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Tintex tinge com cogumelos

Batizado PICASSo, o novo projeto de I&D da Tintex está a desenvolver corantes orgânicos multifuncionais provenientes de cogumelos e plantas. Realizado em parceria com o CeNTI, o CITEVE, a Bioinvitro e a Ervital, o PICASSo vai trazer 25 a 30 cores para o mercado, a que se juntam propriedades funcionais.

O PICASSo é o digno sucessor do projeto COLORAU – onde foram desenvolvidos tingimentos com extratos naturais – e prevê um investimento um total de 816 mil euros, sendo 591 mil euros de financiamento do Feder, através do Compete 2020.

«Agora, além dos extratos vegetais vamos também ter cogumelos e além da coloração, vão também dar efeitos funcionais como antioxidantes e antimicrobianos», revela, ao Portugal Têxtil, Mário Jorge Silva, administrador da Tintex, sobre o projeto, que começou em outubro do ano passado e se prolonga até 2019.

«Vai trazer têxteis coloridos com extratos naturais com solidez à luz e à lavagem, que é uma das principais limitações deste tipo de tecnologia. No COLORAU, a questão da paleta de cores estava um bocadinho restrita, agora vamos alargar o número de cores», destaca, por seu lado, Ana Cardoso, investigadora do CeNTI.

Inicialmente, o PICASSo antecipava o desenvolvimento de 10 a 20 cores, mas o número de tonalidades foi já revisto para 25 a 30. O projeto implica a investigação na extração de compostos naturais, a partir de cogumelos e plantas, com base em processos eco eficientes e de fácil implementação industrial, e a compatibilidade dos compostos extraídos com substratos têxteis.

«No fundo, são propriedades intrínsecas das plantas e dos cogumelos. Ao utilizar essas espécies para potenciar cor, certamente estarão lá as funcionalidades», explica Ana Cardoso ao Portugal Têxtil.

Além das propriedades antimicrobianas e antioxidantes, Mário Jorge Silva afirma ainda que haverá «uma série de propriedades que podem vir a seguir, tais como antimosquito, mesmo os próprios aromas que vêm das plantas».

Uma questão de sustentabilidade

O novo projeto enquadra-se na estratégia da empresa de Vila Nova de Cerveira, que tem vindo a apostar em soluções mais ecológicas. Na mais recente edição da Techtextil (ver Há vida em Frankfurt), onde se estreou, a Tintex apresentou propostas nestas vertentes, como é o caso da linha Cork Coating, com produtos com base natural revestidos com desperdício pós-industrial de cortiça, um dos quais foi já galardoado na Munich Fabric Start (ver Tintex premiada em Munique).

«Os nossos produtos procuram sempre o sustentável», sublinha o administrador da Tintex, adiantando que em Frankfurt «os nossos produtos, nomeadamente o de cortiça, que ganhou o prémio em Munique, e outros produtos de poliuretano que têm como base os produtos de algodão e sustentáveis, despertaram bastante interesse nos clientes».

A empresa, que esteve ainda representada no Innovative Apparel Show da Techtextil (ver ESAD arrecada prémios em Frankfurt), promete, de resto, regressar ao certame em 2019 para continuar a conquistar os clientes de athleisure, leisurewear e vestuário sustentável. «Queremos ser sustentáveis, ter design, ter performance e inovação. Neste momento temos de estar focados. Não queremos ir, para já, para produtos demasiadamente técnicos – temos ainda todo este filão do leisurewear», resume Mário Jorge Silva ao Portugal Têxtil.