sustentou Phil Wrigley, presidente executivo da New Look, durante uma recente conferência em Londres para marcar o décimo aniversÁrio da ETI (Ethical Trading Initiative), uma iniciativa multilateral que visa melhorar as normas laborais nas cadeias de fornecimento. Mas serÁ que a negociação com integridade e fazer o que estÁ certo devem estar dependentes de bons tempos ou de quando é financeiramente conveniente?». Wrigley acredita que quando as pessoas se encontram sob pressão económica, tendem a pensar na auto-preservação e um pouco menos nos outros. O desafio para nós é o de demonstrar que o compromisso social em todo o mundo não é uma questão de comodidade financeira e redobrar os nossos esforços, porque à medida que as pressões económicas se consolidam, são as pessoas mais desfavorecidas que mais sofrem». Alan Roberts, presidente do ETI, do qual fazem parte 52 retalhistas e marcas como a Tesco, Sainsbury’s, Gap e Marks & Spencer, bem como sindicatos, instituições de caridade e grupos activistas, refere que, ao longo dos tempos difíceis que provavelmente se aproximam, as exigências sobre os retalhistas para praticarem o comércio ético vão crescer e não diminuir. A falta de regulamentação tem sido um dos maiores contributos para a crise financeira mundial», sublinha. Apesar das evidências demonstrarem que os compradores, perante a perspectiva de recessão, queda no valor dos bens imobiliÁrios, o recente colapso financeiro e os receios de perder os seus empregos estão a cortar nas compras de bens não essenciais, tais como vestuÁrio, Roberts afirma que ainda estão preocupados com as normas éticas. Mesmo que os consumidores comprem menos, continuam a querer saber se as pessoas não são exploradas no fabrico desses produtos», acrescenta o presidente do ETI. Roberts também salienta que o impacto da recessão nas cadeias de fornecimento vai resultar no corte de encomendas, na falência de fornecedores e na falta de crédito para financiar novas aquisições de materiais. Mas as empresas com cadeias de fornecimento a trabalhar em conjunto são as que vão seguir em frente», advoga. No entanto, com as sombrias perspectivas para as vendas no retalho durante a época natalícia, existem também preocupações reais, de acordo com Dan Rees, director da ETI, de que o actual clima económico ameaça todos os ganhos que conseguimos». Esta questão vai ser aprofundada na segunda parte deste artigo.