Início Notícias Têxtil

Tingimento com insetos e plantas

No México, os artesãos tradicionais estão a produzir cores vivas com insetos esmagados e plantas florestais, oferecendo assim uma alternativa amiga do ambiente aos produtos químicos utilizados nos processos de tingimento da indústria têxtil.

Em muitos países, os artesãos estão a concentrar-se cada vez mais nos corantes naturais, tanto como tentativa de revitalizar tradições, como em resposta às preocupações com o impacto dos corantes sintéticos para o ambiente e saúde, notícia o The New York Times.

Os corantes naturais, embora mais caros e mais difíceis de trabalhar do que os corantes que os substituíram, produzem cores mais vivas e são mais seguros e amigos do ambiente do que os seus homólogos sintéticos.

No entanto, os pigmentos naturais nem sempre são benignos. As plantas dos quais são extraídos podem ser venenosas e os metais pesados são frequentemente usados para acertar as cores do tecido. Os corantes naturais também desvanecem mais rapidamente com a exposição solar do que as cores obtidas através dos compostos sintéticos, tornando os tecidos menos sustentáveis.

A alternativa mexicana

A aldeia de Teotitlán del Valle, a 31 km da cidade mexicana de Oaxaca, há muito que é reconhecida como polo de tecelagem – existem mais de 2.000 teares na aldeia.

«Praticamente todos em Teotitlán del Valle têm um conhecimento profundo e detalhado de tecelagem e tingimento, e tudo o que está relacionado com isso», escreveu o neurologista e botânico amador Oliver Sacks, no livro “Oaxaca Journal”.

Atualmente, cerca de 75% dos 5.600 habitantes de Teotitlán estão envolvidos em algum aspeto da tecelagem.

«Todas as famílias têm uma receita própria e fazem o seu processo de tingimento de forma diferente», explicou Norma Schafer, do blogue Oaxaca Cultural Navigator.

Neste âmbito, Porfirio Gutiérrez e a família decidiram dar um passo ambicioso e fundar um estúdio de tecelagem próprio para criar peças que utilizam apenas corantes naturais, ensinando outros como consegui-lo.

A irmã, Juana Gutiérrez Contreras, é mestre de tingimento, combinando sete ou oito elementos naturais para produzir mais de 40 cores. O seu marido, Antonio Lazo Hernandez, é tecelão e ajuda a desenvolver os designs têxteis.

O alúmen de potássio, mineral encontrado nas montanhas circundantes de Oaxaca, é usado como mordente, fixando o corante à fibra. Além das plantas colhidas nas montanhas, a flora comum em jardins locais – o sapote preto (espécie de diospiro) e a romã, por exemplo – também é usada como corante.

Os pigmentos índigo e cochonilha, por seu lado, são adquiridos noutros lugares.

A planta de anil cresce, sobretudo, na parte sul do estado de Oaxaca. Quanto à cochonilha, são necessários milhares de insetos secos para produzir apenas meio quilo de corante. Apenas as fêmeas produzem o ácido carmínico responsável pela intensa cor vermelha.

O estúdio da família de Porfirio Gutiérrez compra o pigmento a famílias que cultivam os catos que hospedam esses insetos.

A família está também a compilar um livro de receitas de tingimento, fórmulas passadas durante séculos de geração em geração.

Gutiérrez contribuiu inclusive com amostras para a Forbes Pigment Collection do Harvard Art Museum e, no ano passado, com uma bolsa do Artists Leadership Program do National Museum of the American Indian realizou um workshop de quatro dias em Teotitlán para 15 jovens tecelões, ensinando-lhes a ciência dos corantes naturais.

Em julho, o trabalho de Gutiérrez foi apresentado na secção de inovação do International Folk Art Market, em Santa Fé, Novo México.

«O que minha família e eu estamos a fazer é continuar uma forma de arte e honrar o trabalho que os nossos antepassados começaram», afirmou. «Penso que depois das pessoas aprenderem mais sobre estes processos, vão começar a apoiar este mercado e, assim, ele vai continuar», acrescentou.